O Estalajadeiro

Capítulo 446

O Estalajadeiro

Enquanto Lex e Ming Jie conversavam em seu escritório, a notícia do próximo evento já começava a se espalhar. Como não poderia, afinal? Lex mesmo foi quem colocou todas as engrenagens em movimento. Ele pagou pelo evento, ativou o marketing, informou os trabalhadores e distribuiu as responsabilidades.

Porém, enquanto todas as tarefas e deveres deveriam recair sobre seus subordinados, havia uma exceção que também recebeu ordens — embora, de uma maneira mais indireta do que os próprios funcionários.

No vasto vazio frio e escuro do espaço, uma imensa nave se deslocava silenciosamente em linha reta. Era uma região incomumente deserta. Não havia sistemas estelares próximos, nem asteróides ou rochas espaciais, nada. Na verdade, esta área específica do espaço estava longe de tudo e próxima de nada.

Mesmo ao viajar para regiões além dela, não fazia sentido uma nave perambular por esses lugares sem usar hiperpropulsão. Todo senso comum indicava que não havia motivo para aquela nave estar ali, mas ela avançava com propósito.

Era uma nave grande, e um observador atento perceberia sinais de que era recém-construída. Não era apenas o exterior liso e limpo — que não refletia mais de cem anos de uso — que entregava sua idade, mas também a notável ausência de perturbações na energia espiritual ao seu redor, por mais tênue que fosse.

Não se tratava realmente de tecnologia moderna; apenas, como uma nave envelhece, torna-se cada vez mais difícil mantê-la, independentemente dos recursos disponíveis. Algumas deteriorações de desempenho eram inevitáveis.

No comando da nave, o comandante ostentava uma expressão extremamente séria. Mesmo com os braços cruzados por trás das costas, sua postura parecia casual, embora seus punhos estivessem cerrados com força.

Silenciosamente, sem aviso, a nave cruzou uma cortina invisível e desapareceu de vista do resto do universo. Dentro dessa cortina, havia uma estação espacial gigante, do tamanho de uma lua pequena. Centenas de naves estavam estacionadas onde haviam terminais livres, e mais milhares pareciam pairar no espaço, aguardando sua vez.

Porém, a nova nave não esperou sua oportunidade e imediatamente seguiu para um terminal específico, ao qual ninguém mais parecia se aventurar perto. No vácuo, era impossível o som se propagar, mas uma espécie de zumbido parecia encher a área, enquanto todos olhavam para a nave e, em sussurros, comentavam: "O Bônus voltou."

Sim, o primeiro imediato Booty, dos piratas do Coração de Ferro, que rumores indicavam ter abandonado a vida de pirata para se tornar um agente de marketing, retornou voluntariamente ao lar. Isso certamente iria causar impacto: afinal, quem não sabia que o primeiro imediato Booty era o favorito do capitão? Mas a notícia de sua traição não tinha provocado reação alguma. Agora, seu retorno só alimentava novos rumores.

O que realmente estava acontecendo?

Booty não se importava com nada disso. Ele apenas olhava para frente, de pé sobre um segway que parecia levá-lo bem no fundo da Estação do Coração.

Por fim, chegou a uma sala escura, onde desceu do veículo e fez uma reverência à escuridão, sua jaqueta de camurça pressionando-se contra o peito.

"Finalmente voltou. Está aqui para tirar minha cabeça?"

"Nunca, capitão!" Booty gritou, suando na testa pálida.

"Então, por que voltou? Pensei que tivesse deixado a vida de pirata para trás. Você era demais para isso."

"Capitão, eu... eu trouxe notícias! Há esperança para você... para você entrar no reino imortal!"

Uma chave de ouro apareceu nas mãos de Booty enquanto ele começava a explicar sobre o próximo festival e, mais importante, a ascensão de classificação estelar. Por sua excelente atuação no marketing anteriormente, Lex fez uma menção especial aos seus subordinados para que entregassem o trabalho a Booty novamente. Mal sabia ele que, ao invés de espalhar a notícia, ele tinha voltado ao verdadeiro capitão dos piratas do Coração de Ferro.

Ela permanecia oculta na escuridão, invisível. Sua identidade precisava ser mantida em segredo a todo custo. Como se já não fosse suficiente ser pirata, se as pessoas descobrissem quem ela era, não haveria mais refúgio onde o Império Jotun pudesse exercer sua influência.

Em outra parte do espaço, um demônio apareceu na frente de Loretta, trazendo a mesma notícia. Um avanço na cultivação era uma oportunidade grande demais para ser ignorada.

Em outro local, Ragnar examinava um relatório de emergência. Pela primeira vez, uma hesitação aparecia em seus olhos. Se conseguisse um avanço, ficaria meses, ou até anos, em cultivação fechada. Era mesmo o momento?

No centro médico do campo de batalha galáctico, Alexander, ferido, recebia novas ordens. Seus esforços tinham valido a pena. O Império investiria nele, ajudando-o a recultivar do zero, e sua nova jornada começaria na Estalagem.

No mundo de Cristal, Roland voltou para compartilhar a notícia com Aegis. Independentemente de sua decisão pessoal, aquilo não era algo que pudesse ignorar.

Na Terra, a oráculo Vera Joel estava desesperada para encontrar uma maneira de voltar à Estalagem, mas seus carcereiros finalmente entenderam o que ela fazia e a revistavam frequentemente, bem como seus companheiros, para garantir que não tivessem chaves. Mas como ela poderia explicar que, para ela, aquilo não era apenas uma oportunidade, mas uma fuga de uma catastrophe? Se ao menos suas visões fossem mais regulares.

No mundo de Garvitz, alguns demônios retornaram para fornecer um relatório. Warheil Heil Fednal, o demônio responsável por criar os demônios zumbis, sorriu. Era uma oportunidade para suas crianças crescerem.

Um agente dos Henali, destacado na Estalagem, rapidamente recuou para entregar a notícia. Embora, ao contrário dos demais, esse agente não demonstrasse urgência. Ele trabalhava para os senhores supremos de todo o reino. Comparado a eles, quão realmente útil poderia ser o festival da Estalagem?

Sem que Lex soubesse, passando por suas próprias revelações, seu festival — que ele usava apenas para segurança — estava prestes a ser mais bem-sucedido do que ele poderia imaginar.

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