
Capítulo 4
Flores São Iscas
O luar entrava pela janela, iluminando a escadaria para o segundo andar. Um ou dois rangidos podiam ser ouvidos enquanto uma silhueta escura tentava subir as escadas em silêncio.
O relógio de parede, que estava no hospital desde sua inauguração, bateu 12 badaladas em alto e bom som.
Visitar o segundo andar todas as noites havia se tornado uma rotina para Lee-yeon. Inicialmente, Lee-yeon planejou ir apenas uma vez, mas agora servia como um lembrete de que, enquanto o assassino estivesse ali, ela estaria segura.
Como em qualquer outro dia, Lee-yeon digitou a senha e girou a maçaneta.
***
As plantas também têm espíritos, então, quanto mais as pessoas dizem coisas boas, mais saudáveis elas crescem, e quanto mais as pessoas dizem coisas negativas, mais cedo elas morrem. Sabendo disso, Lee-yeon rezou para que isso pudesse ser aplicado à sua vida. As palavras têm poder, então ela cantava em sua mente:
‘Por favor, não acorde. Você não deveria acordar.’
‘Por favor, me deixe viver uma vida pacífica e tranquila.’
Quando Lee-yeon abriu a porta na esperança de ver o corpo frágil deitado na cama como de costume, ela parou.
‘…Ele não está… aqui?’
Ela não podia acreditar em seus olhos. Piscou uma vez, depois duas e mais uma vez. A pessoa estava sempre ali. Ele era um mero fantasma de um humano. A cama, onde restava apenas a casca dura dele, estava vazia.
Ela sentiu calafrios na espinha e, quando a carne de galinha tomou conta de seu corpo, percebeu que talvez não estivesse mais segura. O incidente daquele cavaleiro repassou em sua mente, lembrando-a de sua desgraça.
***
<Flashback>
‘O homem que caiu do morro deve ter morrido.’ Lee-yeon pensou enquanto olhava para a poça de sangue no chão.
‘Ele deve ter morrido. Ele rolou morro abaixo depois de ter a cabeça esmagada provavelmente várias vezes.’
Quando ela mal conseguiu se recompor, foi deixada sozinha nas montanhas. ‘Vamos, vamos voltar para casa depois de denunciar isso à polícia.’
Ela tinha certeza de que teria pesadelos depois desse incidente, mas uma nova manhã virá. Ela tinha que viver.
Lee-yeon conseguiu se levantar, sentia que ia desmaiar, mas forçou o pé a dar mais um passo. Ela estava celebrando essa pequena vitória em sua mente quando algo pesado cobriu seu rosto. Ela sentiu o cheiro de algo amargo e forte que a fez se sentir fraca. Ela tentou resistir, mas o cheiro subiu à sua cabeça e a escuridão tomou conta dela.
Lee-yeon podia sentir sua cabeça latejando. Era difícil apenas abrir um olho. Ela balançou a cabeça várias vezes para se livrar da dor de cabeça e se concentrar.
‘Onde eu estou?’
A primeira coisa que viu foi uma velha lâmpada tremeluzente no cenário da escuridão. Cada vez que a luz piscava, ela via a silhueta de um homem fumando um charuto. A fumaça enchia o ar.
“Quem é você?” perguntou Lee-yeon com a pouca coragem que conseguiu reunir. Quando tentou se levantar, percebeu que estava amarrada a uma cadeira. Um metal frio cravou em seus pulsos enquanto ela tentava libertar suas mãos. O homem ainda estava fumando.
“Por que você fez isso?” perguntou uma voz sem emoção. O medo em seu peito a impedia de lutar contra as amarras.
“Eu não acho que ele vai viver com a cabeça esmagada daquele jeito”, continuou o homem.
Lee-yeon estava confusa e assustada, então a única resposta que pôde dar foi o silêncio.
“O cara meio morto é meu irmão.” Quando a lâmpada parou de piscar, seus sentidos se tornaram repentinamente aguçados.
Então Lee-yeon percebeu o que estava acontecendo ali. Quando seus olhos se ajustaram à luz fraca, ela tentou olhar ao redor para entender o que a cercava. Ganchos pendurados no teto que sustentavam os corpos de porcos abatidos. O sangue escorrendo dos porcos fez seu estômago embrulhar.
Trabalhadores, usando botas de borracha pesadas, caminhavam casualmente cuidando de seus próprios negócios. Eles não lançaram um olhar para ela nem uma vez. Eles removiam os intestinos, cortavam a carne em partes e lavavam as manchas de sangue com uma longa mangueira.
Ela havia acordado no meio de um matadouro em frente a um homem alto, vestindo um terno de aparência cara.
O homem tragou seu charuto demoradamente e disse: “Enquanto você dormia, eu ponderei se deveria simplesmente te despedaçar ou te jogar no mar.”
Ele foi interrompido por uma série de batidas. Lee-yeon olhou ao redor para descobrir que estava vindo de um tambor no final da sala e congelou com o grito desesperado que ecoou no espaço fechado.
“Meu irmão está morrendo, e alguém tem que pagar por isso”, disse a voz novamente com um tom desconfortável.
Lee-yeon agora começou a entrar em pânico. Ela podia ouvir seu coração batendo em seu peito.