
Capítulo 221
Flores São Iscas
Lee-yeon entrou no escritório com uma lancheira vazia na mão. Preocupada em não atrair atenção indesejada, assim como na última festa, decidiu fazer um desvio pelo prédio e seguir em direção à promenade.
Olhou para o enorme jardim ao ar livre, que parecia ter pelo menos 6 mil metros quadrados, e ouviu o som de um leiloeiro usando microfone para apresentar obras de arte e cerâmicas, mas não deu muita atenção.
Mesmo que parecesse que Gyu-baek estivesse na primeira fila, Lee-yeon não tinha grande interesse pelo evento.
Pensou: “Tenho bastante tempo hoje, então vou passar o tempo com Gyu-baek.” Caminhando ao longo da promenade com essa ideia na cabeça, avistou uma senhora idosa encostada em uma árvore, pondo-se a recuperar o fôlego.
Assustada, olhou ao redor, mas não viu ninguém por perto que pudesse ajudar. Após uma hesitação, Lee-yeon se aproximou e perguntou: “Você está bem?”
“Com licença...”
A senhora idosa endireitou-se com uma respiração profunda, vestindo uma roupa elegante que parecia fora do lugar. Lee-yeon rapidamente avaliou seu estado, mas ela parecia estranhamente perturbada e apreensiva.
Inicialmente, Lee-yeon tentou passar silenciosamente pela mulher, sem se envolver, mas, após alguns passos, hesitou e voltou atrás. Afinal, de sua perspectiva, aquilo parecia estar relacionado a uma árvore.
“Hum, o que você está tocando agora, isso é uma árvore oak.”
A senhora, que tinha um lenço branco nos lábios, virou sua atenção para essa direção.
“Parece que você está tendo uma reação alérgica.”
A expressão severa da senhora suavizou-se, e ela piscou os olhos. Havia uma vermelhidão visível em seus braços e pescoço. Se alguém nunca tivesse entrado em contato com árvores oak antes, talvez não reconhecesse o sinal.
“Deixe-me levá-la ao cômodo médico. Você pode precisar de anti-histamínicos ou remédios.”
“Não, vou procurar meu médico de confiança.” Sua voz soava tensa, como se sua garganta estivesse inflamada. “Seria melhor voltar mais cedo hoje. Cough…!”
“Você sabe o caminho de volta?”
Em comparação aos participantes de uma festa sexual, as pessoas presentes eram mais refinadas, e o evento ainda começava.
Portanto, tudo ficaria bem, desde que não se aventurassem muito fundo no jardim. Lee-yeon apoiou o braço da senhora e começou a caminhar.
“É uma obra de Marc Chagall, ‘Retrato’. Estava avaliada oficialmente em 3 mil rublos na Rússia, mas, depois de contrabandeada para o Ocidente, foi vendida por 550 mil dólares. Agora, ela está sendo apresentada do nosso lado.” A mulher murmurou, e Lee-yeon concordou com a cabeça.
Ao se aproximar do jardim, o ambiente ficou mais animado. A luz quente do sol e as risadas elegantes pareciam se misturar como uma mesa bem decorada.
Lee-yeon parou em um ponto onde o asfalto e a grama estavam claramente separados. Trocaram cumprimentos num lugar adequado e ela ficou de trás, observando a mulher seguir rumo ao cômodo médico com segurança.
Somente após confirmar que sua acompanhante estava dentro da sala ela conseguiu desviar o olhar.
Foi quando ela virou-se e fez um aceno de cabeça com os servidores, governantas e jardineiros conhecidos no lado do asfalto.
“Ahhh!!!”
Um grito que parecia arrancar os cômodos gritou, paralisando suas pernas.
O coração de Lee-yeon afundou até o chão, e, ao ver seus olhos tremendo, tudo parecia desacelerar.
Havia uma mulher de aparência estrangeira, com a testa perfurada, sangrando bastante. Ela caiu para frente, sem sequer fechar os olhos.
“…!”
Todo mundo congelou, e um silêncio terrível caiu sobre a cena.
Mas, antes que pudessem entender a situação, os segundos e terceiros tiros começaram incessantemente.
De algum lugar, ouvia-se o som contínuo de “tat-tat-tat” de tiros. Mesas desabaram, garrafas de vidro se quebraram, e as mercadorias ilegais no palco viraram um caos.
“Que porra é essa…!”
“Ah!”
As mulheres no jardim entraram em pânico e correram para se esconder, enquanto os seguranças dentro do prédio saíram correndo. Cães latiam alto, e alguém gritou.
Até mesmo Lee-yeon, que tinha perdido a compostura, começou a dar alguns passos para trás. Tudo que estava em pé foi destruído.
Então, Kwon Ki-seok, com expressão fria e resoluta, colocou uma orelha contra o rádio e moveu os lábios.
“Faltam três minutos até fechar a porta. Saiam daí rapidamente.”
Ao ouvir a voz de Kwon Hee-joon, cheia de risadas, o atirador finalmente soltou a mão do gatilho. Seguindo a ordem de Kwon Hee-joon, ele disparou uma chuva de balas, destruindo o palco semi-circular.
Enquanto checava a distância de 1,5 km através do escopo, seus olhos encontraram inesperadamente os de Kwon Ki-seok, que escaneava os arredores.
“…!”
Kwon Ki-seok parecia estar mais ou menos localizando a posição do atirador a partir da direção dos tiros.
O homem, suando frio, desmontou rapidamente sua arma e saiu de sua posição.
Naquele momento, Kwon Chae-woo, que tinha protegido o atirador sob o pretexto de segurança, tocou seu ouvido. Na confusão, onde a esposa do embaixador paquistanês foi morta e o jardim virou campo de batalha, Kwon Ki-seok deu ordens com a voz um pouco ofegante.
“Eliminem eles.”
As ordens estavam pouco claras. Quando Kwon Chae-woo colocou o sniper que se aproximava no carro.
“Elimine agora os funcionários visíveis da mansão.”