O Retorno do Assassino de Nível Divino BL

Capítulo 398

O Retorno do Assassino de Nível Divino BL

A cena começou dentro de uma caverna escura. Mas, apesar disso, conseguiam enxergar tudo claramente dentro da caverna. Isso provavelmente ocorria porque estavam vendo na perspectiva do dragão negro. Havia moedas de ouro e diversos tesouros empilhados como uma pequena montanha dentro da caverna. Era quase parecido com a caverna do Pântano Silencioso, onde o dragão negro dormia.

Sem dúvida, essa caverna era seu refúgio.

O dragão ouviu passos vindo de fora. Cada passo sincronizava com o som de um sino. Parecia que alguém caminhava na direção da entrada da caverna. Mas o dragão não deu atenção — como se já soubesse quem poderia ser esse visitante.

Em breve, uma mulher encantadora apareceu em cena. Ela tinha cabelos pretos longos que fluíam para trás e um par de olhos safira. Estava vestindo um quimono preto com uma faixa vermelha. A parte superior do quimono estava solta, chegando até os ombros, revelando sua pele branca como leite e a parte superior do peito. Seus lábios eram muito vermelhos, como se tivessem sido pintados com a tinta mais vermelha. E naquele momento, um sorriso brincalhão cruzava aqueles lábios vermelhos.

Em sua cabeça, havia um par de orelhas de raposa, e atrás dela, era possível ver nove caudas pretas. Uma gema azul escura estava embutida na testa dela, conferindo um ar de mistério. Nos tornozelos, ela tinha um par de sinos presos, que eram a clara origem do som de sino que o dragão ouvira anteriormente.

A raposa feminina parecia extremamente encantadora, e cada movimento dela carregava uma sedução desinibida. Quem olhasse para ela certamente ficaria hipnotizado. Mas a mesma coisa provavelmente não se aplicaria ao dragão.

Ele apenas virou a cara e resmungou ao ver a raposa: "Por que você está invadindo aqui de novo, Kagetsuki?"

"‘De novo’? Acho que a última vez que estive aqui foi quase cem anos atrás," respondeu Kagetsuki. Então ela olhou ao redor da caverna. "Aparentemente, você ainda vive recluso. Realmente não pensa em assumir o papel de rei dos dragões?"

"Se você veio falar de coisas que não me interessam, é melhor simplesmente ir embora," disse o dragão com tédio, sem mais olhar para a raposa.

Kagetsuki apenas balançou a cabeça. "Isso é jeito de falar com uma velha amiga?"

"Apenas diga qual é o seu assunto."

"Tudo bem, seu rabugento. Estou aqui para convidar você para o nosso clã."

"Por que diabos eu iria para o seu clã?" perguntou o dragão, espantado.

"Porque estou me casando. Vai ter uma grande festa. Afinal, é o casamento tão esperado do líder do clã das raposas demoníacas. Então, você, como meu amigo de longa data, deveria participar."

"Você conseguiu fazer alguém se casar com você?" desta vez, o tom do dragão foi ainda mais surpreso.

Kagetsuki parecia irritada, como se pudesse vomitar sangue a qualquer momento. Mas ela rapidamente se acalmou. "Você— mesmo parecendo uma estaca de madeira aos seus olhos, ainda sou muito desejável," ela disse com indignação. "Ha, você ainda é um expert em irritar os outros. Enfim, só precisa comparecer ao meu casamento, ok?"

"De novo, por quê?"

"Porque naquele dia há mais uma coisa para celebrar." Kagetsuki colocou a mão sobre o abdômen. Ela olhou para baixo, com os olhos cheios de ternura e amor. "A chegada de um herdeiro do clã das raposas demoníacas." Ela levantou a cabeça e sorriu para o dragão. "Vou cobrar aquela gentileza que você me deve há muito tempo: seja o padrinho do meu filho."


Então, a cena mudou novamente.

Desta vez, não era mais dentro da caverna. Em vez disso, era um mar de fogo. Pessoas — não, raposas — estavam deitadas no chão. A maioria morta, outras gravemente feridas. Gritos de dor ecoavam por toda parte. Era como um banho de sangue. Como se tivesse ocorrido uma verdadeira carnificina.

"Kagetsuki!" chamou o dragão. Desta vez, sua voz não soava como um rugido de fera, mas sim profunda e baritônica. Claramente, ele agora estava na sua forma humanoide. "Kagetsuki!"

Percebia-se pelo ritmo apressado dele o quanto ele estava apavorado e preocupado. Era exatamente o oposto da sua atitude indiferente na caverna, mostrando que ele realmente se importava com a raposa.

"Kagetsuki!"

Depois, em uma encosta um pouco elevada, ele viu duas figuras deitadas no chão. Reconheceu imediatamente uma delas. Com as pernas tremendo, correu em direção à inclinação e, finalmente, viu o estado das duas figuras.

Um era um raposo macho com oito caudas brancas atrás dele. Não tinha muitos ferimentos no corpo, e o quimono branco que usava permanecia praticamente intacto. Mas um ferimento era bastante evidente: havia um buraco no peito dele, como se alguém tivesse cavado seu coração. E quem fez isso fez de forma tão limpa que quase não havia sangue espalhado pelas roupas.

A mão dele tentava alcançar a figura ao lado. Mas parecia que, antes mesmo de conseguir, sua força vital já tinha se esgotado. Olhos cheios de desespero e relutância.

O dragão parecia não se importar muito com esse raposo. Ele imediatamente se ajoelhou ao lado da outra figura — uma raposa feminina vestindo um quimono preto. Suas nove caudas o cercavam, como se tentassem confortá-la. Ele olhou-a de cima a baixo, mas não encontrou ferimentos evidentes. A gema azul na testa dela — sinal de que era líder do clã das raposas demoníacas — havia surpreendentemente desaparecido.

Seu rosto quase sem sangue. Os lábios vermelhos dela começando a ficar azul lentamente. E, acima de tudo, ele podia sentir que sua força vital estava diminuindo rapidamente.

O dragão segurou a mão da raposa. Mal sentia algum alívio ao perceber seu pulso quase imperceptível. "Kagetsuki, segura firme, eu—"

Antes que pudesse continuar, Kagetsuki abriu os olhos e sorriu lentamente para ele. "Você— está atrasado…"

"Sim, é minha culpa. Estou prestes a transferir minha Mana para você. Então, tente aguentar."

"N-não… já é tarde demais." Ela olhou para o raposo macho deitada ao lado, uma lágrima escorrendo de seus olhos. "Tarde demais." Então, ela olhou novamente para o dragão, colocando a mão sobre o abdômen e uma luz negra começou a emergir dela.

O dragão compreendeu imediatamente o que ela tentava fazer. "Pare, Kagetsuki! Você irá realmente morrer se continuar assim!"

Kagetsuki apenas sorriu. "Eu— Sei sim."

Então, com a dispersão da luz negra, um ovo branco emergiu de seu ventre. Ela olhou para o ovo com carinho, como se mal pudesse esperar para gravar sua imagem na memória.

Ela olhou para o dragão. "I-este é seu p—padrinho. P-promise para mim, prometa que vai protegê-lo. P-please..."

O dragão segurou o ovo nos braços e disse com determinação: "Eu prometo."

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