O Estalajadeiro

Capítulo 1827

O Estalajadeiro

Desde que a conta não verificou o karma dos Lordes do Dao e nem percebeu aquele homem misterioso que apareceu na hospedagem dele, Lex relaxou. Provavelmente, essa era a pior parte, certo?

Ele estava enganado. O karma que envolvia o dragão Pelvailin, e na verdade o planeta inteiro de Frigra, era não apenas imenso, mas também antigo. Aquele karma aparentemente também tinha se encarregado de envolver Lex, levando em consideração toda a riqueza que ele havia roubado do dragão.

A conta voltou a traçar suas origens, tentando compreendê-lo completamente.

Felizmente, desta vez, o karma não retrocedeu tanto assim, apenas alguns bilhões de anos. Mesmo assim, continha uma aura aterradora, como se tivesse origem em algo particularmente ameaçador. Mesmo enquanto Lex tentava observar o karma, ele não conseguia obter nenhuma pista.

Porém, qualquer coisa que fosse assustadora até mesmo para ele tinha que estar pelo menos na esfera Celestial. Faz sentido, afinal, a morte da alma de um dragão Imortal do Céu como Pelvailin não é uma conquista simples.

À medida que o rastro kármico continuava a retroceder no tempo, ele chegou a um período na história do reino da Origem muito antes da chegada dos Henali, quando o reino da Origem mal podia acomodar Imortais da Terra.

Nesse ponto, o rastro kármico simplesmente desapareceu, como se o karma tivesse se originado do ar. Algo assim era basicamente impossível.

Existiam alguns conceitos esotéricos similares ao karma, como destino e causalidade. Destino e fatalidade geralmente eram intercambiáveis, e enquanto uma coisa existisse, ela teria algum destino ou fatalidade — vida e morte não tinham relação com isso.

O karma, por outro lado, tinha origem na ação. Todo ato que ocorria criava karma, e toda ação subsequente decorrente da primeira carregava uma ponta do karma adiante, além de gerar novo karma também. Mais importante, todo karma estava intimamente ligado e fundido à pessoa ou coisa que o criava.

Por exemplo, se Lex plantasse uma árvore, e ela crescesse e sobrevivesse por cem anos, não só a árvore estaria atrelada ao karma dele, mas todos que descansassem à sua sombra, todos que comessem de seus frutos, até mesmo quem apenas usasse suas folhas como mulching, estariam conectados a Lex por uma fina linha de karma.

Em essência, todo karma tinha origem em algo, e que ele simplesmente desaparecesse claramente significava que alguém o havia escondido. Nada demais nisso. Afinal, mesmo no nível de Imortal da Terra, Lex sabia como impedir que vestígios de suas ações fossem detectados ou deixassem karma para trás. Outros naturalmente também podiam fazer o mesmo, mesmo que com métodos diferentes.

A conta seguiu em frente, mas foi nesse momento que Lex percebeu que carregava um karma imenso, e que sua pressão só aumentaria.

De acordo com suas expectativas, o peso do karma absorvido pela conta cresceu tanto que até mortais agora conseguiam senti-lo. Ainda assim, não dava para evitar. O Templo do Jejum carregava um karma enorme, o qual nem uma fração podia ser rastreada.

Cassandra também tinha muito karma. Cada uma de suas aventuras aleatórias gerava tanto karma escondido que Lex começou a questionar se sua compreensão de karma estava realmente correta. E se todo mundo carregasse uma grande quantidade de karma, e o motivo de só agora ele sentir esse peso fosse pela natureza especial da conta?

Porém, ele rapidamente descartou essa ideia. Seja por ser particularmente talentoso em se envolver em problemas, ou pela interferência sutil do sistema, que parecia querer colocá-lo em situações divertidas, Lex tinha a sina de se envolver nessas questões.

Nesse caso, uma vez que ele entendesse tudo sobre karma, Lex teria que dedicar um tempo para estudar causalidade e destino. Considerando que planejava ir ao Nexus em breve, não seria má ideia aprofundar seu entendimento sobre esses assuntos.

Um a um, todo karma de Lex se fundia à conta, seja de pequenas questões diárias ou de eventos grandiosos como o torneio dos Campeões. O Templo do Amanhecer Congelado era outro lugar onde seu karma se ligava a ele, com suas origens completamente in tracejáveis.

Quanto à Fábula do Tempo, o livro que fez Lex desaparecer por alguns minutos e depois voltou com um selo na cabeça — selo que poderia abrir a qualquer momento, mas que ele tinha medo de tentar —, aquele livro continha mais karma do que qualquer coisa que Lex já tinha encontrado.

Sem exagero, seja as origens de sua família, seu sistema, o mistério com Pelvailin, ou qualquer outra coisa — aquele livro carregava um karma maior do que tudo isso — e, antes, de considerar que sua conta nem sequer tentava descobrir suas origens. Ela nem tentou.

Lex ficou perplexo. Ter confrontado algo com um karma maior que o de seu sistema… foi… bem, não era algo de grande importância, aparentemente, como Lex logo aprenderia.

A conta prosseguiu. Sua provação, o encontro com as bestas do trovão durante a provação, sua luta com Jeffrey, seu contato com Sekhmet, com o Rei Dragão de Ouro, com o Governador dos Henali…

Um a um, eles passaram, e não se limitava só a esses. Até Jack, e cada uma de suas experiências, bem como a estranha maldição racial, tiveram seu karma fundido à conta, e muito mais.

Justamente quando Lex achou que tinha testemunhado a profundidade do karma que o envolvia, a conta atingiu o ponto em que ele entrou em Abaddon.

Abaddon, as terras amaldiçoadas, o cemitério de segredos, onde cada pedaço de terra foi banhado no sangue de trilhões, e onde o tempo parecia perder sentido… aquelas terras estavam repletas de karma, muitos dos quais superiores ao de seu sistema. Muitos.

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