
Capítulo 135
Flores São Iscas
Chae-woo passou o cartão na fechadura e abriu a porta, prensando Lee-yeon contra a parede assim que a colocou no chão.
Ele estava se esforçando tanto para manter a calma, mas agora sua expressão fria se esfacelou, substituída por um rosnado furioso.
“O que foi tudo aquilo?”
Ele rangeu os dentes como se estivesse mastigando vidro. O ombro que havia batido na parede doía, mas Lee-yeon não ousou respirar ao ver sua expressão feroz.
“Você simplesmente não consegue evitar arrastar as pessoas para os seus problemas. E ainda tem a audácia de dizer que eu não sou seu marido, que nós não nos casamos, que é tudo um mal-entendido? Que merda, você acha que pode usar as pessoas como bem entender?”
Ele encostou a testa, irritado, no braço que estava pressionado contra a parede. Ao fazer isso, seu rosto ficou coberto de sombra, mas ela ainda podia distinguir claramente sua testa franzida e mandíbula cerrada.
Lee-yeon ajeitou os ombros e prendeu a respiração enquanto seu coração batia rapidamente contra o peito. Ela sabia que ele não conseguiria entender que ela havia feito aquilo para protegê-lo, e suas palavras duras a magoaram.
“…Eu te disse. Eu não queria te envolver.” Sua voz vacilou, mas ela conteve as lágrimas. Seu peito apenas se inflou levemente como o de um pequeno pássaro. “Que… que tipo de mulher faz isso com o próprio marido?”
“…”
“Era a minha vergonha para carregar. Você está apenas começando a construir sua reputação social. Você quer que todos pensem que você é casado com alguém que nasceu ilegítimo? Você sabe que isso só te derrubaria junto comigo.”
“…”
“Por fora, as pessoas podem te dar tapinhas nas costas e mostrar simpatia, mas você sabe o que elas estariam pensando por dentro. Aos poucos, elas começariam a rir de você pelas suas costas. Eu não queria que você sofresse com esse tipo de ridículo. Foi por isso que eu disse o que disse, por causa das consequências!”
Ela devia estar sobrecarregada por seu discurso, porque sentiu lágrimas escorrendo pelo rosto.
Um sorriso momentâneo brilhou no rosto de Chae-woo enquanto ele olhava silenciosamente para seu estado lamentável. Durou apenas um instante, mas era claramente uma risada.
“Você está chorando.”
“…!”
Ele enxugou as lágrimas de Lee-yeon, com um sorriso no rosto.
“Quando você ficou tão sincera?”
“O quê?”, ela respondeu, intrigada com a estranha insinuação.
“Mas o que posso fazer? Eu não tenho um pingo de apreço pelo seu pequeno sacrifício.”
Ele colocou uma mão grande sobre sua bochecha e lábio inchados. Quando sua mão tocou sua pele, ela sentiu a dor latejante de onde havia sido atingida.
“Você achou que eu diria obrigado por mentir por mim? Eu fico chateado quando alguém mexe com o meu cachorro, mas bater na minha mulher…”
Ele não conseguia desviar seu olhar feroz dos hematomas em seu rosto. Ele inspirou profundamente, cerrando a mandíbula com força.
“Nunca mais me deixe ver você assim.”
“…”
“Nunca.”
Seu aviso reverberou através de seu olhar frio.
“Não implore sem motivo e não apanhe sem motivo. E eu estou cansado de mentir e me esconder assim também, então pare com isso.”
“Eu faria tudo de novo.”
“…O quê?”
“Se tudo isso acontecesse de novo, eu não mudaria nada.” Lee-yeon olhou para ele com os olhos arregalados. Seu olhar era teimoso e inabalável. Chae-woo soltou um suspiro e nervosamente jogou o cabelo para trás.
“Mesmo que a mesma coisa acontecesse de novo, eu ainda não diria que você é meu marido na frente de todos.”
A expressão de Chae-woo endureceu com as palavras dela.
“Tudo o que meu primo disse era verdade. É o passado sujo que eu carrego comigo desde que nasci.”
“Porra, esse cara não tem um nome?”
Lee-yeon fez uma pausa, fechando a boca e abaixando os olhos com o acesso repentino dele.
“Este é o meu problema, não o seu. Então, eu menti, e daí? Pode parecer covarde para você, mas é assim que eu estou escolhendo lidar com isso.”
O coração dele pulsava com as palavras dela como se ele tivesse sido infectado por suas emoções. Ele não pôde deixar de notar como seus olhos pareciam bonitos enquanto brilhavam intensamente com lágrimas que ameaçavam transbordar a qualquer momento. Para ser honesto, foi bem eficaz em tocar seu coração.
Mas, enquanto ele ouvia sua declaração risível de resolução, ele não pôde deixar de ranger os dentes em irritação. Ele estava chateado consigo mesmo por estar incomodado com as cicatrizes que Lee-yeon ainda carregava por causa de seus primos e seu nascimento. Seu estômago estava dando nós.
Ele sentiu a urgência de se infiltrar em seu mundo obstinado e esculpir uma cicatriz maior do que aquela. Ao imaginar isso, seus impulsos sádicos tomaram conta e surgiram fora de controle.
“Escute, se você realmente quer me compensar…”
Chae-woo levantou seu queixo bruscamente e a forçou a olhar nos olhos dele.
“Deixe-me me enterrar fundo dentro de você. Tão fundo que eu não consiga escapar, e ainda mais fundo do que isso.”
“…!”
“Eu estou pronto para ser manipulado por você.”
Lee-yeon podia sentir o calor em seu olhar enquanto encarava seus olhos escuros, com as palmas das mãos ficando úmidas. Uma sensação, nem quente nem fria, estava se espalhando por todo o seu corpo, despertando-o. Seu coração estava batendo rápido de forma assustadora.
“Eu sou quem tirou sua virgindade. Você realmente achou que eu me importaria com o seu passado?”
“…!