O Estalajadeiro

Capítulo 580

O Estalajadeiro

A explosão repentina não causou tanto alvoroço quanto se imaginaria. Os frequentadores habituais da Corporação já estavam acostumados com a chuva interminável de relâmpagos que acompanhava as tribulações constantes. Embora Lex já tivesse se certificando de que o som não escaparia das salas de tribulação, muitos ainda lembravam da impressão inicial quando tudo começou.

Mais importante, porém, era que, acima do barulho reverberando na área ao redor, aquilo era tudo o que tinha acontecido. O chão não tremeu. Uma nuvem de fumaça cobriu o solo. Nenhum grito foi ouvido. Nenhum hóspede ficou ferido.

Quem eram os poucos espectadores que tinham sido o alvo original do ataque se encolheram e recuaram. Outros, que estavam mais afastados, apenas observaram com espanto e entusiasmo. Mais um idiota estava atacando a Corporação! Será que haveria mais almas ardendo na lareira?

A notícia da luta se espalhou mais rápido que o vento, e todos que assistiam ao evento de pesca acabaram mudando suas telas de projeção para o frontispício da Corporação. Quase reagiram mais rápido que a equipe de segurança, que teleportou rapidamente diversos membros para a área. Qawain apareceu por perto, pronto para lutar, se necessário.

Até Anita teleportou-se ali, surgindo um berçário enorme enquanto ela era conduzida por seus seguidores mortos-vivos.

O olhar de todos estava fixo em um homem solitário, que sustentava uma criatura gigante com uma única mão estendida. Muitos imediatamente o reconheceram. Era Leo — o mais misterioso dos trabalhadores da Corporação!

Sobre ele, havia uma máquina quase 12 metros de altura, de quatro patas, embora não se parecesse muito com qualquer animal. Se Lex tivesse que descrevê-la, a coisa mais próxima seria um veículo de combate similar chamado AT-AT de um filme chamado Guerra nas Estrelas.

Ao perceber que não havia danos, o robô virou-se para olhar para baixo e viu um humano segurando um dos seus membros, completamente ileso. Um erro de cálculo momentâneo ocorreu, pois, segundo seus sensores, o reino de cultivo do humano não deveria ter sido suficiente para impedir seu ataque. E ele tinha conseguido.

Porém, a demora foi apenas momentânea, pois logo concluiu que a única resposta lógica era que o humano estava protegendo seu reino de cultivo.

Ele tentou puxar seu membro de volta, mas descobriu que não conseguia mover. Um aviso foi ativado em seu sistema ao tentar entender a situação.

"O que você acha que está fazendo?" perguntou Leo, com os dentes cerrados, sua raiva claramente visível na voz.

Uma onda de "ohs" e "ahs" foi ouvida entre os convidados ao redor, que desfrutavam da atmosfera tensa criada entre homem e máquina. Nada os distraía.

A máquina, incapaz de entender o que havia preso seu braço, decidiu responder:

"O Império de Sistemas Cibernéticos Sentientes (SCS Empire) declarou o planeta conhecido como Terra como zona de guerra, e seus cidadãos como criminosos de guerra condenados à morte ou ao aprisionamento. Onde quer que tentem escapar, são considerados criminosos. Essa lei é reconhecida em todo o reino da Origem."

"A nave-mãe percebeu os criminosos escapando por teletransporte e tentou impedir, mas não conseguiu. Fui enviada para investigar o método de teletransporte deles e recuperar qualquer criminoso identificado. Pare de interferir na captura e/ou eliminação desses criminosos, ou será considerado cúmplice."

Grande parte dos espectadores apreciou a crescente tensão, mas alguns franziam a testa ou até ficavam pálidos, ao reconhecerem a entidade representada por aquele robô. Havia uma razão para eles confiarem tanto na denúncia. Mas Lex não se importava. Neste momento, ele também tinha motivos para estar confiante.

"Você sabe onde está?" perguntou, com tom completamente impassível. A visão do homem desafiador conquistava o coração de muitos, mesmo com suas roupas ainda sem uma única marca de dobras após bloquear aquele golpe massivo.

Quem assistia às telas só podia julgar pelo tamanho do robô, mas quem estava mais perto podia sentir sua aura agressiva e intimidadora. No entanto, quanto mais ameaçador ele parecia, mais impressionante Leo parecia.

Até a equipe de segurança optou por assistir de longe, a menos que a situação exigisse uma intervenção mais direta.

Enquanto a máquina falava, ela começou a intensificar a força ao puxar seu braço de volta, mas ainda assim permanecia presa. Um sistema de aviso foi ativado, tentando determinar a situação.

"As coordenadas espaciais deste local estão obscurecidas. Contudo, isso não importa. A jurisdição do Império SCS se estende a todos os domínios."

"Haha," Lex quase riu, mas teve que se controlar. Externamente, parecia que ele tinha tudo sob controle, mas só ele sabia o quão terrível era sua condição real. Estava quase certo de que sua coluna havia sido esmagada. Mas que importava? Humanos normais precisam de ossos para sustentar o corpo, mas ele poderia usar seu próprio corpo para suportar seus ossos em vez disso!

Nem sequer considerava usar seu sentido espiritual para se sustentar. Mas não fazia isso, pois isso revelaria a extensão de sua ferida.

Porém, pouco importava. Sim, ele foi pego de surpresa pela força avassaladora do ataque. Sim, ele foi gravemente ferido. Sim, foi culpa dele tentar parecer forte ao invés de eliminar o robô diretamente. Mas nada disso importava, porque de tudo que estava aprendendo, não só sobre seu corpo, mas também sobre suas técnicas, surgiu uma grande oportunidade.

Ele tinha usado mãos intransponíveis para bloquear o ataque e, apesar de ainda sofrer danos severos, algo maior aconteceu. Quando ele conseguiu recuperar o controle do ataque de energia, que havia recebido na Terra, passou a dominar também aquilo.

Agora, ao segurar o robô, ele tinha controle não só do seu membro, mas de mais do que aquilo.

Ele podia sentir a energia espiritual em sua mão se conectar ao borrifo de alma no corpo do robô, e sua intuição começou a cantar, como se quisesse garantir que ele compreendesse exatamente a grandeza da oportunidade que tinha diante de si.

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