Flores São Iscas

Capítulo 46

Flores São Iscas

Lee-yeon estava subindo a montanha com uma sacola de visitas para verificar as árvores que foram auxiliadas pelas cirurgias. Acostumada a caminhar em terrenos irregulares, Lee-yeon rapidamente abriu caminho entre os arbustos densos e seguiu por uma trilha sinuosa.

“Lee-yeon.”

Kwon Chae-woo a seguiu teimosamente até a montanha, apesar de ela ter lhe dito várias vezes para voltar para casa. De repente, ele pegou a sacola de visitas da mão de Lee-yeon.

“Espere.”

“Por quê?” Lee-yeon, que estava andando para frente sem nem olhar para trás, parou impotente. Seu rosto estava tão rígido quanto uma estátua.

“Você não parece bem.”

“…”

“Você não está se sentindo bem? Ou é porque está brava comigo?” Seus olhos penetrantes estudaram o rosto de Lee-yeon.

“Não, não é isso…” Lee-yeon não terminou suas palavras e, em vez disso, soltou um suspiro. Continuar sua desculpa inventada era inútil, pois Kwon Chae-woo podia lê-la como um livro aberto. Ao contrário de sua negação, seu rosto certamente dizia a ele que ela não estava bem.

O olhar intenso de Kwon Chae-woo mostrava o quão determinado ele estava a descobrir a causa que a deixava tão infeliz. Foi só então que sua expressão, que permanecia sombria desde que saíram do hospital, relaxou.

“É porque eu ouvi algo chocante.”

“De quem?”

Lee-yeon foi incapaz de emitir uma resposta.

“Do médico?”

Vendo suas sobrancelhas franzidas, Lee-yeon acenou com as mãos. “Não, não. De mim! De mim mesma!” Ela se surpreendeu com o pânico que sua voz revelou.

Se todos os comportamentos estranhos do homem fossem devido aos sintomas da doença, e não à cegueira criada por suas mentiras, significava que Lee-yeon tinha outra rota de fuga. No entanto, ela não conseguia entender por que se sentia ridicularizada em vez de feliz. Ela sentia um peso enorme nas costas.

“Eu devo ter nascido sob uma estrela azarada.” Ela disse com um suspiro.

“O quê?”

“Eu subestimei o quão ferrada é a minha vida…” Lee-yeon murmurou para si mesma enquanto batia na própria testa.

“Pare com isso.” Kwon Chae-woo cobriu sua testa com a mão.

As folhas tremiam acima de suas cabeças na brisa, semelhante à calma da mulher antes de Kwon Chae-woo. Mas ele não sabia que Lee-yeon estava travando uma batalha interna. Ela estava um caos.

“Hum… há muitas árvores que eu tenho que verificar. Não seria melhor para você voltar agora?”

“Isso significa que você quer ficar sozinha?”

Lee-yeon evitou seu olhar e coçou a cabeça. O homem ergueu as sobrancelhas como se tentasse ler seus pensamentos, mas acabou retirando o olhar e dando um passo para trás. “Então eu apenas te seguirei por trás.”

“Isso me incomoda.”

“Eu não sei o caminho de volta. E pegar o ônibus ainda é difícil para mim. É tudo porque eu não tenho nada na minha cabeça além de você.”

‘*Ele sempre finge estar doente e fraco só em momentos como este.*’

Como se para provar seu pensamento, os olhos de Kwon Chae-woo brilhavam como os de um gato selvagem, o que não combinava com seus lábios ligeiramente beicinhos.

De repente, ele virou a cabeça abruptamente.

“…!”

Seus olhos ficaram afiados, e seu pescoço de baixo da orelha até a clavícula estava tenso como uma corda esticada. Lee-yeon engoliu em seco com a mudança repentina na atmosfera.

Rugas profundas se formaram em sua testa. Seu rosto, focado em algo além dela, estava assustadoramente sério, que Lee-yeon sentiu como se sua existência fosse esquecida por um momento.

“O que foi…”

“Quando eu te der um sinal, não olhe para trás e corra o mais rápido que puder.”

“O quê?”

Kwon Chae-woo agarrou o pulso de Lee-yeon e a puxou para perto dele. “Você é boa em subir em árvores. Você consegue subir nesta árvore e ficar lá em cima por um tempo?”

Em um momento de confusão, Kwon Chae-woo a empurrou para trás. Com força. Suas mãos pareciam escaldantes, e Lee-yeon estremeceu surpresa.

Kwaeeeee―!

O chão tremeu. Um arrepio percorreu sua espinha com um rosnado ameaçador. Virando-se para onde o som estava vindo, ela viu um grande javali correndo de cima.

“Kwon Chae-woo!”

“Suba, Lee-yeon! Agora!”

Era uma voz severa. Assustada com seu olhar autoritário, Lee-yeon subiu na árvore como uma criança obediente. Seus pés escorregaram e suas mãos tremeram.

Kwon Chae-woo abriu sua sacola de visitas e, sem hesitação, tirou um machado e várias estacas.

“Ai…! Kwon Chae-woo, não faça nada arriscado! Isso é usado para cortar árvores, não para abater animais! Eu vou ligar para o resgate, então suba primeiro!”

Ela agarrou um galho e estendeu uma mão. Mas o homem não ouviu. Mordendo os lábios, ela ligou o celular com pressa.

Enquanto isso, Kwon Chae-woo estava golpeando uma árvore com o machado. O tempo que ele passou golpeando a árvore dezenas de vezes foi de apenas alguns segundos. Depois de mais alguns golpes, ele conseguiu fazer um sulco na árvore.

“Kwon Chae-woo, o que você está fazendo? Corra!”

O javali estava se aproximando rapidamente, mas o homem ainda estava golpeando a árvore com o machado.

“Pare! Abaixe isso!”

Ele não ouviu e continuou o que estava fazendo.

“Eu disse para abaixar isso!”

“Apenas fique aí parada.”

“Você está tentando morrer ou algo assim?!”

“Haha.” Kwon Chae-woo riu, embora não houvesse nada de engraçado na situação. “Só há uma razão para os cachorros darem as costas.”

Com a reação calma dele ao javali, Lee-yeon ficou sem palavras. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo na cabeça do homem.

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