
Capítulo 174
Flores São Iscas
“Você odeia So Lee-yeon?”
Kwon Chae-woo encarou o irmão atônito. Ele foi quem o forçou a ir para Hwaido quando ele começou a se tornar violento após perder Yoon Joo-ha. Ele foi quem ameaçou So Lee-yeon depois de seu estranho acidente e a forçou a cuidar dele. Ele foi o motivo de todas as mentiras, ele a empurrou por tudo isso.
Ele não tinha ideia do que Kwon Ki-seok estava tentando alcançar, mas ele sabia de uma coisa—
“Aquela flor foi de fato usada como isca.”
A flor. Tão menor e mais bonita que uma árvore. Era o nome da garota que Yoon Joo-ha havia dito que era uma flor.
Será que So Lee-yeon era a pessoa sendo enganada por Kwon Ki-seok ou era Kwon Chae-woo se enganando? Talvez fossem os dois.
Kwon Chae-woo cerrou o punho. Em sua mão, ele segurava uma rosa que perfurava sua pele. Sangue começou a cair no chão.
Será que foi apenas coincidência eu ter me apaixonado por você? ele não pôde deixar de se perguntar.
So Lee-yeon tinha que estar segura em Hwaido, ele sabia disso. Mas ele não pôde evitar cerrar os olhos diante do vazio que sentia.
***
A mão de Lee-yeon tremia enquanto sua mente se tornava cada vez mais confusa. Como chegamos aqui?
O cais de Hwaido era um lugar pacífico. Geralmente era cheio de vida, cheio de pessoas. Mas agora estava vazio.
Bem, vazio exceto pelos homens que estavam de guarda, cada um deles estoico e mantendo sua formação, e Kwon Ki-seok, cujos olhos afiados estavam fixos nela.
Será que eles limparam o lugar antes de chegarmos aqui? Parecia que até o vento havia escolhido ficar incomumente quieto.
Lee-yeon olhou para a xícara de chá que estava segurando.
“Você está com frio?” Kwon Ki-seok perguntou a ela.
“Não, não estou com frio nenhum.”
Nada pode ser tão frio quanto seus olhos.
Quando ela falou com Kwon Ki-seok ao telefone, ela pediu que ele mantivesse Gyu-baek seguro. Era um pedido razoável. Mas ele desligou assim que ela terminou de falar. Ele não atendeu mesmo quando ela tentou ligar para ele novamente por horas. Quando ele atendeu, ela exigiu ouvir a voz de Gyu-baek e ele simplesmente desligou novamente.
Ela desperdiçou três horas ligando para ele repetidamente, tentando fazê-lo ouvi-la. Quando ela finalmente pediu para falar pessoalmente, ele aceitou. E foi assim que eles acabaram no cais.
“É uma pena que você tenha terminado com Chae-woo desse jeito”, ele disse.
Lee-yeon engasgou com o chá com a menção repentina de Kwon Chae-woo.
“Você tem agido como se não tivesse intenção de manter contato com nossa família de forma alguma.”
“É porque eu não tenho intenção de manter contato.”
Foi a vez dele parecer surpreso, ele ergueu a sobrancelha, imaginando o que ela queria dizer.
“Tudo bem”, ela continuou. “Eu não estou aqui para falar sobre Kwon Chae-woo.” Ela tentou esconder o rosto fingindo beber chá, mas o olhar implacável do homem a forçou a colocar a xícara no chão. “É sobre Gyu-baek. Eu quero que você o mande de volta. Incolume.”
Kwon Ki-seok deu de ombros. “Pegue-o você mesma.”
“O quê?”
“Eu disse para você pegá-lo você mesma.”
Lee-yeon olhou para ele com os olhos arregalados. Ela não tinha ideia do que ele queria dizer.
Quando ele percebeu que ela estava sem palavras, Kwon Ki-seok ofereceu mais: “Se você não o pegar, eu o trancarei em uma casinha de cachorro.”
“O quê?” Lee-yeon não sabia se tinha ouvido direito, mesmo que suas palavras fossem claras.
“Não aja tão surpresa”, ele disse. “Você deve ter esperado algo assim. É assim que nossa família molda nossos prodígios, é só isso.”
“Vocês os trancam em uma casinha de cachorro?”
“É assim que nos livramos de qualquer senso de humanidade que eles possam ter e os fazemos nos obedecer. Como cães.”
Lee-yeon agarrou sua xícara de chá, buscando algum tipo de calor. Mas já estava fria. “Do que você está falando?”
“Estamos sempre precisando de mais pessoas”, Kwon Ki-seok disse a ela. “Cada pessoa conta. Então, se você planeja tirar um de nossos funcionários, o que devemos esperar de você em troca?”
Ela ficou sem palavras. O que ele quer?
Ele se inclinou para frente, sorrindo. “Eu vou te perguntar mais uma vez: O que você pode me dar?”
A mente de Lee-yeon voltou para o que havia acontecido dois anos atrás. O cais era tão aberto em comparação com onde eles tinham estado. Não havia cheiro de sangue aqui, nem mesmo o cadáver de um animal. Aqui, havia apenas o cheiro do mar e os sons das gaivotas. E ainda assim seu coração ainda batia forte enquanto sua ansiedade aumentava.
Era a primeira vez que ela via Kwon Ki-seok sob o sol, e isso de alguma forma piorava as coisas.
“Nós colocamos um mês de trabalho naquela criança”, ele disse a ela. “Então, eu deveria ter esse mês de volta. O que você vai me dar por um mês?”
Sua mente ficou em branco. Ela não tinha ideia do que poderia dar a ele, além das coisas óbvias que as mulheres poderiam oferecer.
“O quê?” ele insistiu. “Você não consegue pensar em nada de bom?”