
Capítulo 565
O Estalajadeiro
O fato de todos os robôs parecerem tão diferentes chamou a atenção de Lex, mas ele rapidamente percebeu um padrão nos corpos deles, apesar das formas variadas. Primeiro, independentemente de serem com formato humanoide, tetrápodes, orbes flutuantes, pequenos jatos ou qualquer outra configuração, todos exibiam um tronco grande, ou corpo central.
Não era tão evidente quando tinham formato de humanos ou animais, mas a característica se destacava mais quando assumiam outras formas. Ainda assim, Lex não teria notado isso se não fosse pelo fato de que sua habilidade de detectar almas conseguia perceber fios de almas exatamente nesses pontos. Ele não sabia o quão importante essa descoberta era, mas poderia ser útil.
A segunda coisa, mais óbvia, que ele percebeu era que, independentemente da forma que assumiam, todos pareciam usar armas de laser. Claro, os armamentos tinham diferentes formatos, mas todos disparavam lasers — seja na luz visível ou em outra faixa do espectro.
Nada disso importava para Lex, que não só era imune ao dano que essas armas causavam, como também poderia atravessar seus corpos independentemente da forma ou do tamanho. Mas antes de partir da Taverna, Velma havia enviado uma solicitação a todos os trabalhadores que atendiam aos refugiados para coletar o máximo de informações possível sobre os invasores.
Lex estreitou os olhos. Os robôs finalmente estavam reagindo à sua chegada, o que não lhe incomodava. A polícia não conseguiria segurá-los por muito mais tempo, especialmente porque não tinham armas para revidar! A única razão de ainda estarem de pé era porque alguns deles eram cultivadores e estavam bloqueando os ataques com uma tecnologia espiritual!
"Vão lá e enfrentem," disse ele a Fenrir ao saltar de suas costas. Queria ver como ela se comportava em número superior, para entender melhor suas habilidades.
Fenrir soltou um rosnado por um instante antes de lançar-se em direção aos robôs, completamente destemida diante do número esmagador deles.
Lex ativou um Escudo Imperial na frente da entrada subterrânea para evitar danos colaterais durante a batalha. Contudo, os policiais não perceberam isso.
Estavam lutando desesperadamente contra os alienígenas, incapazes de desviar a atenção para qualquer outro lado, quando ouviram um latido alto. Antes que pudessem entender de onde vinha o som, surgiu na frente deles um escudo cinza, bloqueando a visão do exterior.
Porém, aquilo não os tranquilizou, pois enquanto o escudo bloqueava sua visão — e até os aprisionava dentro dele — não impedia os sons.
Rugidos estridentes de metal sendo literalmente rasgado ao meio ecoaram no ar, acompanhados por uma sinfonia de barulhos de colisões, explosões e rosnados profundos e arrepiantes. Após excruciantes 10 minutos, o escudo desapareceu. E o que apareceu diante deles foi um campo de batalha repleto dos destroços dos alienígenas que haviam atacado poucos minutos antes.
Não havia sinais da criatura que havia rosnado antes, como se ela tivesse desaparecido na escuridão.
"Está tudo bem?" perguntou um civil, lentamente se aproximando das escadas que levavam para cima.
"Não!" exclamou o policial, apressado, sinalizando para todos recuarem, sem vontade de descobrir realmente o que tinha acontecido. Ele não sabia por que sua vida tinha se transformado em um pesadelo, mas sabia que não poderia desafiar o destino. A curiosidade pode matar muito mais do que um gato!
Lex se sentia bem consigo mesmo enquanto cavalgava Fenrir para longe. Fenrir tinha cuidado de todos os robôs sozinho, superando completamente as expectativas de Lex. Na verdade, tinha feito isso sem sofrer um único golpe! Nesse aspecto, ele superava Lex!
Seus movimentos evasivos, porém, não eram tão bons assim. Anteriormente, ele usava a desculpa de não conseguir desviar de lasers que se moviam à velocidade da luz como justificativa. Mas esse filhote dele tinha criado um tipo de campo de interferência assim que atacava, deixando os movimentos dos robôs lentos e imprecisos.
Mesmo ao despedaçá-los com as garras, eles continuavam incapazes de realmente acertá-lo.
Lex até aproveitou para observar os restos deles após a batalha, tentando descobrir algo novo, antes de eventualmente retornar.
Até agora, lutar contra os robôs tinha sido extremamente fácil. A avaliação inicial de Marlo sobre os robôs talvez não estivesse errada — o proprietário quase indestrutível de um estabelecimento universal, montado em uma besta com o sangue de um deus, pensou consigo mesmo.
Porém, essa sensação boa não durou. Com seus sentidos aguçados, não demorou a perceber outro grupo de pessoas lutando contra os robôs. Desta vez, eles não estavam fightando; estavam amarrados e detidos.
Lex conseguiu "ouvir" os robôs falando em suas baixas frequências, discutindo os novos escravos.
Seu estômago virou, mas por mais que estivesse morrendo de vontade, ele não mudou de direção desta vez. Se precisasse parar a cada situação dessas, nunca chegaria à instalação. A melhor ajuda que podia oferecer, já estava dando através de sua Taverna.
Por ora, tinha que priorizar seus próprios objetivos. Precisava.
Como se sentisse sua angústia, Fenrir acelerou. Estavam se afastando da cidade, e logo Lex deixou de detectar tanto os robôs quanto os grupos de pessoas.
Ao longe, em direção à cidade principal, Lex conseguiu ver faíscas de luz tênues no céu, como fogos de artifício. Mas ele sabia que aquilo não eram fogos — provavelmente eram tiros ou outras armas, já que armas de fogo não eram tão comuns por aqui.
Mas logo, Lex não conseguiu mais enxergar sequer esses sinais.
Cavalgando Fenrir pelo interior da Inglaterra sob o vento frio do inverno, Lex quase se sentiu confortável.
Porém, ele não se permitiu afundar na culpa por muito tempo. Controlou suas emoções e ajustou seu estado de espírito.
É normal sentir-se mal ao ver pessoas em sofrimento, mas ele não podia deixar que essas emoções dominassem. O universo é repleto de conflitos, e ele não tinha a responsabilidade de consertar tudo.
Se inimigos surgissem em seu caminho, ele não teria misericórdia. Mas isso não significava que sua mente pudesse ser levada a lutar contra qualquer vilão que encontrasse. Era difícil, mas precisava ser firme.