O Estalajadeiro

Capítulo 463

O Estalajadeiro

Os sentimentos absurdos que envolveram Lex não duraram muito, e à medida que seu corpo começava a se estabilizar, eles se dissiparam. Afinal, como Lex poderia ser arrogante demais para acreditar que o universo era mundano?

Porém, isso não significava que Lex não se sentisse invadido por uma força impressionante. Ele realmente tinha a sensação de ter ultrapassado o que significa ser humano. A vontade de protagonistas comuns de bater numa pedra aleatória para testar sua força o invadia, mas não havia pedras disponíveis em seu quarto de meditação.

Isso poderia ser resolvido facilmente. Ele evocou uma rocha enorme, com vinte pés (cerca de 6 metros) de diâmetro, e colocou-a bem na sua frente. Antes de fazer um movimento descolado e realmente socá-la, Lex passou a mão na pedra, para sentir sua superfície fria e firme. Mas… as coisas não saíram como planejado.

Pois, com a mesma facilidade que se passasse a mão por água corrente, seus dedos mergulharam na rocha, causando enormes rachaduras na superfície do monólito. Ele congelou, antes de tentar novamente.

Dessa vez, apontando seu dedo indicador, pressionou diretamente contra a rocha. Houve um breve momento de resistência, antes que seu dedo começasse a escavar suavemente o interior da pedra. Era como se Lex estivesse furando um bolo, e não uma rocha. Rachaduras se espalharam mais profundamente e mais largas na superfície conforme ele empurrava o dedo.

Quando seu dedo penetrou completamente e seu punho tocou a superfície, Lex continuou a empurrar, e a força continuou a entrar com a mesma facilidade.

Um só estalo alto ecoou na sala, enquanto a rocha se partia ao meio, com os lados caindo para a esquerda e a direita, respectivamente.

Lex permaneceu imóvel, tentando compreender o que acabara de fazer, mas não havia tempo para pensar calmamente. Ele dera um passo gigante na estrada da cultivação, evoluindo para um ser superior. Como poderia algo tão modesto quanto força bruta ser tudo o que conseguiu?

Enquanto observava a rocha, ainda surpreso com sua própria força, sua primeira nova habilidade se revelou. Sua percepção espiritual emergiu de seu corpo e envolveu completamente a rocha, de modo que ele não apenas a via com os olhos, mas observava cada fibra dela com seus sentidos.

Cada ranhura, cada camada dos minerais que compunham a rocha, cada tonalidade e padrão, cada fissura e fenda — tudo se revelou a Lex na sua mente.

Por um instante, ele ficou surpreso, achando que era informação demais, antes de congelar novamente. Não… não era! A quantidade de detalhes que sua percepção espiritual lhe fornecia agora era incomparavelmente maior do que tudo que Lex conseguira suportar antes. Tê-los ativos na cabeça, ao mesmo tempo, quase faria seu cérebro colapsar.

Seu cérebro funcionaria a mil, o sangue pulsando forte como se estivesse correndo uma maratona, e sua energia espiritual drenando como se estivesse saindo por uma torneira aberta, sustentando sua mente com tanta informação simultaneamente. E, mesmo assim, ele mal percebia o detalhe que valia a pena notar.

Um pensamento surgiu em sua mente, questionando quão complexa uma matriz ele poderia criar agora que seu cérebro era capaz de suportar muito mais informações. Mas foi só um instante passageiro, pois seu foco atual era sua percepção espiritual. Ele não fazia ideia de como controlá-la!

Era como se um novo membro de seu corpo surgisse do nada, e, embora reações a seus pensamentos subconscientes, conscientemente, ele não soubesse como manejá-la.

Além disso,, de suas pesquisas, Lex sabia que a percepção espiritual podia fazer muito mais do que apenas observá-lo. Ela poderia manipular objetos fisicamente, servir como um funil para canalizar sua energia, comunicar-se secretamente com outros, e muito mais. Ele só precisava descobrir como realizar tudo isso.

Por ora, porém, ele decidiu focar em entender melhor a capacidade de observação que sua percepção espiritual proporcionava. Continuação de observando a rocha envolvido por sua percepção, começou a captar os diversos detalhes. E foi nesse momento que percebeu uma anomalia.

As informações que recebia da sua visão, e as informações que provinham de sua percepção espiritual deveriam formar dois fluxos distintos que ele precisaria interpretar, mas, ao prestar atenção… parecia haver um terceiro.

No começo, isso o confundiu, especialmente porque tinha dificuldades em se ajustar à quantidade de informações sendo transmitidas diretamente ao seu cérebro — como se pudesse "ver" o objeto envolto por seus sentidos. Exceto que, essa visão não vinha de uma única direção, como alguém vendo de um ângulo específico, mas era abrangente e total.

O fato de não se sentir sobrecarregado por isso também atrapalhava seu raciocínio. Ele não estava acostumado à nova capacidade que seu cérebro passava a possuir.

Mas então, como se respondesse às suas dúvidas, seu cérebro filtrou automaticamente as informações de diferentes fontes, categorizando-as para que soubesse o que estava percebendo e o que estava visualizando.

Foi aí que ele percebeu que… sua visão parecia estar lhe fornecendo dois tipos diferentes de retorno. Um deles mostrava tudo na superfície, como a visão comum, e o outro… enxergava algo mais etéreo.

Ele… fechou o olho esquerdo, e descobriu que a visão etérea desaparecia, deixando apenas a rocha em seu campo de visão. Depois, abriu os dois olhos, fechou o direito e, finalmente, entendeu a origem dessa informação extra. O único problema era… ele não conseguia compreender o que estava vendo.

Viu uma rocha, mas, de algum modo, também via através dela. Via tudo que a compunha, e as possibilidades de como ela poderia interagir com o ambiente ao seu redor. Estava “lendo” como a pedra reagiria, existiria, desaparecer e seria destruída em várias condições. Era como se estivesse lendo a personalidade da rocha… se isso fosse possível.

Por razões que não conseguia entender, seu olho esquerdo lhe fornecia ainda mais informações do que seus sentidos espirituais.

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