
Capítulo 1813
O Estalajadeiro
KD era grande. Quando apareceu no palco, em pé, ereto, sobre as patas traseiras, e olhava para o público à sua frente, tinha facilmente uns dez pés (cerca de 3 metros) de altura. Apesar de um corpo tão colossal, não era robusto.
Havia força em cada centímetro do seu corpo, claro, mas isso não se traduzia em massa. Em vez disso, tinha um corpo enxuto e tonificado, revelando a silhueta de um dançarino profissional. Pode ser rei, pode ser governante, mas por baixo de toda a ostentação, era um dançarino, simples e puro.
Na verdade, mesmo apenas parado ali no palco, olhando para o público e deixando sua aura escapar dele, parecia mais uma preparação para sua próxima dança.
O governante frio-sangue do Império da Geração Fria não falou. Não se apresentou, nem fez declarações audaciosas ou introduções. Não precisava de palavras quando tinha dança.
A música começou. Pesada, ousada, elétrica — embora o ritmo fosse lento no começo, criava a atmosfera que KD queria. Não havia truque aparente nessa dança dele, propriamente dita. Em vez disso, ele exibia seu poder pleno na dança.
Era uma representação de sua jornada, começando do nada até estar ali. Cada desafio que enfrentou, cada inimigo, cada fracasso, cada hesitação — todos tinham o mesmo destino: serem conquistados pelo poder impressionante das habilidades de dança que ele aprimorara enfrentando os perigos do universo.
Assistir KD dançar era como ver sua vida se desenrolar, como se fosse uma saga épica, cujo tema parecia ser uma genialidade e sucesso avassaladores.
Na verdade, Lex percebia que sua dança, em particular, tinha uma influência muito maior que todas as anteriores. As emoções que transmitia eram mais facilmente comunicadas, o impacto sentido era muito maior, e ficava mais memorável.
Ele tinha certeza de que aquilo não era o máximo de todas as vantagens que o sistema de KD lhe proporcionava, e que haveria muitas mais. Porém, ao invés de se sentir ameaçado, Lex apenas olhava para o Dragão-de-Komodo com pena nos olhos.
Lex tinha enfrentado dragões de verdade, muito mais que um Dragão-de-Komodo, e tinha feito isso em situações onde estava em desvantagem. Mas o tema que KD escolheu para sua dança desta vez… era realmente desafortunado, pois só consolidou sua própria derrota.
Lex não era o único que pensava assim. Todos os outros do staff da Taverna que estavam assistindo também se sentiram meio mal por ele. Infelizmente, não havia o que fazer.
Como nas danças anteriores, que duraram meia hora, a de KD desta vez durou uma hora inteira. Mesmo assim, ninguém reclamou, e o público apreciou de verdade, dando-lhe uma ovação de pé sincera e emocionada.
Os membros do staff da Taverna também se levantaram, mas dava para perceber de imediato que olhavam para ele com pena nos olhos. KD enfrentou muitos tipos de adversários, mas nunca tinha enfrentado alguém que assistisse sua dança e sentisse pena dele. Nunca.
Por isso, ele não resistiu e foi até o palco.
"Que olhar é esse nos seus olhos?" perguntou Gerard, que estava mais próximo, deixando de lado toda apresentação ou conversa fiada.
Ao invés de responder, Gerard suspirou e pediu para Z se mover, para que KD pudesse se sentar ao seu lado.
"Sente-se comigo. Você vai entender," disse Gerard, sem antagonismo ou hostilidade na voz. Isso deixou KD ainda mais curioso, então ele aceitou o assento.
Z se virou para KD e começou a conversar.
"Escuta, ouvi dizer que você foi quem desafiou a Pousada da Meia-Noite. É isso mesmo?"
"Sim, é. Por quê? Tem algo que quer me dizer?"
Z balançou a cabeça.
"Não, só quero te avisar que você está prestes a descobrir por que ninguém manda na Pousada da Meia-Noite."
"E por quê isso?" KD perguntou.
Z simplesmente apontou na direção do palco.
O cortina ainda não tinha baixado, nem as luzes se apagado. Era apenas um palco vazio, cheio de sombras de diferentes tonalidades.
Quando KD olhou, surgia de uma sombra bem escura um único pé, e assim que tocou o chão, a música começou com uma pulsação elétrica e poderosa. Uma tonalidade de ouro profundo elevou-se do chão e se espalhou, cobrindo toda a Taverna, transmitindo-lhe uma grandiosidade arrebatadora.
A figura saiu da sombra a um ritmo normal, contudo, cada movimento, cada balanço da mão, a cadência do passo, a forma como o cabelo se movia ao vento — tudo ressoava com uma finesse impecável e, pela primeira vez, a aura pessoal do Taverneiro foi totalmente revelada para todos sentirem.
As sombras recuaram, as nuvens se abriram, os ventos acalmaram-se, e as terras, de alguma forma, se curvaram enquanto o Taverneiro descia do palco, o coração do Inn e tudo ao redor sincronizando-se com a música.
O Taverneiro apenas saiu do palco, mas mesmo nisso havia uma elegância simples demais para se chamar apenas de dança — embora também não fosse desprovido da beleza cativante de uma performance.
Cada passo fazia o ouro cintilar não pelo chão ou pelo ar, mas pelas leis do reino, homenageando cada movimento como se as próprias leis fossem reverenciadas.
Essa… essa era a presença do dono da Pousada da Meia-Noite, e ela era percebida com uma nitidez maior do que nunca. Na verdade, Lex não tinha feito muita coisa. Ele apenas transmitia a aura do Taverneiro como normalmente faria — mas, como o sistema tinha sido reparado de forma imensa, também refinou a aura do Taverneiro, o que também explica porque ele se sentia mal por KD. O Taverneiro já era uma força formidável antes mesmo de seu sistema ser aprimorado. Agora… bem, agora ele estava em uma outra liga.
O Taverneiro chegou ao centro do palco, seu rosto bonito exibia um sorriso suave, porém caloroso, enquanto olhava para o público. Tecnicamente, ele ainda não tinha começado sua dança, mas tudo o que fazia era uma dança.
Então, o Taverneiro fez algo que nunca havia feito antes. Desabotoou o casaco e o jogou de lado, deixando apenas o colete por baixo, num movimento suave, e começou a rolar as mangas sem mangas uma a uma, revelando os antebraços bem definidos.
Inúmeras mulheres desmaiaram, e as que tinham um pouco mais de resistência ficaram completamente vermelhas, abanando o rosto com leques tradicionais. Ninguém questionou de onde haviam surgido os leques, pois todos estavam focados no Taverneiro que começaria sua apresentação.