O Estalajadeiro

Capítulo 868

O Estalajadeiro

Já tinham se passado várias horas desde que aquele grupo de demônios entrou na taverna e se dispersou. Durante esse tempo, eles não fizeram nada suspeito. Apenas vaguearam pelos arredores da taverna, separadamente, como se estivessem explorando a natureza durante uma aventura.

Estranhamente, tudo acabou de repente quando um deles avistou Velma. O demônio ficou à distância, apenas observando, mas o restante do grupo aparentemente parou de explorar e se convergiu em direção a ele. Como ele estava seguindo Velma, de longe, claro, quando finalmente se encontrassem, toda a turma estaria perto dela.

Quanto ao que aconteceria depois, só os próprios demônios sabiam.

*****

Lex não planejava uma reunião elaborada nem uma jogada longa e arrastada por vingança. Por mais bravo que estivesse, sabia que sua prioridade era levar o batalhão de volta para a taverna. Foi exatamente por isso que decidiu arriscar um pouco mais com os mísseis mais potentes.

Claro, a situação aqui era delicada. Com o espaço se rasgando facilmente, a influência de um ataque de nível imortal não seria pouca coisa.

Havia até a possibilidade de toda a região ficar completamente instável. Lex tinha vários planos para lidar com a situação, caso algo assim acontecesse, mas todos envolviam riscos consideráveis.

A principal razão para ele estar disposto a jogar tão perigosamente e assumir riscos imensos era porque não sabia o que o inimigo planejava. Se eles tinham armadilhas preparadas, sua única esperança de vencer esse jogo seria virar a mesa de cabeça para baixo.

Por isso, não foi por impetuosidade ou raiva que ele lançou aquela bomba, sabendo muito bem que ela poderia causar uma grande rachadura no espaço, algo que até ele mesmo não conseguiria controlar. Na verdade, era um desejo de criar uma situação que 'ninguém' pudesse controlar.

As inúmeras naves que estavam atrás dele viram os hundreds de 'presentes' que ele deixou espalhados e partiram. Eles aprenderam com suas táticas anteriores e estavam familiarizados com as explosivos de temporização que ele usava. Tudo que precisavam fazer era voar ao redor dos muitos 'presentes' e da área de explosão antes de continuar a perseguir Lex.

Isso iria atrasá-los, mas, considerando a velocidade das naves, a diferença de tempo era mínima. Elas só tinham que… só tinham que…

As mentes dos pilotos travaram enquanto olhavam para a orquestra de explosões no espaço. Para eles, era apenas um show de luzes que deveriam ver pelas câmeras traseiras. Mas o problema era, por que conseguiam ouvir as explosões mesmo estando no espaço?

Além disso, a explosão não aconteceu com um estrondo típico, mas com um lamento profundo e triste, como o de uma criança chorando.

À medida que a nuvem brilhante de luz se expandia no espaço, crescendo como um balão cheio de ar, todos que estavam olhando lentamente pararam suas ações. Era como se estivessem gradualmente perdendo a vontade de fazer qualquer coisa. Mas quem estivesse observando perceberia que seus espíritos estavam sendo drenados, matando sua inteligência sem realmente matá-los.

Qualquer que seja a lei presa na bomba, era algo incrivelmente incomum, com um raio de ação muito maior do que Pel esperava. Além disso, ela durava bem mais do que deveria.

A última coisa que os inúmeros pilotos perceberam antes de seus espíritos serem completamente absorvidos foi o som assustador da explosão, que passou de um lamento para um suspiro de surpresa.

Estranhamente, Lex, que olhava para longe da explosão e corria na sua maior velocidade, não percebeu a nuvem anormal de luz que se formava atrás dele. Era como se apenas quem olhasse diretamente pudesse percebe-la.

O que ele notou foi uma ausência incomum de ondas espaciais, mesmo após o tempo para as explosões ter passado. Seja qual for, ele não ia parar agora para investigar, pois seus instintos estavam anormalmente silenciosos.

Ele não detectou nenhum perigo atrás dele, o que era estranho. Afinal, mesmo que a explosão não tivesse acontecido, havia inúmeras naves inimigas lá atrás. Mas seus instintos não deram nenhum aviso.

Porém, às vezes, dependendo das circunstâncias, nenhum aviso já era um aviso suficiente! Que tipo de perigo poderia superar totalmente o nível de detecção de seus instintos? Ele não queria esperar para descobrir.

Não demorou muito até sentir a gravidade do planeta começar a afetá-lo e perceber seu retorno à atmosfera. O retorno dos sons foi a parte mais agradável de sua jornada, já que ele teve que evitar ativamente prestar atenção ao som de seu próprio sangue correndo pelas veias — que era tudo que ouvia no espaço — acompanhado, é claro, de seu batimento cardíaco.

A técnica que usava para se locomover no espaço perdeu sua eficácia, mas isso não importava, pois Lex havia alinhado bem seu corpo. Ele estava caindo na direção do que agora podia ver como um exército gigante, cercando o batalhão e atacando a cada momento.

O fato de eles não estarem na forma de mechs indicava o quão ruim era a situação deles. Se Lex tivesse demorado ainda mais…

Já não fazia diferença. Ignorando as chamas que se formavam ao redor de seu corpo, Lex começou a concentrar sua energia espiritual nos braços. Com um grande exército ao redor do batalhão, claramente não seria bom tentar teleportar de volta, então primeiro ele iria eliminá-los todos.

A estranha ausência de ‘perigo’ atrás dele o pressionou a correr o máximo que pôde. Assim, sem esperar uma aterrissagem de super-herói, Lex reuniu sua afinidade espacial nas mãos como tinha feito antes e, mais uma vez, invocou uma lâmina de espaço.

Com uma forma muito mais aprimorada do que na primeira ocasião no espaço, Lex novamente lançou sua espada. Como a distância era grande demais, a espada não conseguiu atingir o exército. Lex também não manifestou intenção de espada, então não pôde usar essa técnica a longa distância. Em vez disso, utilizou a pequena lâmina espacial em sua mão para cortar o próprio espaço.

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