
Capítulo 1879
O Estalajadeiro
As tribulações sempre vinham acompanhadas de nuvens, por algum motivo, mesmo quando não havia relâmpagos. Por exemplo, a Tribulação do Fogo também ocorria sob as nuvens negras da tribulação. Naturalmente, a Tribulação Primordial também surgia das nuvens, liberando uma aura tão poderosa que, por si só, seria suficiente para exterminar Imortais da Terra.
O fato de Lex, apesar de seu crescimento extraordinário, não conseguir subir devido à pressão das nuvens era uma prova da escala do poder que elas continham.
Embora Lex sentisse o perigo inacreditável e uma ameaça real de morte, não conseguiu deixar de sorrir. Ele não era masoquista, apenas gostava de um desafio. Era reconfortante perceber que ainda não se tornara tão forte a ponto do universo ter se tornado entediante. Afinal, ele conseguia encontrar maneiras de se divertir mesmo entre cultivadores mais fracos, então sua vida não acabaria sem a dose de estímulo de um desafio digno. Pelo contrário, esse desafio era tão estimulante que talvez pudesse realmente tirar sua vida.
As nuvens, embora sombrias, revelavam um tipo de poeira cósmica de vários tons de laranja, que pairava no interior delas. Eram sem forma, sem contorno definido, movendo-se nas nuvens como se estivesse acumulando poder, revelando apenas a menor ponta de sua força.
Lex sentiu-se sendo capturado pela tribulação, e foi por meio do feedback do seu corpo que a poeira celestial laranja começou a tomar forma. Nos tempos Primordiais, o relâmpago talvez nem existisse, então a tribulação não assumia a forma de relâmpagos. Em vez disso, a forma dependia do alvo.
Com Lex como alvo, o primeiro golpe caiu…
A poeira cósmica desceu como um tsunami, e ao cair começou a se fundir formando uma… bola?
Lex virou a cabeça, curioso, para olhar para a bola. Aquilo não parecia nada intimidante. Então a bola cresceu, e virou uma lua.
"Ah, entendi", disse Lex enquanto mergulhava a mão no anel espacial e puxava uma gota de sangue, que engoliu como se fosse um chiclete. Para ativar sua terceira forma, ele precisava dessa gota de sangue — felizmente, tinha bastante dela.
Normalmente, ele tentaria lutar contra as fases iniciais da tribulação com sua espada, mas tinha a sensação de que, no Jardim Primordial, não podia dar um passo em falso de jeito nenhum.
A lua foi crescendo, até alcançar o tamanho de um planeta, e depois se ampliou ainda mais, ficando maior que o próprio sol.
Claro, o ataque em si não era realmente maior que o sol fisicamente. Seu tamanho permanecia o de uma bola, como viu anteriormente. Mas, quando Lex olhava para ela, todo o seu campo de visão era tomado pelo ataque enquanto ele continuava a aumentar de tamanho e força.
"Um minuto de imortal celestial, e uma estrela caiu na minha cabeça. Que começo de temporada", a voz de Lex roncava pelo jardim enquanto seu tamanho também aumentava. Afinal, sua terceira forma era a forma Jorlam.
Uma estrela? Heh, isso era café da manhã.
No futuro, assim que Lex fundisse com mais sangue Jorlam, conseguiria ativar essa forma sem precisar beber uma gota de sangue. Por ora, bastava assim.
O tamanho de Lex crescia rapidamente, mas isso era só em comparação com a estrela que caiu sobre ele. Na verdade, as regras do Jardim Primordial não permitiam que as coisas crescessem demais. Assim, em relação ao jardim, Lex era um humano grande, e a estrela era uma bola. Mas, em relação um ao outro, a estrela era, naturalmente, como uma estrela de verdade, enquanto o corpo de Lex caminhava para crescer ainda mais.
De alguma forma, apesar de tamanhos tão diferentes, os danos ao entorno eram inexistentes, pois, naturalmente, o ambiente não se feriria. O ar era do Tipo Primordial, a grama era do Tipo Primordial, a água era do Tipo Primordial. Nascidos do próprio nascimento do universo, esses elementos não seriam prejudicados por algo tão insignificante quanto a colisão de uma estrela poderosa — maior que o sol!
A investida durou menos de um segundo, mas, no nível de Lex, esse era tempo suficiente. Com os olhos cheios de insanidade, Lex abriu bem a mandíbula e mordeu a estrela que caía!
Assim como aconteceria com um gigante de nível cósmico mordendo uma estrela, ela entrou em supernova. Em resumo, explodiu na face de Lex.
Poria pensar que um evento assim faria a terra e o céu convulsionarem, que a própria realidade se curvaria e gritaria, que a luz se apagaria e as leis tremeriam. Mas nada disso aconteceu; a explosão também produziu uma brisa suave ao redor.
Lex, no entanto, não saiu ileso. Ele suportou toda a força da explosão. Para um jorlam humanoide ainda não completamente no tamanho máximo, o instante em que seus dentes tocaram a estrela foi catastrófico.
Seus dentes, feitos de asteroides condensados, vaporizaram-se. Sua carne foi dilacerada pela fúria apocalíptica da estrela, e seu penteado ficou completamente destruído. Em vez de sangue, uma luz brilhante jorrou de suas feridas, mais intensa que o alvorecer de uma nova era! Uma maré de fogo laranja, frio, feita de poeira celestial, invadiu a realidade e o senso comum, queimando as fibras do seu ser e as próprias leis que o sustentavam.
Como se a glória incinerante, que parecia apagar a própria existência, já não fosse suficiente, tudo aquilo era apenas o impacto inicial. O restante do corpo de Lex sentia a estrela se colapsando sobre si mesma, rapidamente formando um buraco negro.
A razão e a loucura se retorciam em agonia, como se toda a criação estivesse sendo arrastada para a ruína pelo choque entre a estrela e o curto Jorlam, sem fim à vista para a destruição.
O rosto de Lex, e até seu pescoço, foram completamente incinerados, deixando apenas a memória, enquanto o restante de seu corpo enfrentava a ferocidade ainda não extinta do primeiro impacto desta tribulação.