
Capítulo 140
Flores São Iscas
Ela sabia que ele não falava sério. Ignorando a crescente irritação em seu peito, respirou fundo e sentou-se em cima de uma grande pedra. Choo-ja percebeu que ela estava pálida e desceu a montanha para buscar remédios. Lee-yeon pensou no longo dia que tinham pela frente e enxugou o suor da testa.
Tudo parecia uma bagunça. O chão tinha sido remexido e havia tanto lixo que uma pequena montanha havia começado a se formar. O lugar clamava por ajuda. Enquanto Lee-yeon olhava ao redor, ela de alguma forma se lembrou de Kwon Chae-woo. Mas tentou ignorar seus pensamentos.
Então, como se algo tivesse lido sua mente, ela ouviu passos se aproximando. Viu uma grande silhueta se aproximando e se levantou.
Ele estava segurando uma foice e, quando a viu, fingiu estar olhando para a floresta. Parecia arrumado, com sua camisa de time fechada até o queixo e o cabelo penteado para trás. Havia uma expressão de insatisfação em seu rosto e, mesmo tendo feito sexo na noite anterior, isso deixou Lee-yeon ansiosa para abordá-lo.
Ela brincou com a bainha de sua blusa enquanto falava. "Você dormiu bem ontem à noite?", perguntou, então não pôde deixar de acrescentar: "Você dormiu ao meu lado?"
"Sim, eu dormi bem."
Ela ficou chocada com a suavidade de sua voz, mas não pôde deixar de pensar que soava forçada.
"De qualquer forma, estamos em um bom lugar."
"Desculpe?"
"Não tem ninguém aqui."
A respiração de Lee-yeon falhou. *Aqui?* Tudo estava imundo. Era tudo uma bagunça.
"O que você quer dizer?", perguntou.
"Não tivemos muito tempo para conversar", disse ele. "O julgamento aconteceu assim que você acordou." Ele ajustou sua empunhadura na foice e se aproximou. "Qual é a recompensa?"
Lee-yeon podia sentir suas palmas começando a suar.
"Estou curioso para saber qual era a história. Você pode me contar?"
"Bem..." ela hesitou, desviando o olhar dele. "É apenas uma história antiga. Não é nada." Sua voz estava baixa agora e ela tentou ao máximo mostrar o quão desconfortável estava, mas tudo o que ele fez foi encará-la calmamente. Com seus olhos, claros e brilhantes, apontados diretamente para ela, ela sabia que não podia ficar quieta.
"Eu ajudei alguém que parecia desesperadamente precisar de ajuda", ela finalmente disse. "Lembra da árvore cantante que te falei em frente à Árvore Sagrada? Aquela que te contei antes de você ir para a cama?"
Kwon Chae-woo ergueu uma sobrancelha. Já se falava o suficiente sobre a Árvore Sagrada sem as narrativas de Lee-yeon da versão de Jang Beom-hee. Ele assentiu.
"Bem, era uma mulher", disse Lee-yeon. "Ela parecia jovem, mas já tinha um filho. Ela ficou na minha casa por cerca de um mês e depois foi embora. Foi uma curta estadia, mas a família dela mandou dinheiro como agradecimento. Usei esse dinheiro para a conta do hospital do meu tio quando ele estava doente. É só isso." Ela podia sentir sua garganta se apertar enquanto falava. Seu coração estava acelerado e sua boca estava seca. Ela tentou ao máximo esconder o tremor em sua voz.
Kwon Chae-woo se inclinou para ficar à altura dela. Ele olhou diretamente em seus olhos. "Lee-yeon", disse ele. "Eu te disse para parar de mentir."
Um arrepio percorreu sua espinha.
"Eu te disse que estou farto disso. Já tive o suficiente de tudo isso."
Era como se sua língua tivesse congelado. Ela não conseguia falar.
"Lee-yeon, eu sei como arrancar a verdade das pessoas. É fácil para mim", disse ele, ignorando a forma como seus olhos se arregalaram. "Mas eu não quero fazer isso com você. Eu sou seu marido, então devo ser gentil com você como minha esposa."
