
Capítulo 886
O Estalajadeiro
Combater poderia ser uma coisa bárbara, ou algo belo. Poderia ser preciso e meticulosamente planejado, ou totalmente intuitivo. Lex tinha visto muitas pessoas cujos estilos de luta deixaram uma impressão duradoura nele.
Gisele, por exemplo, era uma combatente excepcionalmente letal, mas cada movimento seu transbordava graça e elegância. Até matar se tornava uma arte quando ela fazia. Era uma força imparável, mas uma força também muito fluida.
Alexander também tinha um estilo de luta distinto. Cada ataque, defesa, bloqueio ou esquiva carregava a aura de uma experiência extraordinária. Para realmente enfrentá-lo, era preciso ser muito superior a ele em habilidade — o que era improvável — ou superá-lo em força e velocidade por uma larga margem. Só assim poderia acontecer uma luta de fato.
Caso contrário, se alguém tivesse habilidades próximas às dele, a experiência infinita de Alexander faria com que ele encerrasse a luta em apenas alguns movimentos.
Marlo dava a impressão de lutar como um bárbaro, mas, na realidade, era um lutador extremamente inteligente. Cada um de seus movimentos era cuidadosamente pensado, mas também elaborado para enganar.
Todos imprimem suas próprias personalidades no estilo de luta, independentemente do tipo de combate que aprenderam. Por isso, até mesmo entre duas pessoas com um nível de maestria semelhante na mesma técnica, há diferenças.
O estilo de luta de Lex também refletia seu estado mental naquele momento. Era extremamente brutal e letal, mas não havia desperdício algum. Era brutal porque aproveitava sua força física absurda. Era letal porque atingia apenas os pontos fracos do inimigo. Era eficiente porque ele não precisava atacar o mesmo inimigo duas vezes!
Como uma criança empolgada, Lex pulava de um canto para outro da arena, a espada enorme não o dificultando em nada. Ele parecia um furacão pequenino e fofo, deixando apenas destruição em seu rastro.
Lex só estava aquecendo quando, ao destruir 10 armaduras ao mesmo tempo, novas pararam de aparecer, dando a ele um descanso desnecessário.
Lex bufou e observou a arena em busca de alguma mudança enquanto mentalmente revisava sua destreza com a espada. Sua nova… postura significava que seu estilo anterior não se adequava mais, e ele tinha se afastado ainda mais de manifestar a intenção da espada.
Antes que pudesse aprofundar sua técnica, Lex foi teleportado para outro lugar, levado a um que parecia um quarto privado. Havia uma cama de solteiro média, um armário, uma mesa e um banheiro. Havia até uma porta aberta que dava para um corredor.
Lex, ainda empunhando sua espada gigante, sentiu um pouco de insatisfação com a situação. Parecia que seu teste tinha acabado. Guardando a espada em sua pulseira espacial, Lex saiu para explorar o ambiente ao seu redor.
Havia um silêncio estranho na área, de modo que cada movimento dele fazia ruídos que ecoavam pelos corredores, alcançando todas as direções. O som dos passos, da respiração, o farfalhar das roupas fricando umas nas outras— tudo amplificado de maneira artificial. Isso mesmo considerando o fato de que ele usava o traje de furtividade, que naturalmente reduz todos os sons!
Com certeza havia algo incomum naquele lugar para causar esse efeito. Era como se ele quisesse deliberadamente aumentar sua presença, tornando impossível surpreender alguém.
Contudo, ao sair do quarto, Lex percebeu que o local estava completamente vazio. Caminhou pelo corredor e viu muitas outras salas, mas cada uma delas estava intacta e vazia.
Ao explorar, expandiu seu sentido espiritual ao máximo, mas não encontrou nada fora do normal. Parecia que ele estava atravessando um alojamento vazio. À medida que adentrava, viu outros tipos de cômodos que pareciam salas de aula, auditórios e afins.
"Onde diabos eu estou?"—não conseguiu deixar de murmurar.
"Você definitivamente não está no inferno, jovem!"—uma voz severa repreendeu Lex, enquanto uma projeção de uma criatura incomum aparecia na sua frente.
A criatura era magra, com aparência humanoide, vestindo uma túnica branca sem mangas com bordas amarelas. Tinha pele cinza-azulada, dedos incomumente longos e um rosto oval. Não tinha cabelo, mas o topo de sua cabeça era estranhamente modelado, como se seu crânio formasse um penteado próprio.
"Você está no Templo do Jejum! Este é um lugar divino onde é possível melhorar a si mesmo através de provas de fogo e sangue! Somente as figuras mais nobres e notáveis da história tiveram permissão para entrar aqui. Agradeça por estar entre elas."
Lex não respondeu de imediato, apenas estudou a figura por um tempo. Não se assustou com a aparição da projeção. Na verdade, ficou questionando por que ela não tinha aparecido antes.
"Só falei isso porque parecia um lugar tão abandonado. Não há mais ninguém aqui? Tinha um companheiro, mas não consigo encontrá-lo. Você sabe onde ele pode estar?"
O ser fez um movimento de desdém com a língua ao olhar para Lex com desdém, mas acabou respondendo mesmo assim.
"Claro que este lugar está vazio. Foi escondido por razões que você não deve conhecer. Mas, mesmo assim, um destino pesado foi colocado sobre seus ombros, pequenino. Como acompanhante de um descendente de Sua Majestade e alguém com uma avaliação suficiente, devo confiar uma tarefa de extrema importância a você.
Completar essa tarefa o aproximará de reencontrar seu companheiro."
"Então você sabe onde está o Z? Não me importo de ajudar, mas preciso entender a situação primeiro—começando por onde está o Z, quem é o seu ancestral, e por que você precisa da minha ajuda?"
O ser parecia prestes a responder com irritação, mas então fechou os olhos e respirou fundo.
"É por isso que eu odeio trabalhar com crianças,"—murmurou baixinho.