
Capítulo 383
O Estalajadeiro
Lex não estava preparado, nem esperava começar a trabalhar imediatamente ao chegar na Estalagem. Mas o incentivo para se tornar um trilhão de reais era extraordinário. Não que estivesse precisando de muito dinheiro no momento, mas sabia que estaria em um estado de expansão pelo futuro próximo.
Não só a expansão custaria um dinheirão, como qualquer coisa para um nível de cultivo superior sempre custava mais. Ele tinha comprado apenas uma bebida que poderia afetar um imortal, e o preço já tinha chegado aos milhões; se fosse comprar um prédio ou contratar um serviço, o valor poderia até chegar às centenas de milhões. Cair na zona de conforto seria um erro.
Com essa cabeça, ele guardou qualquer pensamento de dar uma volta pela cidade e decidiu partir direto para o trabalho duro. Antes de tudo, no entanto, ele olhou para o prédio do escritório do Estalajadeiro.
Embora o prédio existisse como um serviço, a forma e o design ficavam totalmente a seu critério. Se tivesse bastante tempo, teria delegado a tarefa ao comitê de planejamento, mas como não tinha, resolveu cuidar pessoalmente da questão.
Ele refletiu por um momento sobre o tipo de escritório que alguém no cargo de Estalajadeiro deveria ter. Poderia ser excessivamente grandioso, mas, para Lex, pareceria um pouco desesperado para tentar mostrar seu status, ou simplesmente chamativo demais, o que ele não gostava.
Poderia optar por algo extremamente simples e básico, mas ele achava que o discurso de "transcender a necessidade de bens materiais" e "encontrar a verdade na simplicidade" já estava cansado e bastante usado.
No final, decidiu fazer do jeito que achava melhor.
Sua mente, agora mais rápida do que nunca graças ao impulso oferecido pelo seu cultivo elevado, relembrou todos os escritórios que tinha gostado e buscou encontrar um padrão. Ele já tinha visitado alguns escritórios em cobertura de penthouse em Nova York, sem falar nos seus escritórios habituais, então tinha alguma base para formar sua ideia.
Depois de definir o que lhe agradava, começou a escolher a posição.
Sobre um pequeno platô próximo à Mansão da Meia-Noite, surgiu um edifício retangular. Havia uma tocha acesa, um caminho de pedras levando até ele, com jardins abertos de ambos os lados. O interior do prédio tinha poucos itens, já que servia apenas como seu escritório.
A entrada dava para um grande salão com piso de mármore e paredes de granito, com uma bancada de recepção na extremidade oposta. Havia uma sala de espera acessível à direita, mas a porta do escritório de Lex ficava no canto atrás da recepção.
Ao contrário do hall de entrada, cujo piso era cinza, o de Lex era de mármore preto. Mas não era um preto simples: veios de ouro corriam pelo mármore azul noite, como água fluindo para a terra. Do lado esquerdo e direito do escritório, erguiam-se estantes altas até o teto, recheadas de livros de capa dura sem títulos.
Alguns sofás estavam dispostos no centro do cômodo, cercados de decorações e plantas aqui e ali. Em frente a esses sofás, na parede mais distante, havia uma única mesa com uma cadeira de escritório meticulosamente colocada.
Falando na parede do fundo, ao contrário do restante do prédio, ela era toda de vidro de um lado só, oferecendo uma vista extensa da Mansão da Meia-Noite e do restante da Estalagem.
Lex teleportou-se para dentro do edifício para ver tudo com seus próprios olhos e foi imediatamente tomado por uma sensação opressiva.
Lex permaneceu indiferente; afinal, o que poderia realmente afetá-lo na Estalagem? Mas, mesmo assim, sentiu a opressão — e soube de imediato que ela emanava das próprias paredes de seu escritório. Cada passo parecia assustador, mas, de algum modo, essa sensação opressiva não era exatamente intimidatória. Era mais uma lembrança do tipo de pessoa com quem ele iria se encontrar.
Enquanto andava, o som de seus passos ecoou alto no hall vazio, fazendo-o parar de imediato, uma carranca surgindo em seu rosto.
Ele deu um estalo e seguiu andando. O som não era mais um eco alto e interminável. Em vez disso, cada passo era incrivelmente leve e respeitável, mas ainda presente.
Sem se preocupar em examinar a sala de espera, Lex foi direto para seu escritório. Diferente do hall, aqui não havia sensação opressiva. Pelo contrário, o ambiente exalava um cheiro limpo e revigorante que renovou Lex assim que entrou, mesmo tendo acabado de acordar e estar cheio de energia.
