O Estalajadeiro

Capítulo 548

O Estalajadeiro

Poucos momentos após Larry e Marlo desaparecerem, Vera e Kristine Joel saíram de um corredor perpendicular. Sem demonstrar vontade de serem discretos, a mãe se aproximou do saco no chão e o pegou.

Dentro do saco havia algumas chaves de ouro, além de cerca de cem pequenos diamantes. Não era o suficiente para um luxo extremo, mas pelo menos eles poderiam viver confortavelmente na pousada por alguns anos.

"Sentirei saudades deste lugar," disse Kristine com carinho.

"Pois eu, não!" exclamou Vera antes de pegar uma chave dourada e desaparecer. Não demoraria a descobrir o motivo de tanta pressa para partir. Afinal, um dos princípios da profecia era revelar apenas o que fosse absolutamente necessário. Quanto mais detalhes eles divulgassem, mais azar acumulariam, e a lei da sorte era implacável.

Um instante depois, Kristine também desapareceu.

Somente uma dúzia de segundos depois, Larry e Marlo chegaram ao destino pretendido. Ambos não hesitaram, pois estavam com o limite de tempo, então Marlo quebrou a porta do cômodo com força.

Dependendo da situação, eles poderiam matá-lo ou sequestrá-lo, preferindo o sequestro, pois ambos queriam interrogá-lo. Mas, ao entrarem na sala, eles não encontraram um homem assustado ou em alarme.

Pelo contrário, encontraram um homem de aparência madura, sentado confortavelmente em um sofá em frente à porta. Ele usava um robe de veludo e misturava uma taça de vinho na mão. Seus cabelos grisalhos estavam penteados de forma impecável e elegante, destacando seu rosto maduro, mas atraente.

Nos olhos dele havia apenas divertimento, enquanto observava os dois, como se já os esperasse há tempos.

Porém, sua aparência importava menos do que eles poderiam imaginar. Seus movimentos não pararam; eles avançaram para agarrar o homem, mas suas mãos passaram por um holograma!

"Não precisa ficar tão nervoso. Você realmente achou que eu ia ficar aqui, sentado, esperando pacientemente por vocês?" O homem desprezou completamente Marlo, nem mesmo reconhecendo sua existência. Ao contrário, seu olhar fixou-se em Larry.

Por um momento, ambos ficaram confusos, mas logo se recuperaram.

"Não importa onde esteja se escondendo, eu vou te encontrar!" Larry jurou, com os dentes cerrados.

"Receio que isso seja um pouco mais difícil do que você imagina, rapaz. Você vê, assim que percebi que minha diversão neste planeta ia acabar, preparei outros planos. Já estou fora do planeta, indo bem, bem longe!"

"Isso é impossível. Aqui é uma prisão feita exatamente para te manter neste planeta!"

"Pois é, deveria ser," continuou o homem, girando sua taça. "Mas sempre tratei isso mais como um refúgio. Você sabe, eu poderia sair há muito tempo. Não foi como se este lugar fosse uma prisão definitiva. Só fui empurrando até o momento em que tudo estivesse perfeito."

O homem sorriu, assistindo Larry tentando entender, fazendo o possível para negar a realidade. Ele estava tão perto. Era isso. Era para ser o momento. Como isso pôde acontecer?

"E aí, como está indo aquele embrião de espírito de metal? Para ser honesto, nunca imaginei que você fosse conseguir fundi-lo com algo. Isso não deveria acontecer. Você estragou todo o potencial dele fazendo isso."

"Hã?" A atenção de Larry se voltou rapidamente para o velho, rompendo sua negação crescente. Embora não soubesse exatamente o que era um embrião de espírito de metal, pelo contexto, percebeu que o velho estava falando do tesouro que seu pai havia fundido em seu corpo.

Mesmo tendo nascido com uma estrutura que impossibilitava a cultivação, sua família tinha descoberto um tesouro extraordinário, que seu pai fundiu em seu corpo com uma cirurgia absurdamente cara. Embora a operação não fosse um segredo, o uso do tesouro sim.

"Você sabia?" Larry não conseguiu segurar o murmúrio.

"Claro que sabia. Por que acha que exilei toda a sua família, exceto você? Alguém tinha que pagar pelos danos de desperdiçar um tesouro tão valioso. Embora, eu te deixei vivo porque queria ver sua reação ao embrião em seu corpo. E olha, valeu cada momento. Coletei uma quantidade imensa de dados estudando como você começou a cultivar, no final."'

Só isso já valia a pena exilá-lo para este planeta patético."

O velho sádico começou a rir, saboreando a expressão horrorizada que tomava conta do rosto de Larry.

"Larry, precisamos sair daqui," interrompeu Marlo. "Quer esteja na Terra ou não, temos que recuar."

"Ah, antes de vocês irem, crianças, preparei uma surpresa para vocês. Larry, e se eu te dissesse que sua família não está toda morta? E se dissesse que trouxe seus pais e irmãos comigo ao sair da Terra?"

"Você… está mentindo. Está dizendo isso só para me assustar," Larry mal conseguiu falar, enquanto seu corpo começava a tremer. Mesmo que estivessem vivos, como ele… como ele conseguiria encontrá-los? Tudo… toda sua vida tinha sido… uma brincadeira para este homem."

"Quê?" perguntou o homem, começando a rir descontroladamente. "Você vai descobrir se estou dizendo a verdade? Vai passar o resto da vida se perguntando!" O homem explodiu em gargalhada novamente, saboreando a dor que suas palavras causavam.

Marlo chutou o chão e a parede, tentando destruir o que estivesse causando a projeção, mas não conseguiu. No final, decidiu partir, apesar de tudo, puxando Larry consigo.

"Antes de ir," gritou o holograma atrás deles, "deixei um presente final para a Terra. Pense nisso como uma despedida minha. É muito fácil manipular vocês, bárbaros. Divirtam-se vivendo o resto de suas vidas como escravos!"

O homem continuou gritando, mas na velocidade de Marlo eles estavam fora de alcance em questão de momentos. Nenhum deles deu muita atenção às últimas palavras dele enquanto escapavam. Até que chegaram ao exterior.

A luz do sol tinha sido bloqueada por uma nave gigantesca que apareceu repentinamente bem na órbita da Terra. A nave chegou rápido demais; ninguém detectou sua chegada. Num instante, ela não estava lá, e no seguinte, apareceu como se tivesse teleportado.

Por uma vez, uma sensação de pavor tomou conta até de Marlo.

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