
Capítulo 35
Flores São Iscas
Ele tirou o elástico que prendia as flores. Juntou o cabelo dela para amarrá-las. Seus olhos se fixaram na nuca dela. "Hwang Jo-yoon não vai mais causar problemas", disse ele. Sentiu o corpo dela enrijecer. "Então, você não precisa mais se preocupar", disse ele gentilmente.
Lee-yeon tocou o cabelo sem jeito. Ela se sentia diferente do habitual com o cabelo preso. "Tão linda", disse Kwon Chae-woo.
"Hum... Eu?" Ela perguntou. O homem sorriu e se encostou na mesa.
"Você pode se esconder atrás de suas roupas de trabalho o quanto quiser", disse ele, "Mas isso não me engana. Quando você vem para a cama à noite depois de um banho, eu sei o quão linda você é."
Lee-yeon corou. Ela estava sem palavras. "Você sequer imagina o quanto isso me enlouquece?"
Ela ficou ali sem dizer uma palavra e cobriu o rosto com as mãos.
* * *
O pôr do sol escarlate brilhava em suas costas pequenas. Lee-yeon, com luvas cirúrgicas, estava ocupada limpando o canteiro de flores. Ela era habilidosa no que fazia. Gentilmente tocava as plantas, regava-as, revolvia a terra e cortava os galhos e brotos esfarrapados. Ela estava muito concentrada em cuidar das plantas. Kwon Chae-woo olhava para ela, fascinado, meio que desejando desviar a atenção dela das plantas para ele.
Será que ela cuidava de mim assim quando eu estava em estado vegetativo? Ele se perguntou. Ele não conseguia tirar os olhos dela. Lee-yeon o lembrava de uma criatura de um conto de fadas. Ele estava tão atraído por ela. Queria sequestrá-la e levá-la para um lugar onde só eles pudessem estar juntos.
Lee-yeon se escondia atrás de grossas camadas de roupa e da sujeira. Mas Kwon Chae-woo sabia o que havia por baixo. Uma garota agitada com pele macia e cicatrizes. Ele estava encantado com seu nariz pequeno, olhos bonitos e lábios vermelhos. Ela parecia totalmente inconsciente de quão bonita ela realmente era.
Kwon Chae-woo tentava não encarar, mas não funcionava. Quanto mais ele a olhava, mais ele queria estar perto dela. Lee-yeon acaricia aquela folhinha, e mesmo assim meu corpo treme…
O tempo parecia passar muito lentamente. Lee-yeon enxugou o suor da testa e acariciou as plantas de flores como se as elogiasse. Ela então pegou as flores caídas do chão e se virou e sorriu repentinamente para Kwon Chae-woo.
Ele foi pego de surpresa. Era a primeira vez que ela olhava para ele e sorria tão brilhantemente desde a época em que ele a conheceu. Ele engoliu em seco e cerrou os punhos. Aquele sorriso continha toda a sua felicidade.
'Você… Você é realmente marido da So Lee-yeon?... Traga-me provas. Mostre-me provas de que vocês são casados!'
Kwon Chae-woo recordou as palavras de Hwang Jo-yoon de dias atrás. Ele olhou para ela.
"Lee-yeon, você já tentou chupar uma flor?"
"Ah… Eu tentei algumas vezes quando era jovem."
"Então me ensine."
"Te ensinar o quê?" Lee-yeon, carregando pétalas de flores em ambas as mãos.
Kwon Chae-woo caminhou em direção à parede e pegou uma acácia branca. Lee-yeon estremeceu e tentou impedi-lo, mas a flor foi arrancada em um piscar de olhos.
"Eu quero que você me ensine como chupar e lamber tudo até o fim."
Ela olhou para ele perplexa.
"Porque eu não quero deixar nada para trás."
***
As pétalas de suas mãos esvoaçaram ao vento. Era apenas acácia em suas mãos, mas isso a lembrou do frango indefeso que ele havia matado. Lee-yeon prendeu a respiração. Kwon Chae-woo levantou a acácia até sua boca.
"Você tem que demonstrar primeiro."
Seu rosto estava inexpressivo e pálido. Kwon Chae-woo olhou para ela como se a estudasse. Enquanto Lee-yeon chupava a acácia, o olhar do homem estava fixo em seus lábios.
"Mais uma vez."
Ele colocou a flor em sua boca novamente. Um dedo frio tocou seu lábio inferior.
"É bom?"
"Bem… Eu acho que tinha um gosto bom quando eu era jovem, mas agora não é tão doce como eu me lembro. Talvez eu tenha me acostumado com lanches mais doces..."
"Então, que tal usar sua língua?"
"O quê?" Seus olhos se arregalaram com a pergunta inesperada.
"Se você olhar aqui, há um buraco por onde sai o mel—" Ele apontou para a ponta da acácia.
"Então você apenas chupa, e é isso?" ela perguntou.
"Não seria possível comer tudo enfiando a língua no buraco? É um desperdício se você deixar. Tente." Ele entregou a flor novamente, dizendo para ela experimentar. Ela sabia que havia algo estranho na situação, mas ela não conseguia dizer com precisão.
Ela olhou para Kwon Chae-woo e começou a lamber a ponta da acácia. Ela ouviu uma risada curta e seu rosto ficou vermelho. Ela estava envergonhada por ter caído nessa. "Não é assim que eu geralmente como!"
"Então como?"
"Eu apenas mastigo a ponta um pouco..."
"Você mastiga?"
"Sim, se você mastigar, o mel restante vai estourar..."
A sombra de Kwon Chae-woo estava sobre ela. Lee-yeon teve a sensação de que se ela chegasse mais perto dele, ela seria engolida por sua sombra. "Na verdade, não é ruim comer assim."
Ele também começou a chupar uma flor, mas seus olhos nunca deixaram Lee-yeon.
"Lee-yeon." Ele estendeu um dedo e esfregou seus lábios. Ela se afastou dele de repente. "Desculpe… o mel escorreu pelos seus lábios."
Mentiroso. Lee-yeon sabia que não havia nada em seu rosto. No entanto, ela corou com seu toque.
"Eu acho que prefiro comê-la descascada."