O Estalajadeiro

Capítulo 778

O Estalajadeiro

"Você vai ficar fedido de sangue," disse Lex com uma carranca, embora Fenrir não se importasse com isso. Na verdade, ele estava chateado porque Lex estava levando embora sua piscina!

"Au au au!"

"Tá bom, vou deixar o sangue em paz. Mas dá uma olhada na piscina se tiver uma escama lá dentro, preciso dela."

O filhote mergulhou imediatamente fundo na piscina, ansioso para encontrar a escama antes que Lex continue a drenar o sangue.

Um brilho passou pelos olhos de Lex. Apesar de Fenrir às vezes ser bobo, ele era, na verdade, bastante inteligente. Se ele era tão apegado ao sangue, devia estar se beneficiando dele de alguma forma. Lex, naturalmente, não desejaria uma oportunidade conquistada por Fenrir, mas não pôde deixar de pensar se o sangue seria útil para as outras criaturas na Estalagem.

Ele não achava que a Tartaruga Soberana Galáctica precisasse de ajuda, mas o Pequeno Azul fazia parte da Estalagem há bastante tempo. Embora Lex não tivesse uma ligação muito próxima com ela, isso não significava que não se importasse.

Um momento depois, Fenrir saiu da piscina com uma expressão de remorso no rosto.

"Au au!" disse o filhote.

Havia uma escama no fundo, mas ela era pesada demais para o filhote mover. O filhote tinha medo de que Lex drene a piscina para pegar a escama, então mencionou que o sangue era bem quente e não parecia tão ruim assim.

Lex suspirou e então pulou na piscina. A temperatura que Fenrir mencionou era, na verdade, escaldante, a ponto de até o corpo recém-atualizado de Lex ficar vermelho com sinais sutis de queimadura leve.

A piscina era muito mais profunda do que Lex imaginava, e ele afundou cerca de 91 metros (300 pés) até chegar ao fundo.

Naturalmente, ele não podia usar os olhos para olhar ao redor, nem seu sentido espiritual funcionava, então só pôde sentir ao redor para procurar a escama. Encontrá-la foi mais fácil do que esperava, pois cobria quase todo o fundo do poço.

Ele não testou o peso, apesar de estar curioso para saber quanto ela pesava, e simplesmente a colocou dentro do seu tambor. Nada de inesperado aconteceu, então Lex nadou de volta até a superfície e saiu da piscina em segurança.

Ele chegou a pensar que seu corpo iria absorver o sangue ou algo assim, já que Fenrir estava tão animado com isso, mas não teve efeito algum nele.

"Você tem certeza que quer ficar aqui?" perguntou Lex com hesitação ao não entender qual seria o benefício do sangue, mas Fenrir foi veemente. Ele apenas assentiu e deixou o filhote à vontade.

Ele rapidamente percorreu os corredores restantes. Encontrou uma estufa cheia de várias plantas em vasos. Lex não conseguiu encaixá-las em seu equipamento espacial, então teria que pensar se valia a pena perder tempo teleportando de volta à Estalagem toda hora. Afinal, voltar à Estalagem não era instantâneo e levava um tempo.

Por fim… decidiu que valeria a pena. Qualquer coisa nesse nível seria incrivelmente valiosa. Pegou o maior número de vasos que conseguiu e teleportou para a Estalagem, de repente depositando-os na estufa perto da tartaruga. Antes que ela percebesse o que estava acontecendo, Lex já tinha desaparecido.

Mas, ao analisar o primeiro vaso, a tartaruga viu uma dúzia de outros aparecerem. Um lampejo de entusiasmo surgiu em seus olhos enquanto começava a salivar, olhando de uma planta para outra. De tempos em tempos, mais vasos apareciam, estimulando o coração da tartaruga.

Cada planta que ele via deveria estar extinta! Essa era a informação que ele tinha sobre elas, herdada de sua linhagem, e ver até mesmo uma única amostra já era inacreditável, quanto mais várias plantas extintas diferentes!

Ele poderia… trazer essas plantas de volta à extinção, se as circunstâncias fossem certas. De repente, a ambição tomou conta do coração do jovem quelônio, e o chifre na testa dele começou a brilhar sem que ele percebesse.

Tudo isso era invisível para Lex, que levou exatos 10 minutos para transportar todas as plantas até a Estalagem. Sem perder tempo, correu para o próximo corredor, depois para o seguinte, e assim por diante.

Apesar das energias poderosas que cada uma delas emanava, Lex não parou para estudá-las. esperava que alguma delas pudesse ser um sistema, mas, infelizmente, ficou decepcionado.

Assim, ele seguiu até o último corredor. Mas, ao entrar, parou, pois a sala estava vazia. Franziu a testa. Tinha certeza de que Fenrir não tinha estado ali, então onde poderiam ter ido os objetos daquela sala?

Usou seu sentido espiritual e tentou ouvir seus instintos, mas não conseguiu descobrir nada, apesar do pedestal óbvio preparado para um item único. Seja lá o que fosse, tinha desaparecido. Lex deu meia-volta e saiu. Apesar de sua curiosidade, não podia perder tempo tentando descobri-la.

O que não percebeu foi que, assim que saiu, um anel de madeira reapareceu no pedestal, como se sempre tivesse estado lá.

Depois de explorar todos os cômodos e corredores, havia apenas um item que Lex considerava inestimavelmente valioso: a imensa lustriada pendurada lá em cima. Não era feita de vidro ou cristal, e não tinha trabalhos elaborados em pedra ou metal. Parecia ser feita inteiramente de rocha derretida, unida por meios misteriosos.

Além disso, ela era a fonte principal da energia espiritual aquecida dentro da sala.

Lex não precisava entender exatamente essa energia espiritual para saber que ela seria valiosa, então se abaixou e pulou, fazendo seu corpo voar para cima como se realmente pudesse voar.

Ele segurou a luminária e a puxou do teto. Foi nesse momento que tudo começou a dar terrivelmente errado.

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