O Estalajadeiro

Capítulo 211

O Estalajadeiro

Uma garotinha caminhava sozinha enquanto explorava a pousada. Embora estivesse atualmente passeando pelo jardim simples nos fundos do Pórtico da Meia-Noite, aquele era o lugar mais bonito que ela já tinha visto. Mas ela não se perdia de encantamento ao explorar aquele novo terreno. Não, ela estava investigando aquele lugar novo e provavelmente perigoso, independentemente do que a vovó Noo dissesse.

Com apenas sete anos, ela já era uma garota grandinha, então precisava fazer sua parte para proteger a família.

Falando em família, a dela era equivalente à de realeza em Vegus Minima. Vovó Noo lhe contara que seus pais eram os moradores mais fortes do planeta, e antes da chegada das forças Jotun, eles usaram seu próprio poder para proteger o maior santuário humano restante no planeta.

Embora fosse uma cidade, ela abrigava quase 10 milhões de pessoas, todas sob proteção dos pais dela por quase 200 anos. A pequena Layla cresceu quase sem jamais ver seus pais, pois eles estavam sempre lutando contra zumbis, e ela passava a maior parte do tempo sob os cuidados de Vovó Noo. Esse cuidado, em um planeta como Vegus Minima, se tratava de disciplina extrema e treinamento rigoroso.

Não passou um dia, pelo que ela se lembrava, que Vovó Noo não arrastasse e amarrasse um zumbi, e depois o obrigasse a matá-lo.

Ela cresceu sob a constante ameaça de aniquilação, então a mudança repentina no planeta a pegou desprevenida e ela não conseguiu lidar. Muitas pessoas lhe disseram que ela estava segura agora, e que não precisava se preocupar, mas ela não conseguia se adaptar. Então, continuou seu treinamento e manteve sua vigilância.

Nesta manhã, Vovó Noo lhe contou que seu pai tinha sido nomeado governador de Vegus Minima em nome do Império Jotun, e que assim que tudo estivesse resolvido, ela logo poderia morar com eles. Então, sua avó a trouxe para cá, em espera de seus pais, que estavam aparentemente em algum lugar bem longe.

Mas enquanto a avó dizia que aquele lugar era seguro, Layla não arriscaria a vida de ninguém, e por isso decidiu ela mesma explorar a área.

Ela viu muitas pessoas com roupas estranhas e animais exóticos. Apesar de parecerem não ser hostis, ela manteve distância, com uma adaga bem guardada na manga. Foi nesse momento que ela se deparou com sua primeira ameaça, e ela era extremamente ameaçadora.

Ela tinha uma cabeça oval, com um bico afiado o suficiente para atravessar um homem. Seus olhos estavam escondidos em uma faixa de penas negras, com listras brancas ao redor, como war paint. Tinha um pescoço comprido, azul, que lhe dava alcance extremo, e as penas atrás do pescoço se abriam formando um gigantesco leque. Vários olhos estavam estampados nas penas, todos fixos em Layla, como se prontos para caçar.

Justo quando ela ia segurar sua adaga, uma das senhoras vestidas com uniforme da pousada se aproximou.

"Esse pássaro se chama pavão. É extremamente dócil e afetuoso, você não precisa ter medo."

"Eu não tenho medo!", disse rapidamente Layla, embora seus olhos ainda estivessem fixos naquele predador evidente.

"Meu nome é Velma. Qual é o seu nome?", perguntou a senhora sorrindo.

No entanto, Layla não respondeu, e olhou para Velma com desconfiança. Será que essa senhora estava se aproximando para alcançar seus pais? Isso já acontecera antes, e ela não permitiria que tivesse sucesso.

Notando a desconfiança da menina, Velma decidiu mudar de assunto.

"Você está aqui com alguém? Se perdeu, posso ajudar a encontrá-los, se estiver procurando."

"Não, a vovó Noo sabe onde estou. Ela é muito forte, então sempre sabe onde eu estou!", afirmou Layla, com uma ameaça subentendida na voz. Velma, por sua vez, só sorriu ao ouvir isso.

"Então, quer que eu te mostre a volta? Se quiser, posso pedir ao Pequeno Azul para deixar você montar nele."

Antes que Layla pudesse perguntar quem era o Pequeno Azul, Velma apontou para uma baleia bebê que voava perto do chão. Atrás dela, Fenrir perseguia o mais rápido que podia. Apesar de Fenrir ter uma cultivação maior que a do Pequeno Azul, este, por estar voando, era muito mais rápido.

No começo, os dois animais pareciam extremamente assustadores para Layla, mas então ela notou muitas flores saindo do pelo de Fenrir. O Pequeno Azul tinha presenteado Fenrir com flores do plástico jardim, e muitas delas estavam presas. Desde então, começaram uma brincadeira de pega-pega que nunca terminava — principalmente porque o Pequeno Azul voava longe toda vez que Fenrir se aproximava demais.

Depois de observar por um tempo, ela admitiu que os dois animais eram fofos. Mas o que ela sentia… era algo que ela nunca tinha experimentado antes. Era uma sensação confusa, difícil de entender. Ela ficou tão atordoada que não conseguiu responder a Velma.

"Vou voltar para a vovó", disse, achando que aquele lugar era demais para ela.

"Claro", respondeu Velma, acompanhando-a de volta à casa grande.

Dentro da mansão, uma mulher de meia-idade estava sentada numa poltrona no restaurante, inclinada para trás, fumando um cigarro. Em frente a ela, Hera explicava os detalhes de um acordo comercial que Will havia proposto entre os dois planetas — ou mais precisamente, entre as duas partes de cada planeta.

Normalmente, Hera não levaria seu filho Jimmy para um ambiente assim, mas felizmente o ar na pousada era muito limpo, e nenhuma fumaça do cigarro chegava até a criança, que permanecia quieta atrás da cadeira, comedida.

Exatamente quando estavam no meio da conversa, uma menininha correu e se lançou nos braços da mulher de meia-idade, sussurrando: "Vovó Noo, aqui é muito perigoso. Vi muitos monstros."

"Se é perigoso, então forme uma equipe de caça. Não fugimos dessas coisas", disse Noo, sorrindo para a neta. "Olha só, até esse garotinho aqui está, e ele é ainda mais novo que você."

Layla virou-se para olhar Jimmy, que espiava ela por trás da mãe, e uma competição acendeu em seus olhos.

"Humph, não tenho medo. É só meu relatório de exploração", falou teimosamente, puxando-se das patas da avó e olhando para o garotinho. "Venha, você agora faz parte da minha equipe de caça", declarou ousadamente, puxando Jimmy para partir em busca de alguns pavões!

Hera hesitou, mas no final, não disse nada. Era bom que Jimmy tivesse a chance de fazer alguns amigos. Naquele dia, naquele quintal, os guerreiros galantes de pavão conquistaram seus dois primeiros integrantes.

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