O Estalajadeiro

Capítulo 1973

O Estalajadeiro

Lex não deu muita atenção a James. Este Devorador de Destino permaneceria imóvel por pelo menos alguns anos, se não séculos. Embora soubesse muito pouco sobre sua raça, tinha conhecimentos suficientes sobre destino em geral para entender que nem mesmo uma raça especialmente equipada para lidar com ele poderia fazê-lo de forma fácil.

Além disso, James tinha sua porcentagem de poder reduzida a zero. Basicamente, estava tão fraco quanto era no momento de seu nascimento. Portanto, que digerisse o destino de centenas de imortais, todos ligados a uma Divindade, muitos provavelmente guardando segredos profundos, não seria uma tarefa fácil.

Para sua sorte, Lex tentou dar a ele algumas Pedras de Bênção para aumentar sua porcentagem de poder, mas sem sucesso. Provavelmente, havia usado algumas há menos de um século, então teria que esperar bastante tempo para poder usá-las novamente.

Para ser honesto, Lex originalmente não tinha planos específicos para James. Só passou a focar nele por causa de como ele reagia de forma curiosa a Lex. No entanto, depois, surgiu algumas ideias de como James poderia ser útil, não apenas para esconder seus rastros, mas também como uma contingência contra Vox.

Foi só depois de tudo terminar, e ele já a caminho de Rohas Fort, que algo veio à cabeça de Lex.

No meio da provação espiritual, ele se deparou com um obelisco que tentava alertá-lo de que alguém estava mirando na raça humana. Agora, Lex não podia determinar a natureza do perigo, mas imaginava que fosse algo parecido com o destino da raça humana sendo roubado.

Claro, isso era mera especulação e não havia provas de que essa fosse a verdadeira ameaça representada por aquele obelisco. Mas era uma possibilidade, e a primeira que ele encontrava. Além disso, não eram apenas os humanos. Até mesmo as fadas estavam sendo afetadas por alguma maldição, e Lex conseguia perceber que, quando a maldição que as afligia se aprofundasse ao ponto de fazer todas as fadas desaparecerem, elas seriam substituídas no universo por quem quer que estivesse lançando a maldição.

Embora tais ações não se encaixassem exatamente na compreensão de Lex sobre roubar destino, ele via como um Devorador de Destino extremamente poderoso poderia ser útil na criação de uma situação assim.

James afirmou que só podia roubar o destino de um ser morto. Então, teoricamente, se uma raça inteira fosse exterminada, seu destino também poderia ser roubado. Sem falar que provavelmente existiam outras formas de roubar destino, ele apenas ainda não as conhecia. Talvez até James desconhecesse todas.

Assim, para fins de pesquisa, decidiu manter James—não, quer dizer, decidiu ajudá-lo a ficar mais forte. Por meio dele, Lex pretendia estudar um pouco mais a raça e descobrir o que pudesse sobre eles.

Mesmo que Devoradores de Destino não estivessem envolvidos nesses complôs, por meio deles Lex poderia aprender muito mais. O universo era um lugar complexo, e ele precisava aproveitar toda oportunidade para se aprimorar e se preparar melhor.


A viagem de volta foi tão tranquila quanto a chegada, e Lex, felizmente, não enfrentou nenhuma das dificuldades que uma travessia de ferry poderia apresentar. Fenrir, na verdade, achou o retorno mais divertido, porque tratou o corpo inchado de James como uma bola. Mesmo com 0% de poder, ele era resistente o suficiente para rolar sem se machucar, então foi isso que Fenrir fez.

Lex pensou em interromper, mas reconsiderou ao perceber que o exercício poderia ajudar na digestão. Além disso, ele acabara de recuperar Fenrir e Mango, e não queria lidar com as birras deles novamente.

Falando nisso, Fenrir e Mango absorveram uma quantidade enorme de Pedras de Bênção que Lex tinha coletado, deixando ainda mais evidente o quanto Lex era absurdo. Fenrir conseguiu aumentar sua porcentagem em 0,25%, enquanto Mango parecia não ter tido nenhum aumento perceptível em força, apesar da quantidade absurda de pedras usadas.

Depois disso, ambos perderam o interesse no conceito completamente. Mango pediu mais algumas histórias para Lex e, de alguma forma, conseguiu interpretá-las de maneira incrivelmente acertada.

De modo geral, a viagem de volta foi bastante tranquila, e quando Lex retornou ao forte, já havia passado tempo suficiente para esperar que o Puppeteer dos Céus tivesse chegado.

Lex tinha a intenção de ir direto até Vox assim que retornassem, mas, ao aterrissar no forte, encontrou duas pessoas inesperadas esperando por ele.

— O que vocês estão fazendo aqui? — perguntou Lex ao se aproximar da figura.

— Veja bem, quando alguém entra no forte pelos meios oficiais, recebo uma notificação adequada, — respondeu Vox, com aquela expressão que Lex presumiu ser um sorriso de escárnio. Era difícil discernir, pois ele não tinha qualquer traço facial. — Fico feliz em ver que cumpriu completamente o que combinamos. Como pode ver, eu também fiz minha parte.

Lex se virou de Vox e olhou para a figura ao seu lado.

Como se lembrava de sua provação, aquele Puppeteer dos Céus tinha quatro braços, quatro asas e um halo feito de luz pura. Durante a provação, suas pernas tinham sido obscurecidas pelas nuvens da provação, mas agora ele podia vê-las: duas pernas normais. Era quase triste; Lex tinha esperança de que tivesse quatro pernas, transformando-o em um centauro ou algum outro quimera.

Mais importante do que sua aparência, era a energia que ele emitia. Ela era zero. Era como se, bem na frente de Lex, estivesse uma casca vazia. A ausência de olhos não podia esconder o fato de que parecia não haver nenhuma consciência dentro dele.

— O que há com ele? — perguntou Lex. — Foi ferido durante minha provação?

Vox balançou a cabeça.

— Este não é um bom lugar para conversar. Venha até meu escritório que explicarei tudo.

Lex arqueou uma sobrancelha, mas seguiu sem resistência, observando o Puppeteer dos Céus enquanto o fazia.

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