
Capítulo 436
O Estalajadeiro
Estava tudo tranquilo na Taverna da Meia-Noite, o que era o normal. Anakin Indiana McClane achava difícil relaxar completamente após o caos que a taverna tinha enfrentado na última vez. Mas, na sua humilde opinião, o dono do local deixava bem claro seu descontentamento ao rasgar o próprio universo para atacar cada bandido e sua mãe, para não mencionar amaldiçoar as almas dos invasores com torturas eternas.
Agora, Anakin não era um homem que aprova violência, de jeito nenhum. Mas era algo que o fazia se sentir especial o suficiente saber que o proprietário do hotel iria até criar um mini-inferno numa espécie de lareira para desencorajar novos ataques. Honestamente, Anakin até pensou em pedir um autógrafo ao homem.
Infelizmente, Anakin tinha estado bastante ocupado e não podia perder tempo com bobagens. O velho estranho que lhe fazia visitas nos sonhos estava muito chateado por Anakin não estar cultivando sua afinidade especial com a escuridão, então, para agradar o ancião, ele vinha se dedicando às salas de Meditação.
Como se não bastasse, seu novo esquema— ou melhor, sua nova atividade de tirar proveito da habilidade de Noman em detectar mentiras— tinha feito dele bastante popular. Não era coisa oficial, mas muitas mulheres levavam secretamente os namorados até ele, sem revelar o que estavam fazendo, apenas para testar se os garotos realmente as amavam.
A princípio, Noman ficava hesitante em usar sua habilidade dessa forma, mas tudo mudou quando uma garota de coração partido chamou sua atenção. Jovens realmente eram fáceis de entender.
Claro que ele também tinha clientes mais importantes. Atualmente, ao lado de Anakin, estava seu mais recente cliente, Souta. A conversa tinha acontecido na Câmara dos Segredos, então ele não se lembrava do segredo de Souta, mas sabia que o rapaz precisava que alguém morresse. Para ser exato, um Sr. Suzuki tinha de morrer.
Tal tarefa horrenda, nefasta e traiçoeira, estava completamente fora do alcance de Anakin, pois ele nunca tinha matado um peixe de estimação, quanto mais um humano, por isso, ao lado dele, também estava Larry. Os dois apenas conversavam sobre como Suzuki tinha sido contratado para matar Larry.
O que Larry fizesse com essa informação cabia inteiramente a ele, pois Anakin de forma alguma exagerara as motivações e a dedicação de Suzuki na realização da missão.
Sim, era um dia perfeitamente normal, calmo e pacífico, em que Anakin apenas conversava tranquilamente, sem nenhuma ocorrência estranha. O vento soprava, os pássaros cantavam, o sol brilhava— eh?
De repente, o grupo de Terráqueos que estava no jardim, apreciando umas piñas coladas, viu uma enorme sombra se formar ao seu redor. A mudança foi tão rápida que impossível ser uma nuvem, e o tamanho da sombra cobria não só eles, como uma área enorme!
Os três olharam para cima e viram… uma nave gigante! A estrutura metálica se estendia por centenas de quilômetros, mas flutuava sem esforço no ar. Na verdade, a cidade voadora acima da vila quase colidiu com essa colossal nave, mas rapidamente mudou de rota para evitá-la.
No alto, a entidade conhecida como Abroar, que dependia da nave para manter seu corpo vivo, finalmente chegara à Taverna. Precissava concluir algumas tarefas finais antes de fazer a transição para existir como espírito.
Embora estivesse preso dentro da nave, Abroar tinha acesso a todos os sensores dela, podendo assim perceber toda a extensão da Taverna. Na verdade, até a formação ao redor da estufa não conseguia impedir sua visão, revelando tudo a ele.
De relance, Abroar ficou bastante desapontado. A Taverna era pequena demais, e percebeu que havia poucos, ou nenhum, seres de força considerável. Mas, então, começou a notar alguns detalhes menores. Devido ao reino que havia anteriormente, bem como à tecnologia extremamente avançada que compunha sua nave, seu conhecimento superava em muito o dos cultivadores comuns.
De imediato, detectou várias fontes de energia divina, além das diversas assinaturas de linhagens extremamente potentes, sem falar no escudo do destino.
Abroar soltou um suspiro mental. Para ser honesto, não importava se o local era impressionante ou não, era a única escolha que lhe restava. Há muito tempo, notara a pequena holografia de sua espécie original que aparecia na ponte da nave, pronta para fornecer informações assim que ele estivesse preparado para interagir.
A criatura reforçou sua determinação e já ia perguntar ao holograma sobre a realização de alguns últimos pedidos antes de usar a função "Além da Tumba" da Taverna, quando seus sensores detectaram uma nova presença que se teletransportara perto dele.
Em comparação com a nave, esse novo ser era pequeno. Mas isso não mudava o fato de que o Homens da Montanha tinha mais de 20 milhas de altura. Enquanto a nave era tecnicamente maior em comprimento que o Homens da Montanha, ela era horizontal, e seu comprimento paralelo ao chão. O Homens da Montanha, ao contrário, estava em pé, na vertical, e sua cabeça ultrapassava qualquer coisa na Taverna.
Como se não bastasse, ao se teleportar em movimento, ele já não estava acostumado a seu corpo colossal, e o movimento do chão sob seus pés fez com que ele tropeçasse feio, acabando por cair na nave!
Anakin esfregava os olhos repetidas vezes, tentando clarear sua visão, mas, por mais que se esforçasse, a imagem permanecia a mesma.
"Gente, acho que comi demais o bolo de Saturno," disse Anakin de leve. "Deve estar dando alucinação ou alguma coisa assim. Juro que dá para ver um gigante feito de pedras numa espaçonave—não, um gigante de pedra numa prancha voadora que parece uma nave. Parabéns ao chef que fez esse bolo."
"Não é o bolo," disse Larry, com os olhos brilhando! Ele absorvia metais preciosos para ficar mais forte, e a 'prancha voadora' no ar parecia mais preciosa do que tudo que ele já sentira na vida!