Flores São Iscas

Capítulo 155

Flores São Iscas

Lee-yeon descobriu pela primeira vez que uma pessoa podia se transformar em árvore.

Naquela noite, a senhora que a visitou sem avisar foi definhando aos poucos. A hóspede que chorava e implorava enquanto arranhava a porta foi silenciando. Ela parou de falar, parou de comer e não saía do canto do quarto.

Seus lábios ficaram secos, e seu rosto desidratado ficou áspero como a casca de uma árvore. Seus olhos permaneciam abertos, mas ela piscava tão lentamente que não parecia mais estar viva.

Uma pessoa pode morrer assim?

Lee-yeon mordia os lábios cada vez que retirava a refeição intocada. Apesar do desespero da mulher, Lee-yeon não podia deixar de sentir que era mais fácil quando ela ainda chorava e implorava por ajuda.

Parecia que ela tinha desistido da vida.

A forma como ela estava não era diferente de como seu tio estava quando estava morrendo de câncer. Então Lee-yeon decidiu.

“... S, senhora, isso é mingau, então vai ser mais fácil de comer... Você só precisa comer uma colher…”

“Eu não vou à escola amanhã, senhora. Você não vai ficar sozinha aqui.”

“Dizem que este é o programa de variedades mais popular. Vou deixar ligado…! Você pode colocar no volume que quiser!”


Lee-yeon começou a conversar com ela, mesmo que ela não respondesse. Por que ela estava assim?

Lee-yeon, com 17 anos, não conseguia entender Yoon Joo-ha tanto quanto seu próprio nascimento, mas queria que ela voltasse a ser animada. Olhando para trás agora, ela se tornou a primeira árvore que Lee-yeon mais se esforçou para salvar.

“Senhora, ouvi dizer que o galho do abeto-da-noruega [1] sempre cresce em direção à luz do sol, não importa o quão escuro esteja. Ele se esforça ao máximo para viver, alcançando a luz.”

“….!”

“Onde está sua luz do sol? Eu, eu posso encontrá-la para você.”

A cabeça de Yoon Joo-ha estremeceu pela primeira vez. Ela finalmente estava mostrando reação. Mas seus olhos ficaram mais profundos e escuros e não responderam por um longo tempo.

Os dias se passaram desde então. Ela não dormia enquanto pensava em algo e então deixava cair lágrimas, e murmurava para si mesma.

Lee-yeon não conseguia dizer se isso era um bom ou mau sinal, mas logo conseguiu ouvir sua resposta.

“... Você pode ligar para este lugar?”

“….!”

O que ela deu foi o pôster que estava procurando por Yoon Joo-ha. Uma recompensa seria dada a qualquer um que pudesse encontrar a mulher que agora estava se abrigando sob o teto de Lee-yeon.

O coração de Lee-yeon batia forte como se estivesse fazendo algo errado.

Mas, parece que não era o que Lee-yeon trouxe, pois parecia muito mais velho. A cópia da mulher estava em mau estado.

“Senhora, e-este é…”

O rosto de Lee-yeon queimou como se ela tivesse sido pega fazendo algo errado. Mas a voz que saiu pela garganta seca estava surpreendentemente calma.

“Está tudo bem. Meu filho mora aqui.”

“….”

“Graças a você, descobri o que eu queria ver no último momento, então espero que alguma chuva venha para este lugar que eu devo.”

Ela segurou as pequenas mãos de Lee-yeon com suas mãos ásperas.

Desde então, Yoon Joo-ha contou a ela sobre seu filho aos poucos. Cada vez que ela respirava, ela falava, Lee-yeon podia sentir o quanto ela sentia falta dele. Para Lee-yeon, que nunca teve esse amor materno crescendo, era estranho, mas incrível. Ela se sentia aquecida por dentro apenas ouvindo a história de alguém que recebeu amor suficiente.

“Eu também sei bem sobre o abeto-da-noruega. Essa árvore derruba galhos perdidos por conta própria na escuridão. Já que só pode se tornar um bom instrumento quando se livra do que é necessário. E a árvore que canta no final sempre morre.”

Lee-yeon sorriu, feliz por sua hóspede finalmente estar falando muito. Sem saber para onde Yoon Joo-ha estava caminhando, sem saber o que ela havia determinado em sua mente.

Naquele momento, o flashback se distorceu.

Aquela senhora instantaneamente se transformou em uma múmia, abriu a boca e agarrou o pulso de Lee-yeon.

“Proteja aquela criança…!”

Crash!

Houve um estrondo repentino e discordante que trouxe Lee-yeon de volta à realidade. Ela estava perdida em pensamentos, ainda atordoada com o sonho vívido que teve na noite anterior, quando o barulho quebrou seu devaneio.

“Chae-woo, você está bem?” ela gritou, sua voz carregada de preocupação.

Os pedaços de vidro no chão brilhavam perigosamente.

Lee-yeon olhou para a mesa novamente e notou que os pratos e acompanhamentos estavam empilhados perigosamente perto da borda. Ela não pôde deixar de se preocupar que eles pudessem tombar a qualquer momento.

“Chae-woo, quando você acordou esta manhã?” ela perguntou, tentando ter uma noção de quanto tempo ele estava acordado.

“Não faz muito tempo”, respondeu Chae-woo, olhando para cima de sua comida.

“Eu te disse que você não precisa fazer isso”, disse Lee-yeon com um pequeno sorriso.

Enquanto Lee-yeon se abaixava para limpar os cacos de vidro, Chae-woo de repente se levantou, interrompendo-a.

“A noite pareceu longa”, disse ele baixinho, como se estivesse perdido em pensamentos.

Kwon Chae-woo entrou no pequeno depósito ao lado da cozinha e tropeçou como se estivesse esperando. Ele se encostou na parede e franziu a testa para tentar focar sua visão. Mas ele estava ofegante e com suor frio só de se levantar.

Merda. Ele quase xingou, mas mordeu a língua e fez o possível para afastar essa tontura.

Hoje à noite é finalmente a última noite em que ele não conseguirá dormir.

Ele estava usando todos os tipos de desculpa para tentar atrasar seu retorno à casa principal, mas agora era realmente o limite.


Kwon Chae-woo ligou para Jang Beom-hee imediatamente.

-Sim, jovem mestre.

“…..”

Como ele apenas continuou respirando silenciosamente, Jang Beom-hee fez silêncio e então sussurrou.

-Eu vou preparar.

[1] - Árvore conífera da família Pinaceae, nativa do norte da Europa.

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