O Estalajadeiro

Capítulo 119

O Estalajadeiro

1 segundo. Foi exatamente o tempo que Ragnar levou para assimilar todas as informações que Slag lhe passou, eliminar as partes desnecessárias, focar naquelas que parecia não serem importantes, mas que na verdade poderiam ser, e formar suas próprias hipóteses distintas daquelas que Slag originalmente tinha em mente. Ele era rápido não porque as informações fossem curtas, mas porque seus pensamentos funcionavam de forma imperceptivelmente mais rápida que as de humanos comuns.

Havia uma coisa, muito importante, que Slag não tinha percebido na sua avaliação da Estalagem. O erro dele na verdade não era propriamente culpa dele, mas resultado de um entendimento limitado sobre o universo.

Arriscar a possibilidade de existirem outras Estalagens não era algo que pudesse ser feito naquele momento, porque conjecturas iniciais sem evidências suficientes poderiam cegá-los para outras possibilidades e levá-los a interpretar mal novas evidências, tentando encaixá-las na narrativa que julgavam mais provável.

Também gerava uma linha de raciocínio completamente diferente, como, por exemplo: haveria diferentes Guardiões para cada Estalagem ou todas seriam geridas pelo mesmo? Como elas seriam formadas? Onde existiriam? Como seriam escondidas?

Todos esses questionamentos eram extremamente importantes, mas também serviam como distrações. Tudo precisava ser feito de forma sistemática; fazer suposições de forma aleatória levaria à ineficiência. Uma das primeiras coisas a se focar era onde exatamente a Estalagem estava.

Antes de chegar à Estalagem, Ragnar tinha equipado um dispositivo especial que transmitiria sua localização para qualquer receptor Jotun, planeta, servidor, satélite, ou basicamente qualquer coisa que pudesse conectar-se à base de dados principal deles.

Ele não esperava obter uma resposta imediatamente, mas, com a tecnologia mais avançada deles, se dentro de 24 horas os sinais não conseguissem alcançar esse dispositivo, isso indicaria algumas possibilidades bastante interessantes.

A primeira e mais provável delas era que a Estalagem estivesse em um espaço alternativo, separado do universo principal. Essa era a hipótese mais provável, pois esse tipo de coisa não era totalmente incomum. Outra possibilidade era que seus sinais estivessem sendo bloqueados de alguma forma. Essa seria um pouco menos provável. O sinal era baseado na tecnologia mais nova, que a maioria das pessoas ainda não conhecia.

Basicamente, enquanto qualquer forma de energia existisse, o sinal poderia usá-la para se propagar. Isso ia além de energias comuns, como cinética, luz, gravidade, espírito etc. Até energias de nível superior, que a maior parte dos seres nem percebia ou podia interagir, poderiam servir como meio de transmissão.

Outra hipótese, que Ragnar achava bastante provável, era que a Estalagem estivesse tão longe de qualquer ponto no universo conhecido que levasse mais tempo para o sinal chegar lá.

Essa teoria também indicava que a entidade conhecida como Estalagem da Meia-Noite era uma força vinda de territórios inexplorados do universo, e o Guardião era um cultivador com quem nenhum cultivador de topo até então tinha tido contato. Essa hipótese era problemática.

De qualquer forma, ele não iria especular até obter mais informações.

"Muito bem. A partir de agora, você vai me seguir, e se tiver qualquer nova informação, pode me informar diretamente através do sentido espiritual. Anthony, comece os testes imediatamente. Quero saber a densidade da energia espiritual, o índice de gravidade, o ciclo diurno, a concentração de oxigênio no ar, basicamente tudo que puder saber sobre esse lugar!"

"Sim, senhor", respondeu o homem, que parecia mais fraco, aquele que tinha perguntado a Lex sobre montar uma barraca de recrutamento.

Sem esperar para ver o que fariam, Ragnar saiu do cômodo, com Slag logo atrás. Lá fora, um soldado o aguardava.

"Os Demônios aceitaram a reunião?"

"Sim, senhor. Convidaram você à sala deles para a reunião. Todos estão lá, nenhum se afastou do grupo principal. Apenas um está esperando do lado de fora para que você seja convidado a entrar."

"Ótimo, vamos lá."

Ragnar decidiu primeiro encontrar os Demônios, pois tinha uma missão muito importante para cumprir. Com os demais delegados, havia assuntos realmente relevantes a serem discutidos. Com os Demônios, Ragnar só queria desabafar insultando-os!

O homem tinha passado mais de mil anos lutando contra demônios e, há tempos, tinha evoluído além de emoções mundanas como odiar Demônios por motivos justos. Agora, a visão dele era simples. Como eles eram inimigos, ele iria aproveitar para causar desconforto neles.

