
Capítulo 957
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Michael surgiu de uma sombra invisível na parede. Olhou para baixo, na direção de onde veio, e acenou para o Orca Sombrio que lhe proporcionou aquele local de transporte.
Em seguida, fez uma avaliação do seu entorno. À sua esquerda, uma grande e densa concentração de tendas e cabanas se estendia pelas planícies planas. À sua direita, a muralha intransponível de Nova Esparta.
Este assentamento humano, que inicialmente era considerado “temporário”, cresceu tanto e atraiu tantos oportunistas que, na prática, virou uma cidade própria. Havia residências, praças, mercados e até estabelecimentos de entretenimento, como tavernas e circos.
Focalizou o olhar em uma das maiores “tendas” daquele distrito. Uma das poucas que realmente poderiam ser chamadas de casas, feitas de pedra e tijolo.
{PISOTE RÁPIDO}
A gigantesca placa de metal inscrita na frente chamava atenção. Com o movimento intenso de pessoas entrando e saindo do prédio, Michael percebeu que seria muito mais fácil encontrar quem procurava do que imaginava.
Ele se misturou à multidão entrando, entrando em um ambiente semelhante a um templo. Muitos pilares de madeira, telhados curvados e uma atmosfera ricamente cultivada, que pareceria tranquila se não fosse pelo movimento ocupado dos visitantes.
De fato, aquilo lhe lembrou templos de sua vida anterior. Os que estavam repletos de turistas, ao menos.
Seguindo a multidão, foi levado até uma área de recepção com uma fila bastante grande de pessoas aguardando na fila.
De forma furtiva, empregou seu Drone, passando por entre centenas de cabeças na fila.
Então, viu a razão da superlotação de visitantes.
A recepcionista. Ou, melhor dizendo, a ausência dela.
— O que está acontecendo?! Onde estão as pessoas responsáveis aqui? — reclamou um dos que estavam na frente da fila. — Já estou esperando há quatro horas!
— Difícil sorte, parceiro. Eu já estou há seis.
— Isso é um absurdo. Vou embora daqui!
Apesar de dizer isso, o sujeito não saiu da fila de fato. Ele apenas esperava que os demais fossem embora, diminuindo a quantidade de pessoas na fila.
Michael também não queria esperar horas, então saiu rapidamente da fila e começou a explorar a área.
Jot'un poderia explicar o que estava acontecendo.
Ele fechou os olhos, usando seu Talento Supremo inato para perceber o mundo ao redor.
De imediato, uma série de assinaturas de mana de Luz apareceu em seu sexto sentido. Cada pessoa tinha uma assinatura única. Se ele conseguisse focar na mana de Jot'un, conseguiria localizá-lo próximo dali.
[Buscando…]
[Encontrado!]
Seu sexto sentido percorreu o complexo do Templo Thunderfoot, ignorando a multidão, passando pelas portas de correr e pelos aposentos privados.
Lá, viu Jot'un entre algumas outras pessoas.
Surpreendentemente, a primeira coisa que percebeu foi que todas as pessoas no local estavam naquela mesma sala. Como uma reunião familiar ou algo assim.
Não sabia exatamente o que estavam fazendo, mas parecia que havia muitas discussões acaloradas acontecendo.
Querendo bisbilhotar, Michael ativou seu Drone Principal. Ele pairou sobre a multidão, atravessando as paredes e chegando até a sala de reuniões, bem na extremidade, onde o microfone do Drone pudesse captar a conversa.
Não quis se aproximar demais. Talvez houvesse Maugneticos em Espírito Nascentes lá, capazes de detectar o Drone.
— O que eles querem? Já ofereceram um preço? — perguntou um dos presentes na fila.
— Ainda não.
Como não podia ver através das paredes, não sabia quem falava.
— Precisamos encontrá-los. Isso prejudica nosso progresso! — afirmou outro.
— Esses bastardos! Quem são eles mesmo?! Por que nunca ouvimos falar de uma empresa assim antes?!
— Se não querem dinheiro, por que fizeram isso? Só por rancor? Pra destruir? Os motivos deles são inconcebíveis! — discutiam, de forma intensa.
Michael ouvia atentamente as discussões. Não conseguiu captar todos os detalhes mais finos, mas tinha informação suficiente para tirar uma conclusão provisória.
A empresa Thunderfoot está em apuros. Algo… ou alguém, foi levado por uma entidade desconhecida.
Parece que tentaram negociar a devolução do que foi tomado, mas os ladrões ainda não responderam às tentativas feitas, o que gerava frustração na sala.
Resumindo, discutiam várias opções de recuperação, mas ou era impossível ou muito caro. Não conseguiam chegar a uma decisão definitiva, e as conversas degeneraram em discussões inúteis.
Por fim, um deles relembrou que tinham uma empresa para administrar, e a reunião foi encerrada, com membros voltando às suas tarefas.
Logo, a recepção teria um atendente.
Porém, Michael não se importou com isso. Focou em Jot'un, que caminhava cabisbaixo pelos corredores do templo, com uma expressão séria. Caminhava lentamente, passando ao lado de outras pessoas, distraidamente.
Aproveitando a oportunidade, Michael se deslocou, empurrando-se pela multidão e passando pelas portas de segurança vazias, até que finalmente viu Jot'un à sua frente.
— Oi, — chamou.
— Hnm?
Jot'un finalmente levantou o rosto, franzindo os olhos ao ver Michael.
— Eu?
Michael sorriu. — Aqui não tem mais ninguém, né?
Confuso, Jot'un se aproximou com uma expressão cautelosa. — Uhm… você não pode estar aqui——pera. Você me parece familiar.
Demorou alguns segundos até Jot'un arregalar os olhos: — Você… VOCÊ É O KEO!
Michael achou surpreendente Jot'un ter percebido tão rapidamente. Afinal, ambos usaram máscaras na noite anterior. A única forma de Michael ter reconhecido era pelo seu signature de mana. Mas Jot'un não tinha nada para se apoiar.
— Como soube?
— Tenho um faro bom para pessoas poderosas, — respondeu Jot'un, estudando o rosto de Michael. — É realmente você, Keo? Você parece bem mais jovem do que imaginei. E, calma aí, por que está aqui? Como conseguiu passar pelos nossos guardas?!
— Fala logo, por que não?, — disse Michael, tampando a boca do falastrão. — Tô aqui para comprar umas peças do Forja Divina.
Jot'un levantou as sobrancelhas, assintindo depois. — Quanto custa?