Lex sentiu-se incrivelmente calmo e em paz ali, como se soubesse, lá no fundo do coração, que aquele era um espaço seguro. Caminhou até sua mesa, puxou a cadeira e se sentou.
Assim que sentou, ele ficou ainda mais sincronizado com a Estalagem do que quando vestia o Traje de Hospedeiro. O Traje de Hospedeiro — que agora estava em forma de terno de três peças — permitia que Lex controlasse completamente tudo que acontecia na Estalagem.
Era uma ponte entre ele e o sistema, pois agora ele sabia que era simplesmente impossível compreender tudo o que seu sistema fazia, quanto mais controlá-lo diretamente. Mas, ao sentar na cadeira, a coisa deu um passo adiante.
Por exemplo, embora pudesse estar ciente de tudo na Estalagem a qualquer momento, precisaria fazer uma varredura ou procurar alguém em específico para saber o que ocorria. Agora, ao se sentar, parecia que uma parte de sua recém-adquirida força mental era direcionada para manter uma conexão constante com o sistema.
Toda ação dentro do sistema era classificada por um nível de importância de 0 a 100, e, na sua mente, ele já tinha os números de cada ação. Assim que um número aparecia excessivamente alto ou mesmo uma pequena anomalia, ele sabia imediatamente.
Além disso, enquanto antes podia fazer varreduras genéricas, agora podia procurar por algo mais específico. Embora isso não fosse totalmente novo — pois sempre podia perguntar diretamente à Maria quando precisava saber de alguma coisa —, era uma ferramenta bastante útil.
Sua atenção foi direcionada a alguns objetos sobre sua mesa: um diário, uma caneta, um tinteiro, um abridor de cartas e um porta-cartões cheio de cartas que só tinham a palavra "Estalajadeiro" abaixo de "Estalagem da Meia-Noite" escrita em negrito.
Estava convencido de que esses objetos não eram comuns, mas decidiu primeiro resolver o que viesse a acontecer com a pessoa que queria levar os pedidos de Ragnar antes de qualquer outra coisa.
Porém, até para isso, precisava fazer duas coisas antes de resolver o assunto.
A primeira era pensar na necessidade de ter uma recepcionista. Lex poderia contratar alguém aleatoriamente entre seus funcionários, mas preferia ter uma recepcionista dedicada — que talvez até fosse sua assistente.
Sem contar que assim teria a oportunidade de usar seu novo painel de status de empregado.
Embora antes pudesse contratar diretamente uma IA para criar trabalhadores que assumissem tarefas na Estalagem, deixando seus atributos ao acaso, agora poderia ser muito mais específico em seus requisitos.
Primeiro, para o gênero, escolheu homem. Como solteiro, não seria adequado ter uma recepcionista mulher, principalmente porque isso traria à tona as memórias de novelas piegas que tinha visto na vida. O clichê de se apaixonar pela funcionária era bobagem demais até para ele brincar.
Ele pulou questões como idade, aparência, altura e foi direto para habilidades, talentos, linhagem sanguínea e cultivo. Cada modificação que fizesse aumentaria drasticamente o custo do funcionário, mas Lex tinha dinheiro de sobra.
Sem hesitar, escolheu tudo que parecesse minimamente útil, desde memória eidética, recordação perfeita, multitarefa exímia, fortes capacidades de cálculo mental, percepção excepcional, reflexos rápidos, melhor recuperação de saúde possível, vitalidade imensa e muito mais.
Assegurou que o assistente tivesse um forte senso de etiqueta e moralidade. Infelizmente, não poderia criar um assistente com um sistema de cultivo elevado, pois todos começariam como mortais, mas podia escolher a linhagem sanguínea.
Além da Flor de Regalia, que todos os seus trabalhadores pareciam começar com, tinha duas outras opções. A Flor de Regalia era excelente para manipular energia, mas talvez não fosse a melhor escolha para seu assistente, então olhou para as outras duas.
A próxima chamava-se Ignição Anacrônica. Quando leu a descrição, a mandíbula de Lex caiu, e, pela primeira vez, ele sentiu uma inveja absurda.
Era difícil não sentir ciúmes dos seus trabalhadores, que nasciam já com uma linhagem sanguínea tão incrível. Mas ele controlou suas emoções, sabendo que tinha suas próprias vantagens — especialmente quando o Abraço Régio era algo único em todo o universo.
Já essa outra, no entanto… era simplesmente ridícula.