O Estalajadeiro

Capítulo 1638

O Estalajadeiro

"Você finalmente veio," disse o cavaleiro, encarando Z. "Achei que sua coragem tinha fraquejado após enfrentar Abaddon."

"O perdedor perguntando ao vencedor se ele perdeu a coragem. Agora isso é algo que nunca tinha visto antes. Diria que é bem corajoso da sua parte aparecer na minha frente mais uma vez depois que bati em você."

O cavaleiro negro balançou a cabeça.

"Você não entende. Eu não tenho mais nada a perder, nem nada a fazer. Quero ver a pessoa com a aura da Terra. Quero relembrar—perguntá-lo sobre o planeta que costumava chamar de lar. E, depois, quero que ele morra. Por que ele deveria estar livre para vagar pelo universo enquanto estou preso aqui? Ele também deve se tornar prisioneiro de Abaddon."

Desta vez, Z fez um gesto de reprovação com a cabeça.

"Você não entende. Você acha que estou te privando do que quer ao ficar no seu caminho? Não, estou te salvando de um destino bem pior. Não que importe o que você pense. Como decidiu fazer inimigos do Inn da Meia-Noite, quem vai lidar com você serei eu."

"Lidar comigo? Você acha que ter música ao fundo garante sua vitória? Dentro de Abaddon, sou imortal. Me mate um milhão de vezes, não importa. Preciso de apenas uma chance para vencer."

"Reencarnações infinitas são uma muleta para os fracos. Não preciso renascer para derrotá-lo—posso fazer isso com uma única vida."

Enquanto trocavam palavras, Z também escaneava o entorno, certificando-se de que não havia nenhuma armadilha esperando por ele. Parecia que o cavaleiro não podia, ou não queria, entrar na selva. Mas isso não era algo em que Z pudesse confiar totalmente. Estava em treinamento, e isso significava que ele tinha que enfrentar de frente.

"Da última vez, eu estava com pressa e não pudemos lutar direito. Agora, vamos ver se ainda consegue me pressionar."

Grande parte da estratégia de combate de Z dependia de construir momentum, e quanto mais ele avançava nesse aspecto, mais forte ficava. Mas, claro, isso levava tempo. Agora que não havia pressa, a luta seria mais justa.

"Você não é o único que ficou na defensiva da última vez," disse o cavaleiro negro. Ele acenou com a mão, e do chão emergiu um cavalo de pedra, formando o frote do cavaleiro.

Os dois se encararam por um momento, e então partiram para o confronto.

*****

Agora, Luthor não era um homem mau—pelo contrário. Era gentil e atencioso, e cada funcionário do Inn sentia seu cuidado e atenção. Mas todo homem precisa de hobbies, e planejar a morte e a destruição de todos os seus inimigos era, na opinião dele, um hobby bastante aceitável.

Afinal, isso mantinha os funcionários do Inn seguros e eliminava obstáculos futuros. Durante muito tempo, esse planejamento se dava na forma de projetar uma prisão no Inn para os inimigos capturados. O problema era… ninguém se atrevia a mexer com o Inn, então raramente capturavam inimigos.

No fim das contas, a prisão virou, ironicamente, um spa para criaturas que nasceram em ambientes infernais. Podemos dizer que esse plano mais parece um fracasso.

Depois, o mordomo do Inn mandou Luthor em uma missão de domar o planeta Ereboth, para que produzisse masmorras para entreter os hóspedes da pousada. Para ele, era praticamente impossível domar um planeta no reino Celestial. Mas ele conseguiu, ao menos, dominar a psicologia de Ereboth, usando a reputação e influência do Innkeeper para suprimir a resistência do planeta, facilitando sua aceitação da posição superior do Innkeeper.

Durante o processo, Luthor explorou muitas dessas masmorras, achando-as interessantes, desafiadoras e recompensadoras. Parecia que, mesmo que Ereboth quisesse, não podia negar as recompensas por completar um desafio nas masmorras. Tudo o que podia fazer era aumentar a dificuldade desses desafios.

No momento, ao testar uma masmorra com tema de Inferno, Luthor acumulou bastante poder—para a sua surpresa e desgosto do planeta. Ele não só adquiriu Fogo do Inferno, como também obteve um plano para criar uma versão miniatura do Inferno.

Ele tinha ouvido que a tartaruga estava criando um Paraíso dentro do Inn e pensou que talvez pudesse tentar criar um Inferno. Afinal, o Inn não tinha preferência por nenhum dos lados. Além disso, embora o Paraíso ofereça muitos benefícios, o Inferno também tem suas vantagens.

A parte mais difícil de criar um Inferno era encontrar uma Tormenta Conceitual. Isso não era um objeto físico, tampouco algo tangível, mas sim uma existência abstrata que só poderia ser encontrada por sorte ou acaso, e nunca criada artificialmente.

Em comparação ao Paraíso, que pode ser cultivado de um jardim, o Inferno representava um desafio diferente, embora igualmente difícil. Era algo que ele queria discutir com Lex, já que Lex tinha muita experiência com essas questões. Mas ele parecia focado na missão atual.

Luthor tinha que admitir que ficara impressionado com o Inn da Meia-Noite. Ouviu falar de hóspedes indo a hotéis, mas nunca tinha ouvido falar de um hotel ou pousada que viajasse até um hóspede que não pudesse sair do local.

Agora, estando em Abaddon, conseguiu entender por que era importante levar a pousada até eles. O Innkeeper provavelmente foi pago diretamente pelo Condottiere por esse serviço.

Mal sabia ele que o Innkeeper não tinha recebido nada. O Sistema apenas cobria as despesas com os serviços básicos como parte de uma missão contínua. Se o Innkeeper quisesse ganhar algo, teria que arrecadar seu próprio dinheiro.

De qualquer forma, Luthor vinha pensando longo e claro sobre a Tormenta Conceitual. Não tinha certeza do que exatamente era, nem como encontrá-la, até que, de repente, lhe veio à mente que todo o Abaddon parecia uma enorme Terra do Inferno, provavelmente cheia de Tormentas Conceituais. Provavelmente.

Normalmente, as regras de Abaddon dificultavam sua saída para explorar as terras sozinho. Mas essa selva… oferecia uma oportunidade. Então, um dia, após coletar diversas informações sobre a selva com seus hóspedes inseto, pediu a Lex que assumisse a direção do Grande Salão por um tempo.

Agora, Luthor estava à caça de alguma Tormenta Conceitual e, assim que a encontrasse, começaria a trabalhar na manifestação daquele conceito como um Inferno.

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