O Estalajadeiro

Capítulo 831

O Estalajadeiro

Um Elfo, um Minotauro e dois humanos seguiram uma criança que comia um lanche até uma sala. Não fazia muito tempo, mas alguém já tinha notado os cadáveres deitados entre os soldados dormindo, alarmando todos na área.

Os soldados que conheciam ou até mesmo tinham sido amigos daqueles que se transformaram em demônios estavam os mais preocupados. Embora cada um deles fosse um guerreiro experiente na luta, o desconhecido sempre era assustador. Mesmo reunidos no canto da sala, sussurrando seus medos, as pernas deles tremiam visivelmente.

"É o Planeta Maldito. Matou Norman enquanto ele dormia e o transformou numa aberração…" sussurrou um.

"Não, deve ser a Raiz da Profanação! Está sendo cultivada neste planeta. Como o reverso da Árvore do Mundo, ela possui poderes profanos sobre aqueles sob seu domínio!"

"Não, não, é o Filho de Gravitz! Eu o vi em sonho, comendo e comendo e comendo, como se estivesse devorando minha própria alma!"

"Não é…"

Luthor deixou de prestar atenção às palavras dos soldados assustados e se agachou para examinar melhor um dos cadáveres. Ainda estava na cama improvisada no chão, parecendo ter morrido sem resistência. Porém, sua aparência começou a se desvanecer, e tiras de pele estavam descascando, revelando o músculo azul por baixo.

"É um Nephildrone," disse Luthor, estudando o cadáver antes de se deslocar para outro. "Esses demônios não se formam tão facilmente como outros tipos, como os zumbis. A infecção precisa começar pelo tronco do cérebro, por isso quase nunca acontece por acidente. Alguém teve um objetivo específico ao alvejá-los."

"Para quê?" perguntou o Minotauro ao pisar com seu casco em um dos corpos, destruindo-o. "Se o inimigo consegue destruir nossas naves, também consegue nos destruir. Não há necessidade de infiltração."

"Isso não é verdade," disse Alfonso enquanto mordia outro lanche que parecia uma barra de granola. "Para penetrar a defesa do nosso traje, seria preciso usar uma força tão grande que abriria uma enorme fenda no espaço do planeta. O Batalhão da Meia-noite é uma pedra no sapato deles, se quiserem fazer algo secretamente aqui."

O Minotauro lançou um olhar furioso para a criança e estava prestes a amaldiçoá-la, mas o elfo falou primeiro.

"Somente ataques que envolvem espiritualidade ameaçam rasgar o espaço nesta região. Se usarem ataques não espirituais e apenas bombardear o planeta com meteoros do espaço, conseguirão nos eliminar sem afetar o espaço. Ou podem usar outros meios drásticos, mas não usaram. Isso leva a duas conclusões diferentes.

Ou o alvo do inimigo é o próprio planeta, que deve guardar um segredo imenso. Ou, o alvo do inimigo somos nós. Ou talvez, todos nós."

"Calmem suas tropas," disse Luthor ao se levantar. "Fortaleçam as defesas e se prepares para um ataque. Se os demônios fossem ativados agora, isso indica que o próximo movimento do inimigo está próximo."

Sem esperar por respostas, Luthor saiu da sala e seguiu em direção ao interior da fortaleza improvisada. Eles tinham aproximadamente 3.800 soldados dentro do forte, na maioria parte de um grande grupo ou outro, embora houvesse alguns dispersos.

Contavam com comida e água suficientes para suportar essa população por semanas, mesmo que ignorassem a habilidade de Alfonso de gerar comida ilimitada. O maior desafio agora era manter o moral, pelo menos entre aqueles que não faziam parte da Taverna.

Ninguém podia afirmar com certeza por quê, mas os membros do Batalhão da Meia-noite pareciam ficar cada vez mais fortes quanto maior a pressão. Nenhum deles havia desistido, por mais ameaçador que fosse o perigo, e nenhum deles hesitava.

Se não estivessem segurando seus níveis de cultivo por causa do tipo de planeta para onde eram enviados, mais da metade já estaria na etapa do Núcleo de Ouro.

No interior das seções mais internas, Luthor entrou numa sala específica onde encontrou um grupo de membros do batalhão descansando. Embora não estivessem dormindo, meditavam no local, tentando recuperar sua energia espiritual gasta.

"Jace, quero que adicione várias camadas de fortificações internas. Se puder, também quero que fortaleça todas as paredes ao máximo."

"Você sabe que já estou preparando essa fortaleza como se fosse estar sob cercos," respondeu Jace, abrindo os olhos, cansaço evidente na voz. Como cultivador do reino Fundação, construir uma fortaleza tão grande sozinho não é tarefa fácil, apesar de controlar a terra.

Luthor apenas assentiu, enquanto voltava sua atenção para um canto. Lá estava outro membro da Taverna, meditando como os demais, mas com uma diferença clara: ninguém, nem mesmo Luthor, podia ver esse membro do batalhão!

A única razão de Luthor saber que ele estava sentado nesse canto específico era por uma pequena marca no chão com seu nome escrito.

"Mil, tenho uma missão para você. Siga-me."

Regis, a quem Luthor se referia como Mil, abriu os olhos e olhou para o homem que, de alguma forma, parecia olhar direto em seus olhos sem sequer saber onde eles estavam. Com o dedo, ele apontou um pequeno ponto no chão, indicando sua confirmação do pedido.

Como os demais, ele havia desbloqueado uma nova habilidade. Dizer que podia desaparecer ou ficar invisível não era suficiente para descrever sua capacidade. A habilidade de Regis era desaparecer completamente. Ele não só se tornava invisível, como também tornava toda sua roupa e equipamentos invisíveis, além de não produzir som ou vibração alguma.

Até a memória de sua existência desaparecia da mente de todos, inclusive seu nome. Por isso, Luthor o chamou de Mil, referindo-se a ele como o membro número mil do batalhão.

Regis também não tinha controle sobre sua habilidade, ela permanecia ativa o tempo todo. A única forma de se comunicar era através de contato físico. Felizmente, isso lhe permitia escrever em um pedaço de papel e explicar sua situação a Luthor, caso contrário, ele seria completamente esquecido por todos.

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