Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Capítulo 910

Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Enquanto isso, em uma sala isolada do mundo, sem janelas ou portas, sem fim nem começo, estava uma mulher idosa vestindo um robe branco abotoado.

Apesar de seu cabelo preso mostrar tonalidades cinzentas e brancas, a mulher idosa parecia imponente e solene, como se sua própria presença exigisse respeito e admiração. Ela tinha uma expressão de Rainha, semelhante à da Duquesa Regina, mas com um toque de mistério e profundidade que lhe conferiam uma precisão que faria qualquer um pensar duas vezes antes de enfrentá-la.

Ela permanecia na sala, esperando por algo… ou alguém.

Por fim, uma rachadura no espaço apareceu bem na sua frente, as bordas das fissuras se cristalizando com diamantes calcificados de múltiplas facetas que refletiam uma luz faiscante e prismática.

Então, uma jovem de cabelo negro entrou.

Era ninguém menos que Katarina Petrovich.

"Obrigada por ter vindo tão em cima da hora," Katarina fez uma reverência, demonstrando àquela mulher idosa o respeito necessário.

Desde que essa mulher digna e majestosa era a líder do próprio Consórcio Eternitus. Ela era uma mulher ocupada, e mesmo a condição de Katarina como cultivadora do Reino Espírito Nascente não seria suficiente para solicitar uma reunião particular de surpresa.

"Ah, por favor, Katty. Não precisa dessas formalidades," a velha disse com calor, apertando sua mão. "Você faz parecer que não nos conhecemos há toda a vida."

Katarina conhecia essa mulher desde o nascimento. Ela havia sido quem a criou e moldou na mulher que era hoje. Sua vida teria sido completamente diferente se não fosse por sua orientação oportuna em um período muito complicado de sua fase de vida.

Quando seus pais não estavam por perto, ela estava lá, oferecendo todo o amor materno que precisava.

De fato, sua relação era tão calorosa e afetuosa que teria sido ainda mais próxima se não fosse pelo propósito da reunião de hoje.

Esse encontro não era para familiares se atualizarem — era entre uma membro do Eternitus e sua líder.

"É verdade?" a velha perguntou.

De imediato, o assunto da reunião particular veio à tona. Ambas suas expressões ficaram severas e graves, com milhares de emoções e memórias passando por suas mentes.

"Sim. O Gran Mestre está em Nova Esparta," confirmou Katarina.

Uma brisa fria percorreu a sala. Apenas mencionar esse nome já despertava raiva, medo e ansiedade em qualquer membro do Consórcio Eternitus.

Mas para essas duas, apenas uma expressão séria e concentrada brilhou em seus olhos. Na verdade, havia até um brilho de zelo em seus semblantes, um entusiasmo firme que vinha menos do medo e mais de uma impaciência.

"Finalmente," murmuro a velha. Elas rastrearam esse criminoso horrendo por um bom tempo, sem sucesso. Gastaram recursos valiosos ao redor do mundo na esperança de esbarrar pelo menos no nome dele.

No entanto, ele era muito ardiloso. Um safado dissimulado, o Gran Mestre nem sequer permite que as pessoas saibam seu nome para evitar que alguém o rastreie.

Para um homem que gosta das sombras e do isolamento, quem diria que o encontrariam em Nova Esparta, onde tudo pulsa com vida, conversas e conflitos.

"Não deixem que ele perceba que estamos atrás dele," ordenou a velha. "Ele vai fugir, garantido. Continuem agindo como têm feito em Nova Esparta e finjam que nem sabem que ele está lá."

"O QUÊ?!" a exclamação visceral de Katarina fez suaArmadura Espírito Nascente se manifestar ao redor dela.

Mas, apesar da pressão tangível que a envolvia, a velha permaneceu imperturbável. Nenhum fio de cabelo dela tremeu.

