
Capítulo 1606
O Estalajadeiro
Embora este lugar não tivesse mostrado perigo até então, isso não significava que permaneceria assim. Hargreaves confirmou mais uma vez que poderia partir daquele local com um único pensamento e decidiu explorar o restante da área.
Sua jornada de cultivo não seria fácil se ele não arriscasse, e não era como se sua rotina diária fosse tranquila também. Prometheus não era exatamente um lugar seguro, e ele tinha inimigos com quem concorria por recursos e reconhecimento. Se sua força se tornasse maior do que a de seus inimigos, até em casa ele encontraria a morte.
Ele saiu do edifício e olhou para uma cena de uma pequena vila organizada, com inúmeros pátios e ruas de pedra. Mas, embora houvesse elementos artificiais evidentes aqui, a natureza também não tinha sido retirada; as ruas estavam repletas de árvores de Nuvem, cheias de flores e frutos coloridos.
Enquanto apreciava a paisagem, uma borboleta passou voando diante de seu rosto, suas asas frágeis levando-a ao alto em direção às árvores. Mas, por trás da aparência inofensiva, a borboleta irradiava a aura de um mago de grau 5! Isso significava que era um cultivador de Alma Nascente! Uma borboleta!
As pupilas de Hargreaves se dilataram e ele quase teleportou para fora daquele lugar ali mesmo, pois foi quando seu olhar caiu sobre a infinidade de outros animais selvagens daquele local.
Uma família de beija-flores voava acima, cada um deles cultivador de Núcleo Dourado. Ao longe, longe da vila, um ostentoso grupo de pavões se movia pelas colinas verdejantes, cada um irradiando uma força tão poderosa que ele não conseguiu quantificá-la.
Perto dali, havia um esquilo de grau 5 e um tijolo qualquer no meio da estrada que parecia ter a aura de um mago de grau 4!
Hargreaves se sentiria uma formiga diante de gigantes se ele não tivesse visto uma formiga equivalente a um mago de grau 3 — um nível inteiro acima do dele!
Contudo, ele também percebeu rapidamente que a fauna vivia em harmonia, sem incomodar uns aos outros, e sem dar atenção a ele também.
Este lugar era uma armadilha mortal com um laço amarrado no topo, fazendo parecer fofo e amigável. Mas isso não mudava o fato de que uma simples mexida de uma asa de borboleta poderia literalmente matá-lo.
Ele ficou preso em sua dúvida e hesitação quando Hargreaves notou um movimento em um dos outros pátios. A três prédios de distância dele, a porta se abriu e revelou uma linda garota élfica. Ela saiu, sua aura perfeitamente oculta, e deu uma olhada ao redor antes de simplesmente seguir em frente, como se não estivesse preocupada.
Ela percebeu Hargreaves parado na porta e fez uma pausa por um momento. Mas não demorou muito e seguiu seu caminho, indiferente a uma pessoa que não ousava sair de casa.
Visto que nenhum animal a incomodava, Hargreaves deu um passo à frente, atento ao que o cercava. Ele se perguntou se aquela garota élfica era uma antiga membro da Obsidian. O jeito dela de agir com tanta indiferença sugeria uma certa familiaridade.
Hargreaves ativou uma técnica defensiva, pronto para lutar ou fugir a qualquer momento, antes de sair em direção ao caminho de pedra que levava ao Templo de Pedra.
Enquanto atravessava a colina, percebeu como tudo ali parecia tão estranho comparado ao mundo que estava acostumado. Havia lagos que pareciam refletir estrelas. Cascatas, mas que, ao invés de descer, subiam. Ele até viu uma árvore crescendo uma maçã, o que era claramente absurdo. Todos sabiam que maçãs crescem em árvores, mas aqui, tudo funcionava ao contrário.
Ao longo de tudo isso, Hargreaves manteve os olhos na garota élfica, seguindo-a até chegar ao Templo de Pedra. Quando a viu entrando sem preocupação, ele esperou um momento, mas decidiu seguir atrás.
O que ele não sabia era que a garota élfica que viu era apenas uma ilusão criada por Lex. Nenhum outro usuário do sistema tinha chegado ali ainda, por algum motivo, então ele criou uma ilusão para desarmá-lo e fazê-lo apressar-se a entrar no Templo.
Ao entrar no templo, ao invés de ver a garota, Hargreaves se viu imediatamente em uma câmara branca, desprovida de qualquer coisa, exceto uma única cadeira branca.
Era uma réplica da sala onde Lex havia passado pelos primeiros procedimentos do Abraço Régio, e, como essa sala tinha causado impacto nele, resolveu recriá-la para uso com esses convidados.
Seguindo o conselho óbvio, Hargreaves sentou-se na cadeira, mas, no instante em que o fez, se viu em uma sala de conferências escura e enevoada. Surpreso com a mudança repentina, saltou para fora e voltou imediatamente à sala branca.
Pouco tempo depois, percebeu que, ao sentar-se na cadeira, poderia ser transportado para algum lugar, mas ficaria lá apenas enquanto estivesse sentado.
Com cuidado, sentou-se novamente e prestou mais atenção ao processo. Tocar na cadeira não o teleportava. Era só quando ele se sentava totalmente que o ambiente mudava de repente.
Ao seu redor, uma densa névoa dificultava a visão; na frente dele, um grande painel de conferências parecia se estender até a eternidade. No canto mais distante da mesa, escondida por um véu de névoa, havia uma figura borrada.
"Bem-vindo à Obsidian," disse uma voz profunda e poderosa, que atingiu a própria alma de Hargreaves. "Sou o Sábio de Obsidian. Permita-me apresentar este lugar a você. Após ouvir os detalhes, decida se deseja fazer o Juramento de Sigilo ou renunciar à sua membresia na Obsidian. Aviso: esta será sua única oportunidade de entrar. Se rejeitar, poderá retornar ao seu destino, mas a Obsidian ficará permanentemente fechada para você. Antes de começarmos, há algo que queira perguntar?"