O Estalajadeiro

Capítulo 860

O Estalajadeiro

Com novas direções, Z conseguiu superar a sensação de perda que sentia por não poder usar sua nova técnica. Logicamente, era uma coisa boa não terem sido levados ao limite do desespero. Sem mencionar, eles ainda não estavam seguros. Quem sabe, talvez os demônios voltassem do vazio com um poder imenso e buscassem vingança.

Não é assim que personagens de segundo plano, mais tarde, se tornam personagens principais em algumas HQs que ele leu?

Com a motivação renovada, a máquina lançou-se contra os demônios em fuga e abriu caminho até o monumento já danificado. Especificamente, ele havia sido partir ao meio quando o chão sob ele se abriu, mas a estrutura de ambos os lados ainda permanecia, mais ou menos, de pé.

Desconfiado de como esse monumento deveria funcionar, decidiu não correr riscos e o destruiu esfaqueando-o repetidamente com sua lança. Não se preocupava se a lança fosse danificada nesse processo, pois as peças de metal de que era feita eram extremamente refinadas, partes muito específicas usadas na fabricação dessa lança.

A luz amarela que mantinha as peças unidas também as fortalecia e permitia que exibissem maior resistência.

Após isso, a máquina voltou-se para os demônios em fuga. Honestamente, Z normalmente nunca atacaria inimigos em fuga. Afinal, eles tinham perdido a vontade de lutar e não representavam mais ameaça.

Infelizmente, esses demônios não estavam ali para lutar numa guerra, mas tinham um objetivo específico: atacá-los. Além disso, bastava um único demônio para que eles voltassem a pegar em armas contra o batalhão. Portanto, ele não podia abrir mão de uma oportunidade assim de reduzir o número de inimigos futuros. Embora fosse evidente que suas ações estavam um pouco menos motivadas do que antes.

Uma hora depois, a batalha já tinha mais ou menos acabado, e a máquina voltou ao local do monumento, esperando que os Marzu terminassem sua caçada. Diferente dele, eles pareciam particularmente vingativos ao caçar os demônios, e não queriam deixar nenhum para trás. Mas isso lhe dava uma boa oportunidade de descansar e se recuperar.

Embora não tivesse desativado a forma mecânica, por precaução, caso as negociações com os Marzu não fossem bem-sucedidas, ou mesmo caso eles não estivessem lá para negociar, o batalhão já estava chegando ao limite da exaustão.

Ainda não estavam no limite máximo, especialmente porque estavam aproveitando essa oportunidade para recarregar suas energias espirituais; o esforço físico estava pesando. Não tinham dormido nem comido nada há algum tempo, e lutavam sem parar. Por mais disciplina e determinação que demonstrassem, isso não encheria seus estômagos. Mas, por enquanto, tudo o que podiam fazer era suportar.

Felizmente, devido ao desejo de batalha, os Marzu se demoraram na perseguição a vários demônios, dando ao batalhão tempo suficiente para se recuperar parcialmente.

Quando os magos imensos de penas retornaram, suas figuras imponentes formando uma imagem impressionante, cercaram a máquina, seus olhos brilhando com um tom ameaçador. A líder deles estava um passo à frente, posicionada bem diante da máquina, encarando-a com o olhar fixo.

Z não se intimidou com a atenção, nem demonstrou nervosismo. Em vez disso, avaliou a criatura de volta. Embora nunca tivessem recebido um Marzu na pousada, ele estudou bastante sobre eles. Afinal, eram bastante conhecidos. As realizações de sua raça não eram poucas, e a maioria tinha a ver com guerra ou magia! Ambos assuntos de grande interesse para Z.

Da máquina, a líder Marzu mudou seu olhar para os destroços do monumento, que antes estava meio construído, e um reconhecimento sutil apareceu em seus olhos.

"Sou Feyore, Bruxa do Rio Escondido. Sua coragem e força são louváveis, e suas formas de lutar de maneira unificada ainda mais. Diga-me, você reconhece esse monumento e seus malefícios, ou lutou contra os demônios por outro motivo?"

"Eles planejam puxar este planeta para o Vazio e levá-lo embora. O monumento permitirá que façam isso, por isso viemos destruí-lo," respondeu Z, calmamente. "Eles cortaram este planeta da aliança, mas, de alguma forma, não deixaram a aliança perceber isso."

"Chamamos nossas próprias forças de apoio, mas o inimigo também está ciente disso, por isso tentamos interromper seus planos, para que não acelerem o processo."