Embora sua voz fosse suave e gentil, Lee-yeon não pôde deixar de sentir como se estivesse sendo ameaçada. Mesmo que ele estivesse apenas parado na frente dela, ele ainda estava segurando uma foice. Seu corpo se moveu sem pensar e ela deu um passo para trás.
"O que foi?", perguntou ele. "Você não quer me contar mais sobre o passado? Como minha esposa, você não quer deixar seu marido saber dessas coisas?" Quando ela não respondeu, ele continuou. "Devo parar?"
Então, seu rosto mudou ligeiramente. Suas narinas agora estavam dilatadas e ele estava franzindo a testa enquanto olhava ao redor da área. Algo cheirava diferente. Era como se o cheiro de óleo tivesse dominado o cheiro da grama. Ele olhou de volta para ela.
"Tudo depende de você agora, Lee-yeon", disse ele. "O que exatamente você fez?" Seus olhos estavam frios agora.
Lee-yeon se perguntou se ela de alguma forma tinha tido uma insolação. Suas pernas agora estavam perdendo força e ela estava começando a suar frio. Sua mente estava confusa, como se estivesse presa em um pântano.
Uma imagem passou pela sua cabeça. Era um cartaz. Um cartaz de alguém que precisava ser encontrado.
*"Alguém está me perseguindo! Por favor! Por favor, me esconda! Me ajude!"* A mulher estava implorando na frente da então mais jovem Lee-yeon.
Mas... era uma recompensa de 200.000 dólares.
Ela se lembrou de estar mais convencida pela quantia de dinheiro do que pelo apelo da mulher. Ela tinha olhado para o rosto da mulher. Tinha sido o rosto no cartaz. Ela se lembrou de como Choo-ja tinha dito que seu tio precisaria de cirurgia e quimioterapia para salvar sua vida. Então—
"Eu liguei para eles." Ela deixou escapar.
Kwon Chae-woo agarrou a foice. Ele tinha sido quem disse à sua mãe para ir à casa da garota, à casa de Lee-yeon.
Lee-yeon olhou para ele seriamente. "Eu tinha minhas prioridades", disse ela. "Eu não me arrependo de ter escolhido meu tio."
"Você não se arrepende?"
Antes que ela pudesse responder, Kwon Chae-woo começou a rir. Ele pensou na mãe que tinha perdido, a mãe que tinha morrido no porão debaixo de seu quarto. Ela estava bem ali e ainda assim tinha morrido. Enquanto ele olhava ao redor da floresta, não havia nenhum vestígio de vida em seus olhos.
"Você não está curiosa para saber o que aconteceu com aquela mulher?", perguntou ele. "Você não quer saber o que aconteceu com a mulher que você vendeu para prolongar a vida do seu tio?"
Lee-yeon desviou o olhar. "Eles me disseram que ela voltou para casa. Eu gosto de pensar que ela está bem."
"É bom que você pense assim", disse ele, suas palavras a cortando quando ele sabia que doía. "Geralmente as presas não sobrevivem", acrescentou em um sussurro.
Ela franziu a testa para ele enquanto ele começava a recuar. Ela percebeu que essa conversa era outra coisa, ela não entendia sua totalidade. Tudo era estranho, tudo a deixava desconfortável. Ela olhou para o homem que já estava se afastando dela.
"Nós nos encontramos nos termos errados", disse ele.
"Eu não sei o que você está tentando dizer, Chae-woo."
"Tudo bem se você não sabe." Ele começou a rir. "Eu sempre fui um pouco perturbado aqui", disse ele, apontando para sua cabeça. "De qualquer forma, obrigado pela sua resposta." Ele balançou a foice contra uma árvore e a deixou cravada no tronco.
"Chae-woo!", Lee-yeon chamou, mas não adiantou. Ao se afastar dela, a última coisa que ela viu foi a expressão em seu rosto: meio sorrindo e meio chorando.
Então, *boom!*
Ela cobriu a cabeça com a inesperada explosão. Havia fogo espalhado por toda a área. Logo, havia fumaça por toda parte. Ela tentou fugir, mas o fogo já estava tão forte que parecia que sua pele estava derretendo.
Lee-yeon olhou para o lugar onde Kwon Chae-woo tinha estado. Ele tinha sumido.
E então, *boom!* Houve outra enorme explosão.