
Capítulo 527
O Estalajadeiro
Alexandre Morrison estava sentado sozinho, refletindo sobre o destino. Ele não sabia se realmente existia, e não havia uma resposta definitiva mesmo com o Império Jotun. Tinha ouvido algumas menções estranhas ao termo destino, mas mesmo assim nunca conseguiu obter qualquer insight sobre sua existência.
Porém, se existe o destino, ou o que quer que seja, era uma coisa tão estranha. Era algo além da compreensão dele — de verdade. Alguém pode nascer com tanto, só para descobrir que tudo aquilo que possui não vale tanto assim. Ou, às vezes, na vida, nada de realmente importante acontece por um longo tempo, e quando eventos relevantes começam a surgir, todos eles acontecem ao mesmo tempo.
Seus pensamentos estavam em caos, sem seguir um caminho claro. Através da orientação do Império e do uso das excelentes instalações e serviços da Taverna, ele tinha voltado novamente ao reino da essência de Ouro. Também tornara-se muito mais poderoso do que jamais tivera, exatamente como desejava. Mas, por razões que não conseguia entender, ainda sentia uma estranha sensação de vazio.
Havia uma ansiedade no peito dele que não podia acalmar, e uma irritação que corroía sua mente, algo que ele não conseguia compreender. Já tinha experimentado esse sentimento algumas vezes antes, mas sempre que acontecia, se lançava em treinamentos ou batalhas. Agora, porém, não conseguia fazer nenhuma das duas.
Desde cedo, treinado para superar qualquer obstáculo e se superar constantemente, ele não era do tipo que ignorava um pouco de ansiedade. O problema é que, por mais que tentasse, simplesmente não conseguiava entender qual era a causa desse sentimento.
"Qual o nome dela?" perguntou um estranho que estava sentado ao seu lado.
O jovem ficou verdadeiramente surpreso. Tão absorto em seus pensamentos, que esqueceu completamente do ambiente ao redor e baixou a guarda, deixando passar o estranho que se aproximava.
Mas, olhando bem, o estranho parecia ter a mesma idade dele, e parecia tão cansado quanto, senão mais.
"Desculpe, o quê?" ele perguntou, inseguro do que a pergunta significava.
Porém, a resposta do outro foi um risinho.
"Sei bem essa expressão, amigo. Sei tão bem. É uma garota. Sempre é uma garota." Por um momento, ele ficou em silêncio novamente, olhando para o chão à sua frente.
"Às vezes me pergunto: qual é o sentido de tudo isso? Qual a graça de nascer numa família rica se isso impede de fazer o que quer? Qual o sentido de uma cultivação forte se você não consegue estar ao lado de quem ama?"
O corpo do estranho tremia, como se estivesse se segurando para não fazer algo desesperado. Mas, no final, a intensidade do momento diminuiu e ele soltou um suspiro derrotado.
"Desculpe, tenho que ir," disse, olhando para o chão, de alguma forma achando difícil levantar o olhar para Alexandre. "Era para eu estar reunido com minha namorada na Taverna. Ela é a garota mais linda do mundo, com o nome mais lindo: Ayesha. Mas já faz um ano inteiro, e ela nunca mais apareceu."
Se Lex tivesse visto aquela cena, reconhecería o menino como Haris, um dos dois adolescentes amantes que haviam sido hóspedes na Taverna nos seus primeiros dias. Ainda assim, agora ele não tinha mais a vivacidade e vigor que tinha na época.
"Suspeito... Suspeito que nossas famílias fizeram algo às nossas escondidas."
De repente, Haris se levantou.
"Desculpe pela conversa, tenho sido assim esses últimos dias."
Sem esperar resposta, desapareceu na Taverna, com os olhos cheios de cansaço, mas também de convicção.
Alexandre ficou intrigado com aquele encontro estranho. Mas, ao mesmo tempo, aquilo o fez pensar em um nome que não pensava há tanto tempo: Helen. Ela também havia desaparecido há tanto tempo e nunca mais tinha voltado.
Alexandre nem percebeu que sua mão se fechara em um punho.
*****
Um soldado Jotun saiu de um Reino Menor, bem escondido e até agora não descoberto por ninguém, em pânico. Assim que retornou à Taverna, pediu imediatamente para seu holograma pessoal contatar o General Ragnar!
Embora o soldado fosse alguém insignificante, que nem deveria ter autoridade para falar com o general, ele acreditava que sua transgressão seria perdoada ao compartilhar a notícia que havia descoberto!
*****
A intensidade da corrida não diminuiu com o passar do tempo, só ficou mais extrema! Lex estava atualmente dirigindo sobre uma plataforma de apenas quinze pés de largura. Parecia bastante, honestamente, se ignorarmos o fato de que essa plataforma estava presa a um trem bastante longo e em movimento. Além disso, Lex havia conquistado terreno em relação aos concorrentes à frente, compartilhando a plataforma com várias outras racinges.
Assim, não só precisava gerenciar o impulso do seu carrinho em alta velocidade, mas também antecipar a força centrífuga aplicada toda vez que o trem mudava de direção, além de desviar dos carrinhos que passavam ao seu lado.
Mas, em um estado berserk, Lex não estava nem um pouco na vibe de desviar cuidadosamente de todos os carrinhos ou ultrapassá-los. Usando seu power-up que permitia empurrar adversários para longe, ele diretamente bateu no carrinho à sua frente. O carrinho e o motorista, um demônio familiar chamado Pramod, foram lançados no ar.
Isso poderia ter sido uma jogada a seu favor, fazendo-os voar bastante à frente de todos, se ele não estivesse usando um power-up próprio, que ligava seu carrinho ao de um competidor na frente.
Os dois carrinhos, puxando-se em direções opostas, acabaram saindo da pista e caíram de um lado.
Rindo de triunfo, Lex avançou até a frente do trem, onde havia uma rampa de velocidade que o lançaria para fora da plataforma de volta à pista verdadeira. Mas como as coisas poderiam ser tão fáceis?
Perto dele, logo atrás, vinha Z, o irmão mais velho da Taverna, e funcionário direto de Leo.
Embora Z não fosse naturalmente vingativo, algo nele se despertava ao ver seu chefe se divertindo enquanto Z trabalhava sem parar, revelando um lado dele que até então desconhecia.
'Tudo é válido em videogame e na guerra,' pensou consigo mesmo, ativando sua linhagem sanguínea.