O Estalajadeiro

Capítulo 1749

O Estalajadeiro

Uma convocação soou nas profundezas do reino do Caos Fantasmagórico, reunindo um grupo aparentemente aleatório de Leviatãs. Ninguém fora daqueles chamados sequer soube da reunião, mas logo ficou claro qual era o padrão entre eles.

Todos aqueles convocados... eram parceiros!

Um pensamento passou por suas mentes, mas eles o negaram. Como seria possível? A razão de sua espécie ter se isolado em seu reino era justamente para que essa falha fosse corrigida. Então, como aquilo poderia ter mudado repentinamente?

Na realidade, isso foi exatamente o que aconteceu. Notícias se espalharam de que havia espaço suficiente criado no universo... para mais um Leviatã do Caos Fantasmagórico. Qual daqueles casais poderia gerar a próxima descendência dependia totalmente da sorte — pois todos receberiam os recursos necessários para dar à luz um filhote.

Eles não entendiam, nem precisavam entender. Era um dia glorioso.

Após todos os casais serem dispensados, enquanto se preparavam para tentar ter um filho, outro Leviatã foi chamado, e então rapidamente deixou o reino do Caos Fantasmagórico — o primeiro Leviatã a fazer isso em quase uma Era.

Eles precisavam entender por que uma mudança tão inesperada havia ocorrido, e enviar um único Leviatã para essa tarefa era suficiente.

Mesmo que o Leviatã do Caos Fantasmagórico não fosse mais membro das raças Sábias, isso pouco importava. De qualquer forma, o Leviatã nunca deu muita importância a esse espectro. O mais antigo deles já estava lá quando aquilo se tornou uma lei universal, e sua compreensão sobre ela superava em muito a de outras raças.

A primeira coisa que o Leviatã fez ao deixar o universo não foi começar a buscar o segredo, mas estabelecer contato com a raça dragão. Embora essa raça não fosse nem Anciã nem Sábia, quem poderia culpá-lo por prestar tanta atenção a eles? Afinal, os Leviatãs conheciam mais segredos antigos do que qualquer um…


Orin era um trabalhador árduo, mesmo sendo uma divindade. Na verdade, pode-se dizer que o motivo de seu sucesso como divindade era justamente sua dedicação. Sua fé, suas lendas, tinham pouco a ver com proteger seu povo ou ser um grande líder. Em vez disso, estavam ligadas às suas criações e aos minérios com os quais trabalhava. Estavam ligadas aos tesouros que criava.

Quanto mais valioso fosse o tesouro que ele criasse, mais forte se tornaria sua lenda, mais profundo seria seu folclore, e mais feedback ele poderia absorver.

Ele havia passado em seu teste e ingressado na Taverna da Meia-Noite há muito tempo, e desde então trabalhava dia e noite para preparar tudo. Como poderia dormir quando ainda se lembrava daquele tesouro âmbar que o Padeiro lhe mostrara — o núcleo da Pérola Kármica que deveria criar?

Ele não podia. Dormir, descansar, eram para aqueles que não tinham missão — e Orin tinha uma missão imensa.

Antes que a Pérola Kármica pudesse ser feita, era preciso uma forja adequada. Enquanto os anões tinham uma forja feita de Veevatil, o Padeiro não queria usá-la — sem falar que ela não se encaixava na escala e no design que o Padeiro tinha em mente.

Assim, Orin vinha trabalhando duro e preparando tudo o que podia para criar a forja. Só lhe faltavam alguns ingredientes-chave. Para sua surpresa, naquele dia Lex apareceu com justamente os itens de que precisava — e outros a mais. Isso o deixou confuso.

"Não entendo, isso não fazia parte do plano", disse Orin, olhando para Lex.

"O plano mudou, um pouco. Antes, a forja ia usar uma estrela aprisionada como fonte de fogo, principalmente porque era a mais forte e pura disponível em curto prazo. Mas agora, consegui trazer algo muito melhor, e também mais potente, para servir de núcleo para a forja. Vou ajudar você, mas vamos precisar de ajuda externa também."

Orin balançou a cabeça, confuso.

"Não, isso ainda não faz sentido. Uma forja assim... magia assim, precisa de tempo para amadurecer. Vai levar centenas de anos para a forja ficar pronta."

Lex também balançou a cabeça.

"Esse é exatamente o problema. Não temos mais tanto tempo assim. A Pérola Kármica precisa ficar pronta o quanto antes — mesmo que precisemos sacrificar a forja nesse processo. Uma forja adequada pode ser construída depois, assim que a Pérola estiver pronta."

Orin franziu o cenho. Não gostava da ideia de fazer uma forja precária, que pudesse ser usada apenas uma vez. Mas também compreendia que a Pérola Kármica era uma ferramenta poderosa, e a pressa indicava que o Padeiro tinha uma grande necessidade dela.

O anão respirou fundo, preparando-se mentalmente.

"Então, vamos lá."

Lex apenas assentiu, e então levou Orin até o maior vulcão disponível dentro dos limites da Taverna da Meia-Noite.

Ao contrário do que se poderia esperar, o vulcão era feito de cristal de espírito puro, formado durante a criação do reino, quando um líquido espiritual vulcânico puro emergiu dele, formando a cadeia ao redor.

Embora o núcleo do vulcão não estivesse mais ligado ao espírito de magma, ele oferecia uma estrutura quase indestrutível para conter as chamas mais potentes. Isso era ideal para a fonte de fogo que Lex trouxera de Abaddon.

"Vamos começar. Primeiramente, precisamos fazer algumas adições na estrutura do vulcão para conter a fonte de fogo e evitar que transborde", disse Orin, estudando a profundidade da montanha cristalina. "Também precisamos de um método para canalizar o fogo à vontade, sem falar em criar uma plataforma onde o forjador não seja atingido pelas chamas, mas possa usá-las no processo de forja."

"Vou seguir o seu comando", disse Lex, arregaçando as mangas e começando a trabalhar.

Em sua mente, ele percebeu uma aura familiar — uma que não sentia há muito tempo. Giselle — ela tinha voltado para a Taverna. Mas agora não era hora de pensar nela. Ele não podia se distrair da sua missão.

Ele iria acabar de uma vez com aquele maldito freak do tabuleiro de Go.

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