O Estalajadeiro

Capítulo 1576

O Estalajadeiro

Malfoy ficou surpreso e quase caiu para trás, mas era um soldado de coração. Mesmo com medo, ele lutaria, não fugiria! Desde que foi revelado, atacou o espelho, mas seu golpe ricocheteou como se nada estivesse ali.

Na hora seguinte, tudo voltou ao normal. Molfoy estava de pé no banheiro, com seu reflexo completamente normal. Não havia nenhuma estátua congelada, nem sombra de lobo encarando-o.

Malfoy bufou, prestes a virar-se quando percebeu algo no reflexo. Havia uma janela mostrando o exterior do castelo, e lá fora ele viu Kaemon parado nas balustradas, assistindo a três exércitos lutarem.

Uma ideia passou por sua cabeça e ele rapidamente se aproximou da janela, abrindo-a cuidadosamente. Depois de olhar para os lados, certificando-se de que não havia problemas, Malfoy pulou da janela, decidido a alcançar Kaemon. Mas no momento em que saltou, uma sensação familiar voltou. Na janelinha do banheiro, havia um pássaro observando-o. O olhar dele era suficiente para deixá-lo tenso, como se carregasse em seu corpo uma estrela!

Essa breve distração fez Malfoy perder seu alvo, e em vez de saltar em direção às baluartes, ele pulou em direção a uma estufa no telhado, construída na cobertura de uma torre. Curiosamente, o vidro da estufa não impediu Malfoy e permitiu que ele caísse lá dentro.

Mas Malfoy não se sentiu aliviado. Em vez disso, sacou suas armas e se preparou para enfrentar um adversário formidável.

A primeira vista, a estufa parecia vazia, com muitas árvores, arbustos e pequenas plantas em vasos dispostos ordenadamente no chão ou em prateleiras. Uma grande ilha de terra ao centro do cômodo abrigava ervas extremamente raras, capazes de despertar a cobiça até mesmo de Imortais da Terra, mas Malfoy não prestou atenção em nada daquilo.

O silêncio estranho na estufa não combinava com o ambiente do restante da taverna, e dava para perceber que algo terrível estava prestes a acontecer.

Justamente nesse momento, uma sensação familiar voltou. Um pássaro o observava de algum lugar, mas Malfoy não teve tempo de procurar — de repente, apareceu um lobo gigante, olhando para ele enquanto passava entre as árvores.

A cada passo do lobo, sua aura aumentava, tanto que sua mera presença começava a pressionar Malfoy. No entanto, a pressão ameaçadora apenas intensificava sua firmeza ao segurar a arma.

Ele ainda não tinha dado um único passo para trás quando enfrentou os horrores de Abaddon, e não recuaria agora.

Por alguns momentos, o lobo ficou encarando Malfoy, sua pressão crescendo ainda mais. Então, sem aviso, ele atacou. Malfoy levantou a arma, preparado para reagir.

Porém, o confronto previsto nunca aconteceu.

Um uivo estrondoso ressoou pelo salão, sacudindo o chão e o céu, assustando o lobo. Ele lançou um olhar malicioso para Malfoy uma última vez antes de desaparecer, junto com o pássaro que observava, como se estivessem fugindo de algo.

Ao mesmo tempo, Malfoy sentiu a chegada de uma aura heroica, afastando toda a imundície, como se viesse ao seu resgate. Do céu surgiu uma criatura de graça magnífica, com asas mais puras que as de anjos, seu corpo um testemunho de força e elegância unidos.

O leviatã voador, não — na verdade, o Kun Peng apareceu bem diante de Malfoy, com sua aura expulsando toda impureza e maldade escondidas naquele lugar. Por alguma razão, Malfoy se sentiu extremamente seguro ao seu redor, como se tivesse sido salvo.

Enquanto Malfoy admirava a visão de uma criatura lendária, quase extinta em todo o universo, o Kun Peng vasculhou a estufa em busca de sinais de seus inimigos, mas não encontrou nenhum.

Por fim, o Kun Peng se voltou para Malfoy, conectando seu sentido espiritual ao dele.

"Você está ferido, criança?" uma voz fofa, claramente tentando parecer grave, perguntou a Malfoy. A Imortal, que tinha mais de mil anos, olhou para o jovem Kun Peng com uma expressão estranha.

"Não, mais do que isso não consegue me machucar. Ainda nem começamos a lutar," disse Malfoy, por alguma razão, sentindo-se incrivelmente confiante no Kun Peng.

"Você teve sorte de eu chegar a tempo," disse a voz adorável, tentando parecer séria. "De alguma forma, vocês atraíram a atenção dos dois males. Se eles conseguirem chegar até você, não será a morte que enfrentará, mas a corrupção."

"Você também está preso aqui nesta taverna maligna?" perguntou Malfoy.

"Não, não estou preso. Sou a protetora desta taverna. Os dois males que você viu, Sunny e Fenrir, também foram protetores uma vez. Mas uma maldade realmente insidiosa os infectou, levando-os a tentar destruir este lugar. Contudo, enquanto eu estiver aqui, eles nunca terão sucesso."

De repente, uma luz iluminou o céu, como se destacasse a tartaruga. Malfoy nem conseguiu identificar de onde vinha a luz. Parece que ela simplesmente apareceu.

"Você pode me contar o que aconteceu? Como eles se infectaram? Meu exército está hospedado na taverna e corre perigo."

"Não se preocupe, criança. Enquanto eu estiver aqui, nunca deixarei seus amigos serem feridos. É minha responsabilidade. Afinal, um dia, esses dois males eram... meus irmãos gêmeos!"

O Kun Peng falou a última frase de forma extremamente dramática, como se estivesse revelando um grande segredo.

"O lobo... e o pássaro... eram seus irmãos gêmeos?" perguntou Malfoy, bastante confuso.

"Sim, nós três fomos todos gêmeos um do outro," afirmou firmemente Little Blue.

"Então vocês seriam trigêmeos?"

"Exatamente. Somos trigêmeos," disse Little Blue, ignorando a pergunta de Malfoy enquanto tentava recordar suas falas para começar seu monólogo.

"Veja bem, nós três um dia fomos protetores deste lugar. Mas depois... aconteceu o impensável. Meus irmãos descobriram o Reddit, e nunca mais foram os mesmos..."

Com uma voz incrivelmente preciosa e solene, Little Blue começou a recitar as falas que Fenrir preparara. As partes que não se lembrava, ele preenchia por conta própria. Sua atuação era bastante convincente.

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