Flores São Iscas

Capítulo 157

Flores São Iscas

“Você sabia desde o começo, não é?” perguntou Kwon Chae-woo.

Ardências subiram pela pele de Lee-yeon, descendo pelo pescoço. Era uma pergunta devastadora, que destruía o chão sob seus pés, e ela só conseguiu piscar, sem conseguir mover-se. Algo que ela vinha segurando há algum tempo começava a se desfazer finalmente.

“Desde quando? Foi quando eu me forcei sobre você?”

“Naquela época, eu ainda estava recuperando os sentidos e não fazia muito tempo, então minha imitação foi um pouco desajeitada.”

Lábios malignamente feitos, uma zombaria claramente visível e uma estranha euforia que ela não conseguia identificar. Kwon Chae-woo parecia uma fera finalmente devorando sua presa.

“Ainda assim, não foi bastante parecido?”

Ele riu novamente, como se estivesse imitando um fantoche sendo manipulado. Não havia emoção nem substância naquilo, apenas uma imitação que continuava a brincar com Lee-yeon.

Ela forçou-se a respirar fundo e apertou suas mãos frias e úmidas, mesmo que fosse à força. Diversas palavras giravam em sua cabeça, mas, infelizmente, a única frase mais fraca grudou nos lábios dela.

“Quanto você se lembra?” Sua voz tremia sem controle. “…Você se lembra de mim?”

Lee-yeon nem piscou para confirmar seu próprio reflexo naspupilas dele. Ao olhar para ele com olhos desesperados, o sorriso de Kwon Chae-woo se aprofundou.


“Claro que eu me lembro de você. Nunca te esqueci, nem por um instante.”

“…!”

Uma luz de esperança brilhou em seus olhos.

“Como eu poderia esquecer você, mulher que fingiu ser minha esposa… uma mulher envolvida em me transformar em um homem vegetativo?”

Suas palavras cheias de esperança foram recebidas por um tom cortante que a deixou se sentindo derrotada.

“Você se divertiu me domar, Lee-yeon?”

Apesar de sua visão estar dividida em quatro, Kwon Chae-woo conseguiu sorrir com facilidade.

Talvez ele tivesse recuperado todas as memórias. A mente de Lee-yeon ficou branca diante da situação repentina, sem saber como se defender. Era um medo fundamental que ela carregava desde que conheceu Kwon Chae-woo – algo que ela não queria que fosse exposto, mas ao mesmo tempo, algo que desejava revelar a todo momento.

Ela cerrava o punho enquanto se mexia nervosamente.

“…Desculpe-me por mentir. Eu tinha tanto medo de você naquela época. Eu realmente… só queria me salvar, mas ninguém acreditava em mim. Foi alguém outro que fez o Chae-woo cair… nem mesmo o irmão do Chae-woo se interessou pelo que eu tinha a dizer.”

O homem olhou fixamente para Lee-yeon, sem expressar emoções.

Lee-yeon olhou de volta para ele, procurando qualquer vestígio do homem que conhecia. Sentiu um nó na garganta, mas conseguiu engolir em seco. “Mas o Chaewoo sabe que eu agi em legítima defesa, não é?”

“….”

Ele se lembrou do momento em que perseguira Soyeon, achando que ela era só uma testemunha qualquer. Lembrou-se de como apertou a garganta, fazendo o máximo para manter a boca fechada. Ao pensar nisso, sua visão começou a girar e seus dedos tremeram.

Kwon Chae-woo rangeu os dentes e, com esforço, conseguiu se recompor.

“Desculpe pelo blefe escandaloso, não foi uma ação para me proteger.”

“….”

“A mentira foi… sinto muito. Vou me desculpar o bastante até você se sentir melhor, Sr. Chae-woo…”

Abaixando a cabeça como uma flor quebrada, ela olhou apenas para os pés. Não tinha coragem de olhar nos olhos dele, e, enquanto permanecia com o olhar baixo, uma lágrima quente caiu de repente, molhando o chão. Ela mordeu seus lábios trêmulos uma vez.

“…Ainda assim, aquela mentira mudou minha vida completamente.”

Lee-yeon franziu a testa débilmente enquanto agarrava a manga dele.

“Foi a primeira vez que alguém me amou tanto a ponto de me sufocar, me segurar como se estivesse lutando contra o mundo inteiro.”

“….”

“Então tudo bem, pode ficar bravo comigo, ficar frustrado… vou fazer melhor—”

“Você ainda não acordou do sonho.” Kwon Chae-woo a interrompeu friamente.

A terra parecia girar sob seus pés. Ele pegou fraco nos cabelos da mulher, levantando-os como se estivesse puxando-a pra fora da água, deixando só seu queixo à mostra.

“Não adianta, não importa o que você faça. Você nunca mais verá seu marido.”

“O quê… o que isso quer dizer?”

Kwon Chae-woo se abaixou e a olhou como um predador apontando sua presa. Sussurrou cruelmente,

“Aqui mesmo, agora, vou apagar todas as memórias relacionadas a você.”

“Sr. Kwon…”

“O que é injusto? Eu só estou voltando tudo ao que era antes.”

“…”

“Então esqueça tudo.”

Ele bateu com a língua no céu da boca, soltando os cabelos dela, e Iyeon nem teve coragem de tocar o couro cabeludo entorpecido.

“Uma pessoa deveria ter um pouquinho de vergonha.”

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