O Estalajadeiro

Capítulo 592

O Estalajadeiro

Lex, que era um cultivador poderoso e estava firme em sua cadeira, escandalizou-se ao ouvir aquilo. Alguém acabou puxando um sistema do poço? Como isso era possível? Por que ele ainda não tinha tentado utilizá-lo? Por que havia tornado o poço de pesca público? Ele deveria tê-lo escondido e guardado só para si.

Incapaz de conter a surpresa, Lex vasculhou a Pousada, mas descobriu uma fila interminável esperando sua vez no poço de pesca. Droga!

Lex tinha sido incrivelmente bem-sucedido em transformar aquela função negligenciada em um dos serviços mais buscados na Pousada. A maioria das pessoas que usava o poço encontrava itens extremamente comuns, como pedras ou conchas do mar. Se tivessem um pouco de sorte, conseguiam achar um pepita de ouro ou uma gema não lapidada. Muito poucos, de fato, conseguiam algo realmente valioso.

Porém, com o poço em uso constante, havia alguém que pescava uma recompensa altamente valiosa todos os dias.

Por um momento, Lex considerou usar sua autoridade para burlar o sistema e garantir seu turno, mas decidiu não fazer isso. As chances de fisgar outro sistema eram ridiculamente baixas, então não havia pressa.

Em vez disso, pediu a Mary que o colocasse na fila como Lex. Nem todos os que aguardavam estavam presentes pessoalmente; muitos haviam pedido para seus hologramas reservarem seus lugares na fila. Assim, eles seriam avisados quando sua vez estivesse próxima, evitando que perdessem tempo.

Com isso resolvido, voltou sua atenção para a cobra. Diferente de outros concorrentes que tinham escondido suas identidades, Garlin não só não se escondeu como também divulgou sua vitória. Ou Garlin tinha muita confiança em sua força, ou tinha alguma garantia de proteção, ou ainda recebeu um sistema que focava em atrair bastante atenção.

Lex achava que era provavelmente a última hipótese, mas evitou julgar precipitadamente. Mandou Mary ficar de olho em Garlin e lhe passar um relatório. Ele não podia ignorar os usuários de sistema. Quem sabe, talvez pudesse fazer um acordo com a cobra do mesmo jeito que fez com Alysha, a portadora do sistema de cultivo do deserto.

Já se aproximava de uma hora, e os efeitos do café começavam a desaparecer. Decidiu então descansar mais um pouco. Quando acordasse, seria hora de partir para o Reino de Cristal.

Antes de dormir, contudo, comprou mais 5 mil acres de terra para a Pousada da Meia-Noite por 50 milhões de MP. Não havia planos de desenvolvimento para essa área; na verdade, ele apenas pretendia transferir quaisquer futuros refugiados para lá. Eles já estavam apertados, e se mais chegassem, a situação só agravaria.

Alguma solução melhor precisava existir, mas ele deixaria o planejamento para a divisão responsável ou pensaria nisso quando acordasse. Por ora, precisava descansar.


Há bastante tempo, todo hóspede que entrava na Pousada da Meia-Noite aparecia pelos portões do local. Não só por estar longe de qualquer atração principal da Pousada, mas porque ali havia diversas formações defensivas e de proteção. Essas defesas serviam caso alguém decidisse invadir a Pousada.

Lex poderia expulsar qualquer invasor, mas achava mais útil selar todos eles em um lugar e deixar que seus hóspedes assistissem enquanto eram derrotados. Era uma fonte de entretenimento e também de renda.

Mas além das formações de proteção, o local também tinha um sistema completo de transporte. Uma grande e bela estação de trânsito foi construída, com terminais não só para o trem da Meia-Noite e carrinhos de golfe, mas também para outros sistemas de transporte aéreo e aquático.

É importante destacar que os animais que cresciam e viviam dentro da Pousada, passando por diferentes fases de evolução conforme aumentavam suas estrelas, também poderiam ser usados como montarias para quem quisesse cavalgar. Pavões eram os animais mais comuns usados como transporte entre as crianças, mas havia pouca variedade de criaturas para adultos.

Algo que foi trazido à atenção do zelador, ou pelo menos, uma das muitas questões aguardando sua análise.

Infelizmente, nesta ocasião, Lex não conseguiu resolver um problema a tempo. Ou melhor, nem mesmo era um problema propriamente dito, mas uma simples negligência. Mas, o que isso importava?

"O QUE QUER DIZER QUE NÃO TEM UM PAVÃO MAIOR PARA MIM?" gritou uma mulher para a equipe da estação de trânsito. Ela era uma mulher madura, embora não parecesse carregada pelos efeitos da idade. Seus cabelos loiros com finas marcas marrons estavam em um corte bob, que enquadrava seu rosto carrancudo e acentuava sua arrogância.

Seu pele clara estava impecável, sem um fio de sujeira, nem mesmo suor, criando um grande contraste com seu séquito. Eles vestiam roupas marcadas por sujeira, lama e também sangue. Seus cabelos estavam desarrumados, e seus olhos quase não tinham mais brilho. Seus corpos haviam sofrido torturas incontáveis, mas suas almas estavam destruídas.

Um pouco mais adiante, uma menina de cerca de 4 anos, vestida com um vestido de princesa, estava sentada em um pavão, tentando puxar seus penachos.

"Senhora, embora os pavões tenham fortalecido, eles não suportam o peso de um adulto. Nós…"

"O QUE QUER DIZER QUE NÃO SUPORTAM MEU PESO? VOCÊ ESTÁ ME CHAMANDO DE GORDA?" ela gritou de novo, cuspindo ao falar.

"Sabe quem eu sou? Sabe quem é meu marido? Não vou tolerar essa ofensa! Chame o seu gerente, quero falar com ele!"

Uma pequena multidão começou a se reunir ao ouvir a mulher gritar, e a equipe de segurança foi acionada caso a situação escalasse.

Por fim, por insistência da mulher, um gerente foi chamado.

"Meu nome é Karen…" a mulher disse com sua voz mais delicada, olhando para o gerente bastante atraente que tinha saído. Mas, enquanto o gerente ficava confuso e ouvia a reclamação, seus seguidores tremiam ao ouvir sua voz suave.

Chegou ao Pousada a destruidora.

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