O Estalajadeiro

Capítulo 736

O Estalajadeiro

À medida que Lex se arrastava em direção ao curandeiro, conseguia ouvir a conversa que os soldados estavam tendo com ele.

"...não sou um bárbaro, sou um médico. Se for para exagerar, no máximo posso ser um xamã. Absolutamente não posso entrar na batalha. Se algum soldado precisar de atendimento médico, pode trazê-los aqui."

"A situação não permite isso..."

"Que se dane a situação! Eu não vou ser útil morto, e é exatamente isso que me acontecerá se eu entrar na linha de fogo. Se não conseguem segurar a postura, basta admitir, e ao invés de me procurar, comece as evacuações! Agora, com licença, tenho pacientes para cuidar!"

Lex franziu a testa. O aviso dos seus instintos fica cada vez mais sério, e parecia que o império não conseguia manejar a situação. Estranho, porém. Segundo a compreensão de Lex sobre o império, eles deveriam estar plenamente capacitados para responder até a uma emergência como essa.

Sua mente vagou até os terroristas, que tinham orquestrado a situação nos bastidores, tanto de forma secreta quanto abertamente. Talvez houvesse algo mais em jogo.

Assim que Lex chegou a essa conclusão, decidiu encerrar por ali mesmo. Embora quisesse ajudar o máximo que pudesse, especialmente porque Alexander tinha pedido sua ajuda inicialmente, é preciso também saber a hora de recuar.

Porém… apesar do perigo crescente, Lex tinha certeza de que ainda tinha tempo suficiente para testar esse médico primeiro.

"Doutor, por favor, preciso da sua ajuda," disse Lex, atraindo a atenção do jovem magro. "Os ossos do meu lado direito estão esmagados, a dor é insuportável," contou, embora, honestamente, tivesse que admitir, a droga anestésica dada a ele mais parecia uma forma de desistir da vida ali mesmo, para acabar com a dor. Claro que, com sua força de vontade tão forte, ele não pensava em fazer isso.

O médico, ignorando o soldado que tentava se impor, avançou em direção a Lex e, sem hesitar, colocou os dedos no pescoço dele. Uma energia incomum, mas acolhedora, começou a fluir em seu corpo, e por alguma razão estranha, Lex sentiu que não conseguiria bloqueá-la, nem mesmo tentando.

O médico não demonstrou nenhuma expressão, mas claramente estava alarmado com o estado de Lex, começando a gritar abruptamente com seus ajudantes – as pequenas crianças no parque.

Uma verdadeira tempestade de atividades cercou Lex, e em poucos momentos, ele se viu sem camisa, deitado sobre um tapete de folhas, recém-disposto especialmente para ele.

"Injete 30 ml de veneno de verme Gurling no braço direito, aplique seiva de raiz Durbid no peito, e traga uma cesta nova de bagas Bailing," ordenou o médico, enquanto começava a aplicar sua energia estranha em diversos pontos do corpo de Lex.

'Isso seria acupuntura?' pensou ele, enquanto a energia penetrava seu corpo com facilidade, ativando reações estranhas. Ainda que Lex não estivesse cultivando, seu corpo começou a absorver a energia espiritual do ambiente, que parecia desaparecer para algum local desconhecido dentro dele.

As crianças mostraram-se boas enfermeiras, seguindo rapidamente as ordens do médico, embora tenha ocorrido um pequeno imprevisto. Quando a criança tentou injetar o 'veneno' no braço de Lex, a agulha quebrou, mas a pele de Lex permaneceu lisa e perfeita. Lex e a criança trocaram olhares sem dizer nada, enquanto ela rapidamente trocava a agulha com vergonha.

Ele tentou novamente, só que desta vez a agulha apenas se dobrou, sem quebrar.

"Eh, doutor, senhor, temos um problema," disse a criança, coçando a cabeça.

O médico notou o problema com a agulha, tomou o controle da situação, e, ao invés de trocar a agulha, apenas a impregnava com sua energia. Dessa vez, mesmo Lex sem entender exatamente o que acontecia, percebeu a energia entrando facilmente no braço dele, mas a agulha ainda não conseguia perfurar sua pele.

Entraram em contato visual novamente, e Lex viu uma surpresa genuína no rosto do médico.

"Como diabo você se machucou?" perguntou o médico, mas logo decidiu que não importava. "Pegue isso e injete no seu braço direito. Faça você mesmo. Eu sou apenas um médico, não um fisiculturista. Não me obrigue a fazer essas coisas."

Lex sorriu de forma constrangedora, e com a unha, fez um pequeno corte no braço direito antes de rapidamente enfiar a agulha e injetar o veneno.

O médico continuou usando ervas locais raras e estranhas para tratar Lex, e a taxa de absorção de energia espiritual por seu corpo aumentava cada vez mais. Por mais estranho e inacreditável que fosse, Lex sentia que os esforços do médico contribuíam quase tanto quanto a Flor de Lótus na cura do seu corpo.

Depois de um tempo, o médico pediu que Lex permanecesse deitado por mais um pouco, enquanto atendia outros pacientes, pois sua recuperação levaria algum tempo.

Lex concordou, não porque esperasse curar-se completamente, mas porque queria ver o que o médico faria para tratar o veneno. Mesmo que não conseguisse nenhum resultado, Lex já tinha decidido contratar o Doutor Charles Best para trabalhar na Pousada.

Há muito tempo buscava um médico, pois não queria limitar seus tratamentos apenas às cápsulas. Embora não soubesse até que ponto as habilidades do Doutor Best eram avançadas, só o fato de ele poder acelerar a recuperação de Lex já era motivo suficiente para contratá-lo.

Dr. Best se aproximou de um novo soldado que tinha sido trazido, e, embora estivesse gravemente ferido, o que realmente o matava era o veneno.

O bom médico retirou a camisa do soldado e… Lex não sabia como reagir. O médico colocou sanguessugas no peito do soldado e colocou um pequeno pedaço de chocolate quebrado na boca dele.

A boa impressão que Lex tinha criado do médico despencou, e ele começou a se perguntar se estava diante do lendário charlatão, que escrevia qualquer receita que o paciente quisesse, fazendo coisas de forma aparentemente aleatória.

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