Flores São Iscas

Capítulo 77

Flores São Iscas

Kwon Chae-woo rangeu os dentes e continuou: "Mas eu me sinto injustiçado. Sinto que estou começando do zero, mas como você sabe do meu passado e eu não, ele já me alcançou sem que eu tenha a chance de ser algo diferente. Como você espera que eu aceite isso de bom grado?" Sua voz estava seca.

"Sinto muito", disse ele. "Acho que vou até o fim com você. É aqui que deixo de ser compreensivo."

Suas grandes mãos agarraram sua cintura com força e a puxaram para mais perto. O calor em seus olhos a assustou. Lee-yeon agarrou a bainha de sua camisa com suas mãos frias.

"Você não me bateu!", disse ela. "Isso é um... engano. De onde você tirou essa ideia?"

"Não bati?"

Lee-yeon abriu a boca como se fosse dizer algo, mas a fechou novamente. Ela se lembrou da primeira vez em que se... encontraram. Ele estava enterrando um corpo. Ela descobriu. Ela quase foi assassinada.

Kwon Chae-woo agarrou seu queixo enquanto ela tentava desviar o olhar. Ele virou o rosto dela para que o encarasse. Ele se inclinou para ela como se fosse se chocar contra ela. Ele estava tão perto.

"Então me diga por que você tem tanto medo de mim", disse ele em voz baixa. "Desde o momento em que recuperei a consciência até agora. Por que você se encolhe ao meu menor toque? Por que você continua me chamando de 'Sr. Kwon Chae-woo' como se quisesse deliberadamente colocar distância entre nós? Você sempre tenta fugir de mim. Preciso ouvir isso. Me diga a verdade."

Seus olhos pareciam estilhaços. Lee-yeon queria correr. Ela se arrependeu de ter saído daquele café. As gotas de chuva atingiam seu rosto com tanta força que doía.

"É porque... eu..."


Ele olhou fixamente para Lee-yeon. Sua pequena tentativa de distinguir entre seu medo e seu coração palpitante havia falhado. Sempre que o via, seu coração disparava. Isso continuava bagunçando a barreira que ela havia estabelecido. Ela estava assustada e, ao mesmo tempo, feliz em vê-lo. Ela queria fugir e, ao mesmo tempo, sentia que precisava dele. Tudo se chocava.

"O que você está tentando esconder de mim?", perguntou ele. A culpa dela cresceu.

"Eu... eu estive mentindo para você!"

"Eu sei disso."

"Não! Nós nem sequer assinamos uma certidão de casamento!", ela fechou os olhos e gritou. Era a primeira vez que ela cuspia a verdade. Ela não ousava abrir os olhos. A chuva escorria pelo seu rosto. Depois de um tempo, quando ela só conseguia ouvir o silêncio, abriu os olhos e viu Kwon Chae-woo sorrindo.

Ela ficou arrepiada. Sua expressão não era de surpresa ou choque. Ele parecia esperar algo assim. Ele olhou para ela como se ela tivesse mentido novamente.

"Eu realmente não consigo ser legal com você, não é?"

***

Ela não sabia como haviam chegado em casa. "Ahhh!"

Seus lábios se chocaram contra os dela violentamente. Sua língua estava dentro de sua boca e tentando devorá-la. Seus lábios foram mordidos continuamente. Seu peso a esmagou. Aquilo parecia mais um castigo do que um beijo.

Seu beijo se tornou frenético e ainda mais agressivo. Ela o empurrou com toda a sua força, mas Kwon Chae-woo apenas a segurou com mais força.

O pulso que ele havia agarrado durante a corrida de táxi para casa latejava. Ele havia olhado pela janela durante toda a viagem, enquanto Lee-yeon havia lançado alguns olhares cautelosos para ele.

Lee-yeon havia racionalizado. Talvez ele se sinta enganado porque tudo o que ele sabia agora era uma mentira. Talvez a verdade do assunto o tenha atingido com força. Lee-yeon percebeu que precisava dar a ele tempo para processar a informação sobre seu casamento inexistente.

Mas no momento em que chegaram em casa, ele a prendeu contra a parede e a beijou. "Kwon...!"

Ela nem sequer conseguiu dizer seu nome. Sua língua grossa estava em sua boca. Ela cutucou sua canela com o dedo do pé. Ele finalmente se afastou, sugando seus lábios com força.

Seus olhos estavam escuros. Lee-yeon tentou recuperar o fôlego. "Vamos conversar sobre esse mal-entendido."

Os olhos frios eram inflexíveis. Lee-yeon se sentiu tão pequena diante daquele olhar. "Kwon Chae-woo, por favor..."

"O que estou tentando dizer é que existem casais que vivem juntos mesmo sem assinar uma certidão de casamento..."

Kwon Chae-woo suspirou. "Não seria melhor se você simplesmente calasse essa boca?"

Lee-yeon abaixou a cabeça desanimada. Kwon Chae-woo encarou sua cabeça baixa por um tempo. Ele então se virou e tirou sua camisa molhada. Lee-yeon estremeceu de frio. Ela instintivamente sabia o que Kwon Chae-woo ia fazer. Ela sentiu o ar perfurar sua pele.

"Sinto muito por mentir", disse ela.

Interiormente, ela odiava ser tão submissa. Mas ela tinha que priorizar. Em vez de puxar sua coleira, era melhor soltar um pouco. Kwon Chae-woo estava abalado por suas palavras, então ela precisava pisar com cuidado.

"Você está gostando muito do fato de que eu não tenho memória do meu passado, não é? Você continua mentindo para mim sobre coisas ultrajantes", disse ele sarcasticamente.

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