
Capítulo 1462
O Estalajadeiro
Parte dessa abordagem incluiu uma demonstração do sistema educacional da raça Artica. Assim como no restante do universo, o reino Artica tinha organizações, escolas, seitas e outros grupos, mas o que diferenciava era o modo como operavam.
Diferentemente do resto do universo, onde cada organização ou seita tinha seus próprios objetivos, como fortalecer-se, obter mais recursos ou apoiar a família ou pessoa fundadora, as coisas funcionavam de maneira diferente aqui.
No reino Artica, desde que a pessoa demonstrasse o nível mínimo de competência exigido, ela podia entrar em qualquer tipo de escola ou instituição de ensino e receber orientações detalhadas sobre o caminho da cultivação.
Na verdade, não se limitava apenas à cultivação. Seja treinamento profissional, ciências, tecnologia, fabricação de tesouros, jardinagem ou qualquer atividade útil e produtiva, todos podiam ser praticados abertamente, desde que a pessoa demonstrasse que tinha condições de aprender na área.
O sistema de educação era totalmente financiado pela raça Artica. Essa abordagem quase fazia parecer que aquela era a sociedade perfeita, e que a raça Artica atraía outros para se juntar a eles. Mas havia uma única falha nessa teoria — a raça Artica estava ativamente tentando impedir a entrada de forasteiros. Eles definitivamente não tinham interesse em fazer com que outros se tornassem membros permanentes do reino, então não havia necessidade de atrair ninguém para cá.
Na verdade, a explicação para esse sistema já tinha sido dada. Era mais uma medida de proteção para garantir o crescimento contínuo do reino diante de um inimigo devastador.
Agora, Lex já não se interessava mais pelo perigo real que a raça Artica ficava provocando. Se eles quisessem compartilhar, acabariam revelando qual era o perigo. Ou então, se Lex permanecesse bastante tempo nesse reino, com sua sorte, acabaria descobrindo por acaso. Até lá, ele apenas focava em seus próprios assuntos.
Ele queria ingressar em uma academia focada em ensinar imortais sobre leis — especificamente, sobre o Carma. A escola mais próxima ficava bem longe do campo azul, então ele chamou uma nave-táxi espacial e entrou nela.
Em poucas horas, Lex chegou à Seita Harmonia. No exterior, o principal foco da seita era a administração de assuntos internos. Tinha pouco a ver com combates, e toda a educação era voltada para áreas complementares. Como constava no catálogo da seita, ela ensinava sobre Carma em relação a contratos.
Quando chegou, ao invés de fazer o tour introdutório, que compartilhava conhecimentos básicos sobre a seita, ele foi direto fazer o exame de admissão, que determinaria se poderia cursar a disciplina de Carma.
Logo lhe entregaram um lápis, uma folha de papel, uma folha de prova, e um prazo de um dia para resolver o exame. Embora não tivesse se preparado antes, ele confiava na própria habilidade para resolver a prova.
Naturalmente, ele também enviou uma atualização para Velma e Gerard sobre suas ações, para que ambos estivessem informados caso ele não conseguisse cumprir o prazo para encontrá-los.
Quando Velma soube da notícia de Lex, ela estava bebendo um suco de fruta local, mas cuspiu tudo de susto!
"O que ele está fazendo?" ela exclamou, num misto estranho de horror e diversão. Ela revisou a mensagem de Lex mais uma vez para ter certeza.
Lex realmente convidou Misha para um encontro, e depois foi de forma aberta e pública estudar na Seita Harmonia, uma seita dedicada a manter e estabelecer a harmonia conjugal?!?!
Apesar do catálogo deles falar sobre isso de forma mais genérica, oferecendo uma explicação vaga sobre o conteúdo que cobriam, era de conhecimento geral que o foco era manter a comunidade saudável, garantindo relações conjugais justas — seja por meio de contratos pré-nupciais, hábitos de comunicação saudável, resolução adequada de conflitos e mais.
Velma não sabia se Lex era extremamente ousado ou se simplesmente não sabia o que estava fazendo. Acreditar na segunda opção parecia difícil de aceitar. Lex era uma pessoa bem informada, meticulosa e detalhista, cujos planos eram difíceis de decifrar. Talvez, para ela, aquilo fosse uma jogada de xadrez dele, algo que ela ainda não conseguia perceber no momento.
Seja como fosse, ela sabia que, cedo ou tarde — provavelmente logo — Misha descobriria tudo isso. Afinal, é questão de etiqueta básica pesquisar a presença online, o passado e outras informações de alguém antes de sair com ela. Ela só queria estar lá quando Misha descobrisse. Ia ser hilário.
Mas... independente de quão divertido fosse, ela se controlou. Seu objetivo era aprender mais sobre possíveis planos do banco em relação à pousada e ao reino Artica, para entender como o banco operava.
Por isso, ela se infiltrou em um evento de alto nível chamado "encontro social". De jeito nenhum aquilo era um evento para solteiros procurarem parceiros em potencial. Era uma missão séria.
Para provar isso, ao chegar ao encontro, ela viu vários Tigres do Pôr do Sol, todos pareciam estar ali para encontrar uma única pessoa. Mira, que era namorada de Bagheera e também uma Tigrina do Pôr do Sol, não estava entre o grupo.
Velma definitivamente não era do tipo que espreita as conversas alheias. Mas, se as pessoas fossem descuidadas na comunicação, e ela acabasse ouvindo tudo por acaso — suas conversas, planos, segredos — ela não poderia ser responsabilizada. Especialmente porque a pessoa que eles estavam conhecendo não era oficialmente do banco, mas sim membro de uma sub-raça de felinos de alta patente.
Parecia que rolava uma conversa sobre uma aliança por casamento, só que a noiva ainda não tinha sido escolhida. E, pelo que parece, Mira era uma das candidatas sugeridas.
Velma se perguntou se Mira também tinha consciência disso.
Ela sorriu maliciosamente, com uma faísca de travessura no olhar.