O Retorno do Assassino de Nível Divino BL

Capítulo 213

O Retorno do Assassino de Nível Divino BL

"SEU nome é Luo Yan?" perguntou Rong Shun.

A mudança na expressão de Rong Shun foi a deixa que Luo Yan esperava. "O Professor conhece alguém com o mesmo nome?" perguntou de maneira o mais natural possível.

"Por que pergunta?"

Luo Yan saiu de trás de Shen Ji Yun antes de responder à pergunta de Rong Shun. "Porque você parecia lembrar de alguém quando mencionei meu nome de repente."

Shen Ji Yun olhou para o professor. Ele não percebeu nenhuma mudança significativa na expressão dele. Então, não conseguiu entender o que o coelho quis dizer. Talvez seja porque Luo Yan fosse provavelmente mais sensível do que ele às emoções das outras pessoas. Bem, qualquer um provavelmente seria mais sensível do que ele. Principalmente porque ele mal compreendia emoções – as dos outros e até as próprias.

"Eu realmente lembro de alguém?" perguntou Rong Shun, segurando o queixo como se estivesse pensando intensamente.

"Você provavelmente só sente falta daquela pessoa que tem o mesmo nome que eu," disse Luo Yan. "Ela mora em algum lugar distante?"

A maneira como ele perguntou provavelmente demonstraria que tinha interesse de verdade naquela pessoa que também tinha o mesmo nome que ele. Mas, por agir de maneira inocente e ingênua, não passou essa impressão. Ele parecia apenas uma criança curiosa com tudo.

"Distante, hein? É uma forma de ver," respondeu Rong Shun.

"Ele é um amigo muito próximo?" perguntou Luo Yan novamente. Ele continuaria perguntando até obter a resposta mais importante.

"Não é. Ele é só um estudante problemático que teve sua vida interrompida da maneira mais idiota possível."

[Ei, agora. Quando foi que eu te causei algum problema? Pelo que me lembro, é o contrário. E, embora eu tenha morrido daquela maneira tão tola, não foi exatamente porque eu mandei aquela planta cair na minha cabeça.]

Mas, é claro, Luo Yan não podia dizer isso. Nem mesmo conseguir ficar bravo. Não quando Rong Shun tinha aquela expressão nostálgica, tingida de uma tristeza suave no rosto.

"Esse estudante, ele faleceu?" perguntou Shen Ji Yun. Embora não estivesse realmente interessado nesse assunto, o coelho parecia estar. Provavelmente achou interessante ouvir uma história de alguém com o mesmo nome.

"Sim, há sete anos. Morreu no hospital, poucos dias após se formar. Feito por uma planta de vaso, que o atingiu de surpresa. Engraçado, né?"

"Acho que nada relacionado à morte pode ser considerado motivo de riso," disse Shen Ji Yun em tom sério.

[Pois é, vá lá e mexa com ele, Shen Ji Yun.]

Mas, de novo, Luo Yan não podia dizer isso diretamente. Ainda não tinha a resposta que queria.

Ele olhou para Rong Shun, certificando-se de que sua expressão mostrasse a tristeza e o medo na medida certa. "Então, essa pessoa com o mesmo nome que eu já se foi?"

Shen Ji Yun olhou para Luo Yan, preocupado. De repente, percebeu que esse assunto pode ser demais para o coelho. Afinal, ele também teve uma experiência de quase morte ainda jovem. Talvez essa conversa trouxesse à tona traumas daquele acidente.

Surpreendentemente, embora Luo Yan parecer triste e assustado, ele não sentia realmente estar assim. Se fosse qualquer outra pessoa, provavelmente ficaria decepcionada ao ver alguém que conhece fingindo demonstrar simpatia por alguém. Mas Shen Ji Yun não tinha essa sensação. Ele, na verdade, ficou bastante aliviado ao perceber que o coelho não estava realmente triste.

"Seus pais devem ter ficado de coração partido," acrescentou Luo Yan.

"Se ainda estivessem vivos, certamente teriam ficado," disse Rong Shun, tirando o pirulito da boca e jogando-o na lixeira mais próxima. "Aquele cara é órfão."

"Isso... é triste," comentou Luo Yan. Embora seja um pouco assustador falar sobre sua morte na vida passada, ele precisava continuar insistindo para conseguir a resposta.

"Sim."

Rong Shun estava no campus quando ocorreu o acidente. Luo Yan era um estudante bastante conhecido, então a notícia de tudo o que aconteceu a ele logo se espalhou. Rong Shun deixou o que estava fazendo para correr ao hospital. Ele já estava passando por cirurgia na época. O médico conseguiu salvá-lo. Mas ele entrou em coma logo depois e, alguns dias mais tarde, sua condição se agravou, levando à morte.

E, assim, uma pessoa que certamente tinha um futuro brilhante pela frente morreu.

Rong Shun soube, pelos três colegas de quarto de Luo Yan, que ele era órfão. Nos anos em que atuou como seu orientador, nem percebeu que ele estivesse nessa situação. Porque ele sempre parecia tão feliz. Com pessoas ao redor o tempo todo. Mas, na época de sua morte, ele nem mesmo tinha um familiar ao seu lado.

Sim, era realmente de partir o coração.

"Ele... morreu sozinho?"

Dessa vez, até Luo Yan sabia que não estava fingindo. A tristeza na voz era verdadeira. Ele tinha medo. Medo de ouvir de Rong Shun que ele morreu completamente só. Achava que já tinha superado isso, que já aceitara a possibilidade. Mas parecia que não era bem assim.

Pois morrer sozinho significava que ninguém realmente se importava com ele. Ele não ficaria surpreso se fosse assim. Considerando o quão falso ele era. O jeito que manipulava as pessoas para atender a seus próprios interesses, a forma como mentia e enganava a todos o tempo todo, sempre construindo uma parede entre ele e os outros. Como alguém assim mereceria o verdadeiro cuidado dos outros?

Luo Yan abaixou a cabeça, sentindo as mãos tremendo. Sorriu amargamente. Nossa, quão covarde ele era.

Ele ficou surpreso ao sentir uma mão grande e quente envolvendo sua mão trêmula. Virou-se para Shen Ji Yun. Seus olhos azuis perguntavam silenciosamente se estava tudo bem. Luo Yan não sabia responder. Então, só pôde fazer o máximo para sorrir para ele.

"Ele não morreu." O que Rong Shun disse fez Luo Yan olhar rapidamente para ele. "Ele ficou em coma por alguns dias após o acidente. O diretor do orfanato onde cresceu permaneceu ao lado dele durante todo esse tempo. Seus três colegas de quarto também estavam lá. Eu também."

Luo Yan sentiu como se uma parte do seu coração tivesse de repente se despedaçado ao ouvir aquilo. Era como se uma parte dele fosse liberada de algo que o prendia. Sentiu alívio. Realmente não conseguia explicar o que estava sentindo. Se era felicidade ou tristeza. Só sabia que estava aliviado.

[Entendo... Entendo... o diretor e aqueles caras, até mesmo esse aqui, estavam todos lá.]

Ele não estava sozinho. Mesmo sendo uma pessoa tão má, mesmo não mostrando seu verdadeiro eu a eles, aquelas pessoas ainda se importavam. O suficiente para ficar ao seu lado naquele momento.

[Entendo...]

Ele nem percebeu que uma lágrima já havia caído de um de seus olhos.

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