"Você só pode entrar sozinho", disse o Demônio que estava do lado de fora da sala, ao Ragnar se aproximar. Ele tinha um sorriso maroto, aguardando Ragnar discutir com ele, mas esse Demônio nunca tinha interagido antes com Ragnar. Como poderia conhecer a personalidade do carrasco?

"Então, vamos logo com isso", ele respondeu de forma direta, como se não se importasse se tentasse demonstrar indiferença. Ragnar não pensou duas vezes na brecha de segurança que tinha percebido na sala há pouco. Para ele, nada o deixaria mais feliz do que uma emboscada dos Demônios na própria sala.

Os soldados restantes ficaram cara a cara com o Demônio enquanto ele teleportava Ragnar para dentro. Eles sorriram, como se estivessem dando as boas-vindas a qualquer problema que ele pudesse causar. Esses eram os soldados elitizados de sua unidade. Se não enfrentassem uma experiência de quase morte todos os dias, pareceria que estavam só desperdiçando seu tempo.

No interior da sala, vários Demônios estavam sentados em sofás ou na cama, como um grupo de amigos na roda. De alguma forma, já haviam bebidas e alimentos espalhados pelo local, e havia um Demônio particularmente com uma aparência meio emo tocando um instrumento no canto. Como seria um Demônio emo?

Como um homem de 80 anos vestido como adolescente, com uma única perfuração que parecia fora de lugar e cabelos longos e despenteados que cobriam os olhos.

Loretta estava sentada num canto, comendo camarão jumbo com uma expressão que gritava avareza. Era a primeira vez que ela experimentava um 'camarão' e decidiu que amava.

"Me diga, Loretta, você não será por acaso filha do Stefan, será? Ou seria filho? Ou algum outro termo que eu não conheço o nome?"

A voz de Ragnar era muito séria, como se ele não estivesse fazendo apenas uma pergunta, mas também ofendendo-a ao mesmo tempo.

"Por que você me relacionaria com Stefan, general? Eu pareço uma descendente dos elfos?" ela respondeu, despreocupada com a tentativa de insulto do homem.

"Na verdade, não. Mas já matei três filhos dele. Pensei que matar uma filha dele seria uma boa mudança de ritmo."

Embora não estivesse mais insultando ela, a hostilidade que recebeu dos Demônios foi multiplicada. Saboreando a intenção de morte deles, Ragnar sorriu de forma generosa, como se estivesse recebendo uma massagem extremamente relaxante.

Após fita-la por um momento, Loretta relaxou novamente. "Estou um pouco decepcionada, general. É por isso que veio aqui? Para nos insultar? Esperava um pouco mais do Filho do Império."

Ragnar sorriu e olhou ao redor. Estava encarando cada Demônio nos olhos, e nenhum desviou o olhar como se estivesse desafiando-o. Ambas as partes sabiam que, numa situação onde um Ser Celestial pudesse ficar ofendido, não haveria combate. Isso tornava praticamente inúteis qualquer interação entre eles, pois não poderiam lutar e também não poderiam negociar.

Nesse caso, parecia mesmo que Ragnar só veio para insultá-los.

Finalmente, após olhar cada Demônio, ele voltou a olhar para Loretta e disse: "12 Demônios. Tirando Warheil Heil Fendal, que é uma anomalia confirmada, os demais parecem não ter relação com Stefan, o Sedicioso. Isso significa que já está na hora da nova geração entrar na batalha, e provavelmente você é a primeira, não é?"

Tenho certeza de que a aliança ficará interessada em saber que a coisa vai esquentar novamente."

Sem esperar resposta, Ragnar saiu da sala. Gostaria de ficar um tempo apreciando o desconforto deles, mas não podia correr o risco de deixá-los perceber o que ele realmente fizera.

A nova geração de Demônios permanecia ali, ignorando o homem conhecido como Açougueiro do Inferno, sem perceber que Ragnar havia absorvido todas as suas auras por meio de um dispositivo de gravação especial embutido em seus olhos. Eles pensavam que ele só queria provocá-los, mas como poderia um homem tão importante gastar seu tempo precioso só para antagonizá-los?

Logo, descobririam sua astúcia.

"Quem é o próximo?" perguntou Ragnar ao soldado, já se afastando da sala.

Enquanto isso, os humanos da Terra parecem estar realizando uma reunião própria neste momento, então, as Feras de Nibiru serão as próximas. Apenas a preguiça e o cervo aceitaram se encontrar; o resto já voltou para casa ou começou a se preparar para os jogos.

"Me leve até eles", disse Ragnar, enquanto começava a planejar seus movimentos mentalmente. Até agora, essa reunião tinha sido muito proveitosa para o Império. Estava ansioso para ver quais outros lucros poderia colher.

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