
Capítulo 183
Flores São Iscas
“Eu não acredito que não tem nenhum inseto aqui! Tem alguma coisa muito errada aqui!” Gyu-baek exclamou.
Com pessoas morrendo a torto e a direito, todo tipo de coisa podia acontecer ali.
Primeiro, Gyu-baek, apesar de saber que tinha sido sequestrado, estava alegre como uma criança que recebeu patrocínio da família Kwon.
Segundo, Lee-yeon estava ali com ele.
Não importava o quanto Kwon Chae-woo pensasse sobre isso, tudo parecia absurdo. Como Lee-yeon e Gyu-baek podiam estar ali?
Kwon Chae-woo se sentiu de mãos vazias e instintivamente fechou o punho. Era porque ele queria segurar a mão dela ou porque estava segurando sua presa? Era difícil dizer.
Tendo destruído tudo e chegado a esse ponto, agora, de todas as horas, as memórias estavam voltando. O impulso estava liderando à frente da razão a um ponto onde nem ele conseguia prever.
“Lee-yeon.”
Lee-yeon, em troca, apertou os lábios e endureceu sua expressão. “…Não me chame assim.”
“Então, como devo te chamar?”
“Assim como antes, me chame de ‘você’ e fale informalmente. Continue me chamando assim, sem parar. Isso me tranquiliza.”
“…”
Kwon Chae-woo só conseguiu ficar parado, incapaz de acreditar na resposta fria de Lee-yeon novamente.
Naquele momento, o motorista que tinha saído do banco do motorista tremeu ao entregar a mala dela. Lee-yeon a aceitou e segurou a mão de Gyu-baek.
Tendo completamente ignorado Kwon Chae-woo em sua linha de visão, Lee-yeon logo se viu sobrecarregada por um cheiro familiar. Sem aviso, Kwon Chae-woo separou à força as mãos unidas deles.
“Eu esperei porque você disse que ia encontrar Gyu-baek. Isso não significa que é minha vez agora?”
“…”
“Por que você está segurando a mão do garoto? Eu não entendo.”
A voz já baixa afundou ainda mais fria.
“Acho que Lee-yeon se confundiu com a ordem.”
“…”
Era um tom que transmitia uma certa pressão, sugerindo que era natural que ela estivesse confusa e que nenhuma outra razão seria aceita. Em resposta, Lee-yeon se virou com irritação nos olhos.
O fato de que a pessoa tinha mudado, mas seu cheiro permanecia o mesmo a incomodava inesperadamente.
“Você nunca terminou com a mulher que você encontrou antes?”
A expressão de Kwon Chae-woo enrijeceu.
“Você não entende o significado de terminar? Quando você destruiu o violoncelo, matou a árvore sagrada e me descartou como se eu não fosse mais necessária. Mesmo se nos encontrarmos por acaso algum dia, fingir não nos conhecermos seria a cortesia mínima. A única coisa que resta entre nós é essa cortesia básica.”
“…”
“Então, por favor, você não pode pelo menos agir decentemente?”
A testa de Kwon Chae-woo franziu levemente. Ela parecia estranha, expressando auto-reprovação e rejeição por todo o corpo.
“Quando terminamos, não havia nenhum traço de consideração, e agora há ainda menos consideração sua. Eu acabei de chegar de uma viagem. Por favor, me deixe descansar.”
Os músculos em sua mandíbula se tensionaram. O olhar de Lee-yeon, cheio de desgosto, parecia um aperto forte em sua garganta.
Enquanto ele mantinha uma expressão como se pudesse arrastá-la a qualquer momento, ele não conseguia nem mover um dedo.
Além disso, a mulher diante dele não era a pessoa que Kwon Chae-woo se lembrava. Ela não era gentil com ele.
Quando ele percebeu que ela era uma nova Lee-yeon que ele não tinha experimentado antes; sua voz saiu embargada como se estivesse contida por uma rachadura.
“… Aquela é a casa principal. Você sequer sabe onde é antes de entrar?”
“Por que você está fazendo tanto drama quando nem sequer estamos dividindo um quarto?”
A casa principal era onde Kwon Ki-seok residia.
Quando Lee-yeon descartou casualmente, um sorriso irônico se espalhou pelo rosto de Kwon Chae-woo, mas não era um sorriso genuíno. Era mais como uma geada arrepiante.
“Lee-yeon, mesmo como uma piada—”
Naquele momento, o corpo de Lee-yeon repentinamente estremeceu.
Kwon Chae-woo agarrou sua gola suavemente e casualmente limpou sua mão ensanguentada em suas roupas, que estavam manchadas por ter estourado a janela de vidro. O sangue vermelho fresco espirrou em seu pescoço, deixando marcas enquanto suas pontas dos dedos calejados arranhavam e roçavam a pele sob sua orelha.
“Eu não sou de dizer essas coisas.”
Sua voz trêmula chegou a ela como uma brisa suave. Inconscientemente, Lee-yeon apertou o tecido na ponta dos dedos e prendeu a respiração. “Você quer testar meus limites? Quão terrível eu posso me tornar?”
Enquanto o cheiro pungente de sangue subia nauseantemente, Kwon Chae-woo encarou Lee-yeon como se a perfurasse.
Somente depois de observar seus cílios trêmulos ele finalmente relaxou sua expressão. Parecia que sua frustração reprimida só poderia ser aliviada ao ver qualquer tipo de reação dela em relação a ele.
“Lee-yeon, respire.”
Ele deu leves tapinhas nas costas dela, insistindo para que ela respirasse. Lee-yeon virou a cabeça bruscamente para encará-lo. Quando seus olhos se encontraram de perto, ele involuntariamente contraiu uma de suas sobrancelhas.
Seus olhos castanhos e arrumados eram como uma fornalha aquecida, cheios de intensidade, mas também revelavam um anseio inegável. Lee-yeon piscou, confusa e furiosa.
“P-Por que você está agindo assim?”
“…”
“Certamente, você não se esqueceu de novo? Sou eu, eu. A pessoa que você disse que treme só de olhar para você.”
“Eu me lembro.”
“Então me ignore, como se eu fosse invisível mesmo estando bem na sua frente!”