"Se vocês chamaram reforços, por que não fizeram com que eles informassem à aliança também? Assim que a aliança perceber algo errado, sua resposta será rápida e forte."

A máquina balançou a cabeça, como se discordasse.

"Você tem muita fé nos outros. Se a aliança fosse tão unida ou tão poderosa, algo assim nunca teria acontecido. Infiltração, sabotagem, causar conflitos internos, isso é o básico de uma guerra. Como a aliança está em guerra com os Fuegan, já devia estar cheia de infiltrados assim. Não podemos confiar neles."

As opiniões divergentes vinham de níveis diferentes de perspectiva. Os Marzu, não importando sua força, eram uma raça subordinada aos Henali. Para eles, o poder e influência dos Henali eram incomparáveis, e eles mal conseguiam imaginar uma falha no sistema deles. Já para o Inn da Meia-Noite, os Henali eram iguais.

No máximo, tinham alguma vantagem por o Inn estar dentro do território deles, mas aquilo era temporário ao princípio.

A líder Marzu não se deixou convencer pelas palavras de Z. A razão para ela ficar em silêncio foi que debater era inútil, e convencer o outro da supremacia dos Henali não fazia parte do objetivo dela.

"Você tem certeza de que seus reforços serão suficientes?" perguntou Feyore. Embora tivesse dúvidas, atualmente estavam presos, sem outra forma de se comunicar com o exterior. Ela dependia dos outros para isso.

"Serão sim. Seja para enfrentar os inimigos ou para nos tirar deste planeta, nenhuma das duas tarefas será um problema." Afinal, o Mestre do Inn os enviou — quem quer que fossem.

"Seria possível facilitar nossa saída também? Prometemos nossa equipe e nossas varinhas de combate até que a missão seja concluída, protegendo todos."

Z hesitou e perguntou a Luthor os termos específicos que queria. Sempre é bom esclarecer. Ficou feliz por ter perguntado, pois Luthor tinha uma postura muito firme sobre o assunto, embora Z não soubesse se ele estava surpreso ou extremamente surpreso ao ouvir isso.

"Quer você se comprometa a lutar ou não, ajudaremos vocês a sair, de qualquer forma. Essa é a filosofia do Inn da Meia-Noite. Quando alguém no universo busca refúgio e descanso, seja por quanto tempo for, será bem-vindo ao Inn. Mas, se quiserem lutar, ao invés de proteção, pedimos que localizem e destruam outros monumentos, similares ao que havia aqui."

"Quer dizer que há mais desses?" perguntou Feyore, com os olhos semicerrados. Ainda que não tivesse mencionado, ela e seu povo sabiam mais sobre o monumento do que o batalhão. Isso porque conseguiam detectar as assinaturas mágicas que ele emitia. Ao lerem a energia residual, conseguiam entender seu propósito.

Simplesmente puxar o planeta para o Vazio não parecia englobar tudo o que o monumento tinha sido projetado para fazer; era apenas uma das suas várias funções.

"Não posso afirmar com certeza, mas suspeito que sim. Afinal, se o inimigo tem acesso a todo o planeta, por que construir um monumento tão perto de dois grupos de sobreviventes?"

Feyore virou-se para olhar seus subordinados e parecia se comunicar telepaticamente com eles. Era difícil compreender exatamente o que estavam dizendo, mas todos pareciam revoltados.

"Vamos se juntar a vocês na busca pelos monumentos," finalmente respondeu Feyore, após consultar seu grupo. Concordava em caçar os monumentos, mas, ao mesmo tempo, não queria se separar do batalhão. Afinal, embora afirmassem que ajudariam, não havia garantias. Era melhor manter o grupo unido nessas circunstâncias.

"Nesse caso, sairemos após um breve descanso. Se vocês puderem procurar os outros monumentos enquanto isso, seria ótimo. Se não, arrumaremos um jeito."

Com o acordo selado, a máquina se desmanchou, formando novamente os mil soldados.

Eles ficaram de pé, lado a lado, em formação de batalha, embora o cansaço fosse evidente em seus olhos.

Aguardaram para ver se os Marzu tinham alguma reação ao vê-los daquele jeito, mas eles já tinham percebido pelo efeito da máquina. Embora não fossem familiarizados com humanos, não tinham preconceitos.

Depois de tudo, comparando-os aos Marzu, todas as outras raças eram igualmente inferiores. Não fazia sentido discriminar entre eles.

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