Flores São Iscas

Capítulo 41

Flores São Iscas

“Lee-yeon, pare de se mexer.”

“Hã?” Ela sentia como se estivesse deitada em uma nuvem. Lee-yeon esfregou o rosto e pressionou as bochechas nas costas de Kwon Chae-woo.

“Lee-yeon.” Uma voz familiar falou perto de seu ouvido. "Você não gosta que eu beba?"

O álcool tomando conta de seus sentidos, Lee-yeon começou a sorrir como uma criança em um pico de açúcar, sem ter ideia de que estava sendo carregada por Kwon Chae-woo nas costas.

“Sim.”

“Por quê?”

“…Se você beber, tenho medo de que se lembre de tudo.”

Kwon Chae-woo, que estava caminhando em silêncio, parou de repente. O leve sorriso em seu rosto desapareceu imediatamente.

Histórias sobre homens que mudam e agem como gangsteres quando estão embriagados são tão comuns quanto bitucas de cigarro podres nas ruas. Kwon Chae-woo não esqueceu as velhas cicatrizes que viu no corpo de Lee-yeon. Seu rosto escureceu com o pensamento que o fazia se sentir miserável.

Quando Kwon Chae-woo estava prestes a se mover para se livrar do sentimento de vergonha e culpa, Lee-yeon murmurou algo novamente.

“Você sabe? Esse relacionamento é anormal. Não importa o quanto eu pense sobre isso, acho isso uma loucura. Acho que perdi a cabeça naquela época. Eu não deveria ter aceitado…”

A cada palavra que ela dizia, Lee-yeon torcia a faca em seu coração. Eram seus verdadeiros pensamentos íntimos que Kwon Chae-woo sempre quisera ouvir. Ele não estava nem um pouco satisfeito, mas sim, sentia como se algo estivesse preso em sua garganta.

Foi um final lamentável. Lee-yeon estava se arrependendo do casamento.

“Você queria fugir?”

“…Eu pensei sobre isso, mas não consegui. Mesmo que eu queira, não posso, e tenho sido assim desde que era jovem.”

“Você tentou fugir?”

“Claro, eu até fui à delegacia.”

O rosto de Kwon Chae-woo se contorceu. *'O que poderia tê-la feito ir à delegacia?'* Presumindo o pior, Kwon Chae-woo cerrou os dentes com tanta força que sua mandíbula doía.

*'Kwon Chae-woo, seu bastardo!'* Ele culpou e pisoteou seu eu passado, do qual nem sequer conseguia se lembrar, repetidas vezes. Ele o colocou em um caixão e o enterrou fundo no chão.

“Eu só… quero que tudo termine um dia.” Ela murmurou como uma pessoa que se submeteu ao próprio destino. Não havia esperança ou excitação em sua voz fraca.

“Lee-yeon, você tinha medo de mim?”

“…Sim.”

“Você queria viver sem mim?”

“…Sim.” Uma voz sonolenta murmurou novamente.

*'Eu perdi minha memória, mas fiz Lee-yeon viver com as memórias dolorosas que deixei para ela. Por que sou egoísta até o fim?'*

“Eu alguma vez te machuquei fisicamente?”

“Sim.”

Seu corpo enrijeceu friamente com a resposta que saiu de sua boca sem hesitação. Ele tremia de raiva, não de Lee-yeon, mas de si mesmo. Foi o momento em que suas dúvidas se tornaram verdades.

“Regularmente?”

“Acho que você era assim não só comigo, mas com qualquer outra pessoa.”

Kwon Chae-woo fechou os olhos para reprimir a raiva. Sua respiração de repente se tornou difícil.

Mas―

*'Se esta é uma oportunidade. Se me for dada uma segunda chance de compensar a forma como a tratei.'*

Em vez de se deter no passado inatingível, Kwon Chae-woo começou a pensar no que deveria fazer para mudar o amanhã e os dias seguintes. Ele colocou força em suas mãos segurando Lee-yeon como se não quisesse perdê-la.

***

“Por que você simplesmente não me deixou morrer. Você deveria ter cuspido na minha cara e fugido quando eu estava em coma.” Kwon Chae-woo continuou enquanto ridicularizava seu passado.

Ele era um fardo terrível para Lee-yeon, ele percebeu. Se ela tivesse jogado fora aquele fardo, ela teria levado uma vida feliz. Além disso, devia haver muitos homens na fila para se casar com uma mulher jovem e capaz.

*'Mas Kwon Chae-woo sem Lee-yeon―'*

*'Eu não teria acordado.'*

Em outras palavras, é impossível para ele levar uma vida normal sem Lee-yeon.

Ele precisa dela. Em vez de apenas vê-la deixá-lo, Kwon Chae-woo gostaria de compensar toda a dificuldade que ele achava que causou a ela. Ele iria fazê-la escolhê-lo, para retornar a ele de boa vontade. Fazê-la acreditar que era sua vontade voltar para ele, não por coerção. E fazê-la perceber que o lugar mais seguro e confortável para ela era ao lado dele, e não em qualquer outro lugar.

“Mesmo que você tivesse fugido naquela época, ninguém a teria culpado.” Kwon Chae-woo falou pensativamente com olhos sombrios.

“…Mas, há uma promessa clara entre nós.”

Surpresa evidente no rosto de Kwon Chae-woo, ele permaneceu em silêncio e ouviu.

“Era uma promessa, uma obrigação que eu não podia quebrar. É por isso que as pessoas dizem para você pensar duas vezes ao assinar um contrato… Embora eu me arrependa, mesmo que eu voltasse, eu ainda teria assinado o contrato.”

“…”

“Na época, essa era a única maneira.”

Kwon Chae-woo não conseguiu dizer nada como se sua garganta estivesse entupida. Ele não sabia que ela mencionaria a palavra “promessa”, que ele pensava ser sobre seu voto de casamento, apesar de quão mal ele a tratava.

A promessa, algo que Lee-yeon valorizava mais do que sua própria segurança. Um forte senso de pertencimento o envolveu. Sua vida não era mais insegura e decepcionante. Lentamente, do fundo, Lee-yeon estava preenchendo sua vida.

“Lee-yeon, você gosta de mim?”

Ela não respondeu. Kwon Chae-woo sacudiu seu corpo uma vez, mas ela não se moveu.

Foi quando eles quase chegaram em casa que a resposta saiu de sua boca. Uma mão tocou seu pescoço.

“…Não, nem me pergunte isso.”

*'Se realmente me for dada uma segunda chance—'*

*'Então Deus está do meu lado.'*

Um sorriso frio apareceu em seu rosto. Ele não vai desperdiçar essa chance.

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