
Capítulo 540
O Estalajadeiro
Mesmo enquanto Lex vivenciava algo novo, ele manteve o controle absoluto de seus pensamentos. Não permitiu que a empolgação o dominasse e analisou a situação com calma.
Embora possa não parecer, o progresso de Lex com os territórios de array foi extraordinário. Não apenas ele estava memorizando cada vez mais arrays que poderiam ser utilizados em diversas circunstâncias, como também se familiarizava cada vez mais com a nova e única forma que havia criado para montar esses arrays.
Ele ainda não tinha tido muitas oportunidades de mostrar o que aprendeu, mas o fato de conseguir derrotar cultivadores de reino nascente antes de atingir seu avanço de cultivo já indicava o quanto poderia fazer com arrays.
Embora tecnicamente os arrays não tenham relação direta com o reino de cultivo — já que a força de um array depende exclusivamente dos caracteres utilizados e do próprio array — há mais do que isso.
Um reino de cultivo mais avançado lhe proporcionava mais energia para alimentar arrays naturalmente maiores do que antes, sem contar que o aumento em suas capacidades mentais também permitia sustentar arrays maiores em sua mente. A velocidade com que ele criava arrays compatíveis com suas circunstâncias também aumentou significativamente.
Uma maneira simplificada de entender isso seria uma comparação superficial: independentemente da força física de uma pessoa, a quantidade de dano de uma bala permanece a mesma. O fato de Lex ter ficado mais forte não mudou o potencial de destruição da bala.
O fato de Lex agora poder mirar mais rápido, atirar com maior precisão, e provavelmente manejar 100 armas ao mesmo tempo com a mesma precisão devido ao seu senso espiritual, também não alterou, por si só, a capacidade destrutiva da bala. Isso apenas potencializou a capacidade de Lex causar danos muito maiores.
Mas, deixando toda essa simplificação de lado, o ponto central é que Lex não estava usando arrays! Então, por que ele sentia que estava vivendo algo semelhante? O poder de um array não vem do usuário, mas do universo ao seu redor. De algum modo, ele estaria ressonando com o universo, assim como os caracteres de array fazem? Seria esse o efeito de uma afinidade nova e desconhecida?
Antes que pudesse chegar a uma resposta, todos os inimigos estavam mortos. Isso... era interessante. Lex avançou até encontrar outra escada e prosseguiu subindo ao próximo andar. Sua mente acionou inúmeras hipóteses sobre qual seria a resposta real.
O anel que lhe foi dado por John, que na verdade continha um manual compilado de arrays, era algo que ele consultava frequentemente, seja para aprofundar seus estudos ou obter pistas. Uma parte de sua mente começou a vasculhar o anel, procurando entender exatamente quais caracteres determinavam seus efeitos relevantes.
Ele também se questionou se a razão pela qual a ressonância que sentia não tinha produzido resultado era por ela ser demasiado fraca ou por estar faltando algo mais.
Ao pisar no terceiro andar, apesar de toda a calma e frieza demonstradas anteriormente, ele escorregou. A nova informação que entrou em sua mente... era um guia de como usar energia da alma para potencializar os efeitos das danças!
Por mais absurdo que isso parecesse, ao menos agora ele podia definir qual tipo de recompensa cada andar lhe daria. Ele receberia informações sobre como aprimorar uma das técnicas ou habilidades apresentadas na superação do piso anterior.
O primeiro andar o colocou frente a um único inimigo. O segundo, foi confrontado por toda uma horda de inimigos armados com uma arma forte o suficiente para machucá-lo, embora ainda fossem muito fracos. Independentemente da facilidade com que Lex os derrotou, a dificuldade aumentou exponencialmente entre os pisos. Essa teoria foi reforçada ainda mais quando ele entrou no terceiro andar.
Desta vez, um enorme robô estava à sua frente, olhando-o com olhos vermelhos que brilhavam. Tinha a forma de uma aranha, com asas e o que parecia ser uma torre de laser.
Lex desconfiou, tentou e… sim, a evisceração não funcionou contra o robô porque ele não tinha alma! Nem mesmo seu olho esquerdo conseguiu fazer algo a respeito. Lex deu de ombros. Ainda não estava intimidado. Apesar de não ter outras técnicas de ataque eficientes, como usuário do Abraço Régio, era algo que já se esperava há muito tempo.
A técnica de cultivo dificultava bastante o aprendizado de técnicas ofensivas. Apenas os arrays permaneciam imunes à influência de sua técnica, então era isso que ele usaria.
Em um momento, ambos ficaram parados, mas no seguinte uma batalha feroz começou!
Como sempre, suas seis espadas assinaram presença, pairando no ar atrás de Alexander. Mas, pela primeira vez, elas não se moveram para atacar a horda de insetoides que o cercava, mantendo-se no céu. Em vez disso, Alexander passou a enfrentar tudo de perto, de forma direta.
Como um bárbaro, ele se lançou na onda interminável de inimigos, mas seu número nada conseguiu fazer para pará-lo. Sua roupa de exoesqueleto não sofreu nenhum dano, por mais que absorvesse golpes, e continuava fortalecendo cada uma de suas ações.
Não importava o tipo de inimigo que surgisse à sua frente. Seja com casca dura ou armadura indestrutível, pouco importava, pois o que guiava sua força hercúlea era uma seleção de técnicas meticulosamente escolhidas e perfeitamente executadas.
Um dos maiores pontos fortes de Alexander sempre foi seu domínio magistral de várias técnicas, mas isso agora tinha atingido um patamar totalmente novo. Ele trocava de técnicas mais rápido do que qualquer um pudesse entender, passando de uma para outra com uma facilidade e eficiência quase mecânicas.
Ao longo da vida, ele teve muitas vantagens que outros não tiveram. Foi ajudado e orientado pelos melhores. Teve oportunidades que a maioria sequer consegue imaginar. Mas nada disso o fazia sentir que estava emprestando força de outros ou que sua força deveria ser algo que não conquistou.
Apesar de ter sido treinado por muitos, ele era quem absorvia o que os outros ofereciam e transformava isso em algo muito maior.
Ele não precisava que o destino o escolhesse, nem compaixão por sua fraqueza. Ele criaria seu próprio caminho.