
Capítulo 216
Flores São Iscas
As pálpebras de Lee-yeon tremeram. Uma sirene de alerta soava em sua mente, dizendo para não assistir mais. No entanto, ela não conseguia desviar o olhar.
A cena que se desenrolava diante dela parecia surreal, quase como uma tela de televisão reproduzindo suas memórias. Os dois juntos, era como uma janela para o seu passado.
A mulher puxou a cintura de Kwon Chae-woo para mais perto, fechando os olhos em conforto. Um sorriso suave adornava seus lábios. Era um sorriso genuíno, não uma atuação. Revelava uma satisfação primal que emergia ao se entregar ao toque de alguém.
De repente, Kwon Chae-woo se inclinou em direção à mulher, envolvendo-a com os braços na cintura.
A garganta de Lee-yeon ficou fria e, por alguma razão inexplicável, ela se sentiu sufocada. Era um movimento insignificante, mas parecia monumental e arrepiante, como um trovão.
Naquele momento, enquanto sua temperatura subia constantemente, Lee-yeon percebeu a força subjacente que possuía.
Precisamos seguir caminhos separados, ela havia insistido, mas ele teimosamente se agarrou a ela. Enquanto Lee-yeon embarcava em uma nova vida, Kwon Chae-woo deveria abraçar um novo dia.
“Talvez… ele nunca realmente desejou viver”, pensou ela.
As emoções intensas que ela pensava ter deixado para trás ainda persistiam, mesmo em seus sonhos. O rosto de Lee-yeon se contorceu ao testemunhar a explosão repentina de paixão.
Não era um mero amor não correspondido; era mais complexo, um ressentimento profundo por uma vida que não pôde ser salva.
Ela não conseguia desviar o olhar enquanto o casal na cama se tornava mais íntimo. Os braços fortes do homem ao redor da mulher a incomodavam. Seu coração acelerou.
Kwon Chae-woo, atraído pelo cheiro familiar, se inclinou no da mulher…
Em um instante, Lee-yeon fechou os olhos com força.
"Ahh!"
"Mestre!"
Não estava claro de quem veio o grito primeiro, mas o grito de Jang Beom-hee ecoou primeiro. Lee-yeon abriu os olhos e viu Kwon Chae-woo, que havia agarrado o cabelo da mulher, atacando-a como se estivesse esperando o momento certo.
Com os olhos semicerrados, ele empurrou a mulher com força. Ela gritou e agarrou o couro cabeludo, e Kwon Chae-woo a agarrou pelo pescoço.
Em pouco tempo, ela foi subjugada, ofegante e sufocando. Jang Beom-hee já estava tentando conter Kwon Chae-woo, e Lee-yeon havia fugido.
O quarto, antes tranquilo, havia se transformado em um campo de batalha caótico.
"Mestre, por favor, se acalme!"
"Droga, meu… aquele filho de uma…"
Kwon Chae-woo estalou como uma fita quebrada, seu olhar desfocado perturbador. Seja por causa do sono ou dos efeitos de alguma droga, seus olhos pareciam ainda mais estranhos como resultado.
Ele parecia estar tentando recuperar a compostura, mordendo deliberadamente o lábio com força suficiente para sangrar. Sua língua ressecada então passou sobre a ferida, deixando uma mancha carmesim em seus lábios.
Seu comportamento perturbador deixou Lee-yeon enojada. Se houvesse uma faca no quarto, ela suspeitava que poderia tê-la usado para libertar a mulher.
"Por favor, senhor, me deixe ir!" ela implorou.
"Beom-hee, você está tentando me ferver vivo?" ele riu maniacamente como se estivesse perdendo a cabeça.
Kwon Chae-woo apertou seu aperto no pescoço da mulher, e ela gritou de terror. Seus olhos, desprovidos de sanidade, vagueavam ao redor como se tentassem se concentrar em algo.
"Onde você conseguiu essas roupas? Onde está o dono dessas roupas?" Kwon Chae-woo murmurou incoherentemente.
A mulher, ofegante, só conseguia soluçar em resposta.
"Qual o significado de usar essas roupas, fingindo ser alguém que você não é?" Kwon Chae-woo continuou, seu rosto assustadoramente estóico. "Por que eu sinto esse cheiro familiar?"
A mulher continuou a implorar por sua vida, mas Kwon Chae-woo foi implacável em seu questionamento, balançando sua cabeça desorientada.
"Onde está Lee-yeon? Onde está o dono dessas roupas? Você as roubou? Você pegou o que não queria?"
Em uma explosão repentina de movimento, os ombros de Kwon Chae-woo se agitaram, e Lee-yeon aproveitou a oportunidade para se colocar entre ele e a mulher.
"Se acalme!" ela insistiu.
Ela agarrou as bochechas do homem com força, causando um tapa audível. Kwon Chae-woo, como se tivesse saído de um transe, imediatamente soltou a mulher e brutalmente mudou sua atenção para Lee-yeon.
A transformação foi tão rápida e selvagem que Lee-yeon involuntariamente se encolheu, seus dedos tremendo.
Suas ações frenéticas chegaram a um ponto de parada quando ele pareceu reconhecer Lee-yeon. Sua mania diminuiu, e ele pressionou seus lábios contra o pescoço dela em um movimento natural e inevitável.
"Lee-yeon, eu… eu quase… fui forçado?" ele gaguejou.
"O quê?" Lee-yeon respondeu, surpresa.
"Droga, o que eu deveria fazer? Fui enganado? Alguém mais me teve?" Seus lábios roçaram sua pele a cada palavra, formigando.
As sobrancelhas de Lee-yeon se franziram. "Do que você está falando?"
"Aquela mulher insana, ela queria me ter. Usando suas roupas, como se isso mudasse alguma coisa." Suas divagações incoerentes se misturavam com soluços.
"Não, não, não era essa a intenção dela", Lee-yeon começou, mas ele a interrompeu.
"Foi estranho. Eu quase… eu estava indefeso. Ela usava suas roupas. Ela cheirava exatamente como você. O que ela queria que acontecesse?"
Suas palavras se espalharam sem rumo junto com seus soluços.
"Não, não foi assim. As intenções dela não eram assim", Lee-yeon tentou explicar.
"Eu já te vi e te provei, mas eu poderia ser enganado apenas pelo seu cheiro…"
Kwon Chae-woo continuou a esfregar o rosto no pescoço de Lee-yeon, aparentemente incapaz de se controlar, e suas palavras se tornaram cada vez mais incoerentes.
"É estranho. Não consigo sentir nada no meu corpo. Quanto tempo, quanto tempo eu estive dormindo?"
Lee-yeon permaneceu em silêncio.
"Meu… parece estranho. Droga, meu corpo está estranho, Lee-yeon."
Lee-yeon lançou um olhar furioso para Jang Beom-hee, que respondeu com inocência. "Que droga… Isso é mesmo um sonífero? Tem certeza de que usou soníferos? Que tipo de remédio você colocou lá?!"
Então Kwon Chae-woo abruptamente enfiou a mão na roupa de Lee-yeon, tremendo. Ele engasgou com um soluço.
"Lee-yeon, alguém mais tocou no meu… Eles continuam me forçando, me violentando…"
Lee-yeon ordenou: "Saiam, todos vocês, agora mesmo."
Ela elevou a voz, empurrando Jang Beom-hee e a mulher para fora.
Até então, ninguém percebeu que os olhos de Kwon Chae-woo estavam completamente secos.