O Estalajadeiro

Capítulo 551

O Estalajadeiro

"Eu… nós, a gente não sabe!" exclamou a senhora, sem baixar a guarda. Apesar da casa estar apagada, o casal mais velho tinha algumas velas acesas espalhadas pelo cômodo. A luz quente, mas tremeluzente, que iluminava sua mão cada vez mais trêmula tocou realmente a lado mais sensível de Lex. Ele não era exatamente um filantropo, mas nem mesmo ele ignoraria uma situação tão desesperadora na sua frente.

Ele trouxe uma chave de ouro na frente do casal e usou seu sentido espiritual para agarrá-la. Com calma e delicadeza, moveu a chave pelo ar até chegar ao casal idoso.

"Por favor, estou apenas procurando minha família. Está tudo muito complicado lá fora e eu quero protegê-los."

Embora o tom de Lex fosse suave, a chave flutuando se aproximando deles não os tranquilizava exatamente. Mesmo assim, Lex apenas colocou a chave numa mesa perto deles.

"A chave é um tesouro especial. Você pode usá-la quando estiver em apuros, e ela vai te proteger. Basta quebrá-la, e é fácil de fazer."

A senhora ficou assustada, sem contar a confusão na cabeça dela, mas, por ora, ela conseguia perceber que Lex não tinha más intenções. Ainda assim, ela não se atrevia a baixar a faca. Contudo, ela comentou um pouco mais.

"Nós conseguimos essa casa com a ajuda de um corretor. Nunca conhecemos os antigos donos, nem sabemos nada sobre eles."

"Eu… entendo. Então, peço desculpas por invadir a sua casa. Uhm… quebrei o cadeado da porta da frente, mas prometo que vou repará-lo. Só lembre-se de usar a chave de ouro quando estiver em apuros, a situação não está nada boa."

A senhora mal acenou com a cabeça, sem dizer nada, mantendo os olhos fixos em Lex, que recuou para fora… da casa dela.

Quando saiu do lado de fora, Lex suspirou. Era um impasse. Como ele ia encontrá-los? Se não fosse a apagão, poderia tentar ligar para eles. Mas, como o problema era a falta de energia, suas opções eram bem limitadas, basicamente procurar ao acaso.

Estava desesperado, mas não era bobo. Eventualmente, pensou em uma possível solução.

Teleportou de volta para a estalagem e verificou o local. Infelizmente, nenhum dos membros do conselho da nova ordem que ele reconhecia estava lá.

"Maria, fique de olho. Assim que qualquer membro do conselho aparecer, me chame e me avise."

"Claro. Aliás, logo depois que você saiu, a Velma publicou uma newsletter de emergência informando sobre a invasão à Terra. Ainda está coletando poucas informações, mas recebeu algumas respostas de outros hóspedes em relação ao pouco que ela conseguiu passar na mensagem."

Para ser exato, há um casal filantrópico querendo saber se podem doar para um fundo de ajuda a refugiados, já que a estalagem está acolhendo refugiados. Poderia ajudar a pagar os que não puderem arcar com seus próprios custos."

Lex interrompeu seus pensamentos. Isso… na verdade, não era uma ideia mástua. Afinal, poderia ajudar bastante.

"Pode avisá-los que podem doar sim. Na verdade, eu vou ser o primeiro a fazer uma doação."

Lex doou 10 milhões de MP e criou o fundo para refugiados. Também pediu que a Maria informasse à Velma que ela poderia divulgar a existência do fundo, mas não queria que as pessoas saíssem pedindo doações por aí. Apesar de parecer mesquinho bloquear isso, não poderia ajudar alguém se a imagem da estalagem fosse manchada por gente pedindo dinheiro na rua.

Se precisasse, faria mais doações, mas não podia transformar seu lugar em um local que as pessoas evitassem por causa de cobradores de doações!

Feito isso, decidiu voltar para a Terra. Enquanto não avançassem na localização dos membros do conselho, procuraria a área com seu senso espiritual. Por mais improvável que fosse, quem sabe a sorte estivesse do lado dele.


Larry fazia uma careta enquanto encarava a nave. Não entendia o que estava acontecendo, mas de algum modo culpava o velhote por tudo isso. Depois de perguntar ao Marlo, descobriu que o nome do velhote era Jeffrey.

Por mais que tentasse, não conseguia tirar da cabeça o último grito dele, sobre todos acabarem como escravos. O que mais o intrigava era como Jeffrey tinha conseguido algo assim. Se tivesse acesso a uma nave tão grande que pudesse invadir a Terra sempre que quisesse, por que ainda permanecia aqui como prisioneiro? A cabeça dele ficava girando. Sem falar… no que havia dito sobre a família de Larry.

Jeffrey tinha razão. Não importava o que acontecesse, Larry nunca conseguiria parar de imaginar se ainda mantinham sua família refém. Essa dúvida ia persegui-lo para sempre.

"Tenho uma notícia," disse Marlo, que havia desativado um dos talismãs que carregava. Assim como quando foi até Vegus Minima combater zumbis, ele tinha pequenos talismãs escondidos no corpo, em forma de tatuagem. Seus usos eram muito diversos, incluindo um talismã de comunicação.

"Todos os dispositivos eletrônicos estão fora de funcionamento, onde quer que eu tente contactar. A única maneira de comunicação de longa distância que resta é por meios espirituais. Até onde dá para ver, as naves indo para a Terra parecem estar se dirigindo à Estônia. Quanto ao motivo… bem, seu palpite é tão bom quanto o meu."


Na sala subterrânea onde Adrul realizava seus experimentos secretos com IA, ele estava deitado numa cadeira. Por meios que não compreendia, a IA que controlava sua cultivação tinha tomado conta do seu corpo. Ela não conseguia forçá-lo a fazer certas ações ou qualquer ação, na verdade. Tudo que podia fazer era impedir que usasse seu próprio corpo.

O pânico e a confusão que inicialmente o dominavam haviam se amenizado, mas pouco mais podia fazer. Seus assistentes na sala garantiriam que ele fosse alimentado e mantido vivo, mas sem energia elétrica, todos estavam presos no porão, no escuro. Teriam que esperar a queda de energia acabar para tentar encontrar uma solução para seu problema.

Algo precisava mudar logo, e mudou.

De repente, uma explosão aconteceu acima da terra, e o prédio ao redor deles tremeu.

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