O Estalajadeiro

Capítulo 1885

O Estalajadeiro

Marlo piscou e releu aquela última parte.

Normalmente eu não me importaria em te criticar, nem me importaria com como você vive sua vida — se ao menos eu não tivesse previsto sua morte.

Ah. Parecia que ele não se enganou. Continuou lendo.

Gostaria de poder dizer que você morreu como um herói. Gostaria de poder dizer que morreu por algo em que acreditava. Mas não, esse não foi o caso. A complacência era sua atitude quando a morte bateu à porta. Sua habilidade era escassa quando foi posta à prova.

Cara, o que aconteceu com aquele cara que me dizia que ofensiva era a melhor defesa? Quando você foi atacado, não tinha nem uma nem outra. Ou pelo menos, foi o que eu percebi. Por tudo que você fez por mim, escrevi esta carta para você.

Em cada palavra, coloquei a minha força máxima no momento em que escrevia. Quando chegar a hora, você pode usar esta carta para ofensiva, defensiva, ou para curar alguém à beira da morte. A escolha é totalmente sua, mas saiba que a carta só pode ser usada uma vez.

Tudo que posso dizer é que não só você morreu na minha visão, como também fracassou com sua família.

Mesmo enquanto Marlo lia a carta inteira, o sorriso casual no rosto dele não mudou, embora a expressão oculta por trás dos olhos tivesse mudado bastante. Marlo virou a carta e leu a última linha.

P.S. O poder da minha carta também pode ser usado para refinar linhagens, mas ela só pode ser usada uma vez. Escolha com cuidado.

Marlo fechou os olhos e inspirou fundo, fundo. Sempre foi um grande guerreiro, incansável e obstinado na busca. O que diminuiu seu espírito de luta não foi sua derrota no planeta natal, que acabou empurrando-o para fora da Terra. Nem mesmo ter sido exposto ao vasto e poderoso Reino da Origem. Ironicamente, foi a excelência do próprio filho que esfriou o espírito de luta de Marlo.

Desde que acordou do coma, Rafael tinha sido excepcional demais. Vez após vez, provou seu valor, realizando o impossível e fazendo Marlo pensar que tudo que ele precisava era ficar de braços cruzados e deixar o filho resolver as coisas.

Esse pensamento não surgiu de uma hora para outra. Foi sutil, tanto que Marlo mesmo não percebeu até ler a carta de Lex. Mas sua vontade de buscar a excelência, seu desejo inabalável de enfrentar a morte ao invés da obscuridade, tinham enfraquecido… temporariamente.

Marlo olhou novamente para a carta. Lex não mencionou como ou quando Marlo morreu. Apenas entregou a ele essa carta, o que indicava que a morte acontecerá em breve.

A lógica diria que ele deveria usar essa carta para superar seu obstáculo e, depois, trabalhar lentamente para melhorar-se. Mas se fizesse isso de verdade, poderia ficar para sempre preso como cultivador de Alma Nascente.

Ele era um Humano Prime. Seu caminho de cultivo agora era unicamente aprimorar a linhagem — repetidamente, levando ao limite e depois ultrapassando-o, onde era esperado que morresse. Ele não tinha ideia de quão forte realmente era Lex.

"Esse moleque sempre teve a língua afiada," disse Marlo, sorrindo para Giselle. "Quer que eu cultive um pouco? Aproveite a comida se quiser."

"Não, vai você mesmo," respondeu Giselle, balançando a cabeça. Ela tinha muita coisa na cabeça. Planejava fazer sua ascensão ao reino dos Imortais Celestiais logo após o torneio dos Campeões. Com as recompensas que poderia obter, ela achava que conseguiria superar Lex, certo?

Por algum motivo, ela se sentia duvidosa.

Marlo, ao lado dela, simplesmente amassou a carta na mão e canalizou a energia dela para dentro de si. Lex tinha razão. Ele vinha se mostrando complacente demais nos últimos anos. Era hora de voltar ao que sempre foi.

Enquanto a energia presa na carta causava o caos dentro do corpo dele, enviando ondas de dor inimagináveis pelo seu ser, o sorriso insano de Marlo lentamente voltou.

Dor? Se ele tivesse medo de dor, não teria se casado com Sophia.

O que Marlo não sabia era que Lex tinha bluffado quase na carta. Ele tinha visto o futuro de Marlo uma vez, por isso comentou sobre o coelho. Mas, na verdade, não sabia mais nada sobre o futuro de Marlo. Ainda assim, esperava que Marlo usasse a carta para melhorar de si.

No final das contas, seu verdadeiro ás na manga não era a carta. Era enviar Giselle para salvar todos. Depois, uma vez que ela salvasse Larry, ele mostraria para aquele playboy que tinha um encontro marcado com Giselle — mesmo que nenhum deles tivesse de fato combinado um horário. Como era triste, ambos estavam ocupados demais para se preocupar com isso agora.


Reino Primal, Ruínas da Ascensão

— Acho que tem alguma coisa errada nisso. A raça humana acabou de subir mais uma posição — disse um dos Primal, enfim comentando. — São mais de 100 lugares em um período bem curto. Ou nasceram 100 novos Celestiais na raça humana, ou algo grande está acontecendo de segredo.

Todos estavam perplexos, mas essa não era sua tarefa especular. O único trabalho deles era registrar os dados e enviá-los às partes relevantes.

Reino Major Hazish

O Jolly Rancher apareceu dentro da Taverna. Para ser mais específico, chegaram ao terminal de teletransporte entre reinos, com vistos na mão, prontos para serem verificados para entrar neste reino maior.

Felizmente, o Capitão tinha informado que eles não atrairiam problemas neste Reino Major, e estavam apenas fazendo uma escala antes de seu destino real. Infelizmente, poucos segundos após entrarem, Bob começou a falar.

— Este lugar parece ominoso — sussurrou para si mesmo, embora sua voz ecoasse pela nave. — É quase como se o destino… estivesse nos esperando neste reino.

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