O Estalajadeiro

Capítulo 234

O Estalajadeiro

Poucos minutos antes da batalha de Lex, de volta ao centro de avaliação, uma sala cheia de analistas observava calmamente o que sabiam que seria o fim daquele humilde assentamento humano.

"Não está um pouco cruel demais?" perguntou um homem antes de começar a mastigar algumas castanhas. Era ele quem tinha salvado a vida de Lex do Kraven, e quem havia carregado pessoalmente Lex de volta à academia. "Ele acabou de escapar do Kraven, e você não está preocupado que isso possa deixá-lo mentalmente abalado?"

"Abalado?" perguntou o homem uniformizado. "O pirralho me perguntou qual era o grande problema de enfrentar um Kraven, mesmo depois de passar pela força da carne de Kraven imortal. Ele não apresenta sinais de trauma mental, mas também não demonstra aquela determinação forte por vingança que é comum em sobreviventes de ataques de Kraven. Toda a sua região morreu e o garoto nem reação teve."

"Você acha que ele vai tremer porque alguns moradores morreram? Duvido. Mas estou curioso para ver como ele reage a isso. Pelo menos essa aldeia vai ter uma chance de contribuir um pouco para a causa humana antes de ser destruída."

Ninguém na sala apresentou qualquer reação visível ao ver a próxima cena se desenrolar e a luta que se seguiu. Todos estavam ocupados anotando detalhes, mas quando a enorme flor de neve surgiu, até eles fizeram uma pausa.

Então Lex disparou para o céu, e todos entraram em pânico! O homem uniformizado gritou enquanto corria para apertar o botão de emergência que teleportaria Lex para fora de lá, mas já era tarde. Quando Lex foi teleportado, ele já tinha realizado três disparos. Lex tinha sido enviado para sua próxima avaliação, mas agora a academia teria que lidar com um tirano furioso.

"Enviar nosso Vice-Decano Elvis. Essa coisa precisa morrer antes que exploda!" gritou o homem uniformizado, com as costas encharcadas de suor. Que tipo de maníaco era esse garoto?

Então ele sorriu. Com certeza, iria colocá-lo na sua turma.

*****

A teletransporte realizado pela academia não tinha a finesse e delicadeza das Tavernas. Lex, que estava disparando para o céu, foi atingido por mais um puxão de energia e, ao se levantar, se viu de pé em um platô.

Havia duas aves Sol no céu, mas em extremos opostos e ambas muito longe no horizonte. Era como assistir a dois pores do sol ao mesmo tempo.

Uma brisa quente e suave soprava na encosta, enchendo os pulmões de Lex com o cheiro de flores silvestres. Animais pastavam na grama alta e bandos de pássaros voavam pelo céu.

A dissonância entre o que Lex tinha acabado de viver e o que estava vivendo agora era impactante.

Antes que tivesse tempo de pensar, uma esfera amarela apareceu à sua frente e começou a lhe dar instruções.

"A 3 quilômetros à sua direita, um estudante ferido da academia está lutando contra um Gojur de orelha vermelha. A avaliação termina em 30 minutos."

"Que diabos!" Lex xingou alto. Não conseguiu conter a raiva. Que tipo de jogo doentio era esse? Colocaram-no numa aldeia só para assistirem à destruição dela? Se o teletransportaram para lá, a academia certamente poderia mandar pessoas mais fortes também. Poderiam ter salvo todas aquelas pessoas, mas preferiram transformar isso em uma prova.

E agora, antes mesmo de se ajustar ao que tinha acontecido, estavam jogando a vida de outro estudante no lixo.

Lex quis amaldiçoar novamente. Mas, ao invés disso, ativou o Alívio do Falcão e começou a correr 'para sua direita'. Que instruções idiotas eram aquelas?

Embora estivesse correndo, tomou cuidado para não acelerar demais, já que não tinha humor para se cansar se fosse enfrentar uma luta.

Ele virou a mão na mochila, pegou uma dose de adrenalina misturada com soro rejuvenescedor e a enfiou no braço. Sua luta contra o Kalter Flug fora rápida, mas extremamente exaustiva.

15 minutos depois, finalmente avistou o estudante ferido. Era um homem coberto de sangue, lutando contra algo que só podia ser descrito como um canguru com pele de rinoceronte, do tamanho de um hipopótamo e com a agressividade de um chihuahua. Lex não se deu ao trabalho de olhar direito, pois logo virou-se e correu na direção oposta.

Tanto o estudante quanto o que ele enfrentava eram claramente demais para Lex. Ele não precisava usar seus instintos para perceber, só as crateras no chão já diziam tudo. Felizmente, como ainda estava longe, nenhum deles o notou e continuaram a lutar entre si.

Assim que ficou longe o bastante, Lex fez uma pausa e começou a comer umas rações secas.

Quando seu tempo de trinta minutos acabou, Lex sentiu outro puxão de energia que o teleportou para longe.

Desta vez, Lex apareceu na boca de um vulcão. Olhou para dentro do enorme buraco, embora as ondas de ar fervente que emergiam fossem avassaladoras, e viu uma piscina de lava.

"Tenho um pressentimento ruim," murmurou.

'Senhor Zelador,' chamou a Lotus, mais uma vez. 'Posso sentir uma onda de energia espiritual vindo do subterrâneo em nossa direção. Chegará daqui a aproximadamente uma hora.'

"Não, isso não pode estar acontecendo," disse Lex para si mesmo. Sua sorte talvez não pudesse ser tão ruim assim.

Uma esfera amarela de luz surgiu no ar e começou a narrar os detalhes da sua avaliação.

"Em uma hora, este vulcão vai explodir. Em três horas, a avaliação terminará."

Uma veia surgiu no pescoço de Lex enquanto tentava reprimir a raiva. Não poderia ser normal assim. Devem estar fazendo isso de propósito com ele. Uma parte dele queria pular direto na lava, sabendo que a academia o teleportaria para fora e encerraria essa avaliação idiota. Mas, ele não conseguia confiar tanto na academia.

Lex virou-se e começou a correr ligeiro. Era uma tragédia que ele precisasse economizar o fôlego para correr, caso contrário, quem estivesse assistindo a tudo testemunharia uma série de palavrões tão criativos que poderiam ser considerados poesia.

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