O Retorno do Assassino de Nível Divino BL

Capítulo 1293

O Retorno do Assassino de Nível Divino BL

— Você está bem? — Xia Li perguntou, parecendo preocupada. Ela rapidamente se levantou e começou a dar tapinhas firmes nas costas dele. — Precisa de água? Sinto muito, eu deveria ter avisado que era muito forte.

Bai Ze tentou lhe dar um sorriso tranquilizador, mas sabia que provavelmente parecia que ele tinha acabado de comer merda. Mas então ele sentiu a mão de Xia Li acariciando suas costas em círculos constantes e gentis. Sua crise de tosse parou lentamente. Era como se seu cérebro só conseguisse focar na sensação da mão dela e esquecesse completamente o gosto horrível.

— E-Estou bem agora — ele conseguiu dizer, com a voz ainda um pouco rouca. Ele podia sentir seu rosto ficando cada vez mais quente, e sabia que provavelmente estava vermelho como um pimentão agora.

Xia Li encarou o rosto vermelho dele por mais um segundo. Então ela se endireitou e deu um passo em direção ao balcão. — Vou pedir algo que você realmente goste.

Antes que Bai Ze pudesse pensar em impedi-la, ela já estava caminhando e entrando na fila do balcão. Ao ver isso, um pequeno sorriso impotente surgiu em seus lábios. Ele virou a cabeça e encarou o copo de americano de cereja vermelha. Ele quase tinha feito um papel de bobo por causa dessa bebida. E se ele não tivesse engolido e tivesse cuspido em vez disso? O pensamento era horripilante. Ele talvez nunca mais conseguisse encarar Xia Li novamente.

Mas mesmo sem esse pior cenário, ele tinha certeza de que seus "pontos de descolado" já tinham atingido o fundo do poço. E se Xia Li achasse que ele era apenas um cara sem graça e estranho agora? Talvez ela nem o considerasse como um potencial namorado, e ele ficaria preso para sempre apenas como um amigo.

Esse pensamento o fez franzir a testa cada vez mais, sua mente girando. Ele estava tão imerso em seus próprios pensamentos que nem percebeu Xia Li voltando para a mesa. Ele só percebeu que ela estava lá quando ouviu sua voz divertida.

— Se você encarar mais um pouco, o copo pode acabar rachando — ela disse, com um sorriso brincalhão nos lábios enquanto deslizava de volta para seu assento.

Bai Ze sentiu seu rosto esquentar novamente. Ele olhou para suas mãos na mesa. — Eu só me sinto um idiota.

Xia Li inclinou a cabeça, parecendo genuinamente confusa. — Por que você se sentiria assim? Só porque você não gostou do café? Eu te disse, é um gosto adquirido[1]. Não há razão para se martirizar por algo tão pequeno.

Bai Ze soltou um suspiro pequeno e aliviado que ele nem sabia que estava segurando. Ele sentiu o nó apertado de vergonha em seu peito se soltar um pouco. Ela não parecia pensar menos dele de jeito nenhum.

— Agora — ela disse, empurrando gentilmente o prato com o tiramisú para mais perto dele. — Experimente isto. Tenho cem por cento de certeza de que você vai gostar.

Bai Ze pegou seu garfo e deu uma garfada no tiramisú. O sabor era rico e suave, o creme de mascarpone doce, mas não doce demais. O cacau em pó por cima era levemente amargo, o que equilibrava o sabor. Mas então ele sentiu algo mais. Havia um toque distinto e marcante de raspas de laranja misturado ao creme, o que o tornava mais fresco e menos pesado que um tiramisú normal.

Ele piscou, surpreso com a nota cítrica inesperada, então deu outra garfada maior. Ele olhou para Xia Li, seus olhos brilhando. — Isso é fantástico.

Xia Li sorriu, parecendo muito satisfeita. — Né? — ela disse, pegando seu próprio garfo e dando uma garfada em seu tiramisú. — Eu te disse que era o melhor.

Pouco depois, a nova bebida que Xia Li havia pedido para ele chegou. Era um latte de floresta negra, coberto com chantilly e raspas de chocolate. Desta vez, ele deu um gole cauteloso. O sabor era doce e achocolatado, com um toque de cereja.

— Isso é muito bom — ele disse depois de tomar um gole mais longo.

O rosto de Xia Li se iluminou. — Fico feliz que tenha gostado. É o que eu sempre peço aqui quando não estou me sentindo aventureira. — Ela apontou para o copo dele com o garfo. — As raspas de chocolate são a minha parte favorita — eles usam um chocolate bem amargo que não é muito doce.

Bai Ze assentiu em concordância, pegando uma das raspas que havia caído no pires. — É, equilibra perfeitamente com o chantilly. — Ele a colocou na boca. — Então, você vem aqui desenhar com frequência?

— Sim, eu venho — Xia Li disse, sua expressão tornando-se um pouco tímida. — É tranquilo à tarde, e a luz daquela janela grande é perfeita. Eu já preenchi um caderno de desenho inteiro só sentada nesta mesa.

— Sério? — Bai Ze disse, seu interesse genuíno. — Eu adoraria vê-los algum dia, se você quiser me mostrar. As artes de fã[2] que você posta online são sempre incríveis.

— Você realmente acha? — ela perguntou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Um sorriso pequeno e feliz surgiu em seus lábios. — Talvez... talvez da próxima vez eu traga um caderno de desenho.

Ao ouvir isso, Bai Ze sentiu uma onda súbita e vertiginosa de empolgação. Seu coração deu um pequeno salto. Próxima vez. Ela disse próxima vez. Foi preciso todo o seu autocontrole para não sorrir feito um idiota. Porque isso significava que eles poderiam se encontrar novamente.

A conversa fluiu a partir daí. Eles falaram sobre tudo e nada — lançamentos de música, um vídeo engraçado de um pombo dançando, se abacaxi pertence ou não à pizza.

Bai Ze recostou-se na cadeira, com os ombros relaxados. Ele fazia um comentário, ela ria e acrescentava algo, e então ela contava uma história própria. Ele percebeu que estava apenas observando o rosto dela enquanto ela falava, aproveitando o jeito animado como suas mãos se moviam e como seus olhos felinos brilhavam quando ela chegava a uma parte engraçada. Pode não ter sido um momento de tirar o fôlego, mas ainda o fazia sentir-se contente.

Ele pensou que o resto do dia correria perfeitamente a partir daí. Mas a próxima parada provou que ele estava completamente errado. Se ele achava que tinha passado vergonha mais cedo com o americano de cereja vermelha, não era nada comparado ao que aconteceu em seguida.

[1] - Gosto adquirido: Algo que não é agradável de imediato, mas que se aprende a apreciar com o tempo.

[2] - Fan art: Termo em inglês para artes criadas por fãs baseadas em obras já existentes.

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