"Katarina, escute o que eu digo. Você não consegue derrotá-lo sozinha. Precisamos reunir todas as forças em Nova Esparta e só assim teremos uma chance de acabar com essa vingança de uma vez por todas. Deixe que nossos agentes façam o trabalho."

"Não. Eu vou procurá-lo sozinha," insistiu Katarina. "Não posso ficar parada enquanto sei que ele está lá fora, a poucos centímetros de mim!"

A velha suspirou, olhando para a armadura de diamante que se manifestava ao redor de Katarina.

"Seu Poder de Aublidade é o oposto do que precisamos. Ele consegue enxergar o seu reflexo de até metade do mundo. Você não tem as habilidades necessárias para espioná-lo, especialmente nisso."

"Temos muitos agentes capazes de fazer esse trabalho melhor do que você. Deixe com eles."

As narinas de Katarina franziam, ela ainda insistia em seu próprio método.

Então, a velha se aproximou e bateu em seus ombros. "Você não é a única com uma conta a acertar," ela disse.

O Gran Mestre não era só seu inimigo, era de todo o Conselho.

A velha passou ao lado de Katarina, prestes a sair desse plano dimensional isolado, quando Katarina falou novamente.

"Espere. Não é só por isso que te chamei aqui hoje."

Certamente isso chamou a atenção da velha.

"Descobri o motivo pelo qual meu pai ativou seu sistema de segurança," ela admitiu.

Com uma sobrancelha levantada, a velha virou-se para ela, com um olhar expectante. "O que ele descobriu? Pode nos ajudar a tirar seu pai da coma."

"É sobre Unity… ou, mais importante, quem a possui."

Então, Katarina começou a explicar os detalhes do que Michael lhe contou no Drone. Seu poder de controlar as oito mana, sua habilidade que permitia despertar talentos de outras pessoas, e também seu feito de matar a Pedaço Nascente do Gran Mestre.

A expressão da velha passou de leve choque para uma total descrença.

A história de um garoto de cabelo dourado fazendo tudo aquilo parecia tão absurda que chegava a ser impossível de acreditar.

No começo, uma leve risada escapou da velhota. Katarina deve estar exagerando, certo?

Mas, ao terminar a narrativa, e ao perceber que ela não tinha traço de humor, a velha silenciou rapidamente.

Katarina não era mentirosa também. Ela até teve uma fase de problemas na juventude, mas jamais mentiria tão descaradamente sobre algo tão absurdo, especialmente quando se tratava do Gran Mestre.

A velha passou de um lado para o outro, franzindo as sobrancelhas enquanto refletia se devia ou não acreditar.

"Você tem certeza—"

"Sim," respondeu Katarina com firmeza. "Eu vi com meus próprios olhos. Ele curou o Coração Maldito do Menino Elfo. Uma luz prismática saiu de suas mãos. Não pode ser outra coisa senão Unity."

Não que ela não confiasse em Katarina, mas esse assunto era muito importante para ser descartado sem provas.

As implicações de um poder tão miraculoso certamente abalariam os alicerces do mundo. Um Elfo despertando um talento? Não um demi-humano sem coração de Dao, mas um verdadeiro Besta.

Isso era simplesmente demais para ser algo que poderia acontecer na realidade.

"Fico feliz por você ter trazido isso à minha atenção," disse a velha. "Mas deve permanecer em segredo pelo máximo de tempo possível."

Katarina ficou surpresa. "Eu pensei que você iria insistir na sua inclusão definitiva no Conselho."

A velha assentiu. "Sim, o poder que ele possui, se for verdade, mudará significativamente o curso da guerra a nosso favor. Mas… É demais. Se os Ersatz descobrirem que há alguém capaz de trazer o poder da Era Antiga ao presente, fariam de tudo para destruí-lo."

Esse pensamento sombrio deixou Katarina preocupada. "O que fazemos?"

"Nada. Por ora, o fato de ele ter permanecido desconhecido por tanto tempo significa que os Ersatz não vão descobri-lo, a menos que dediquemos atenção especial a ele. Mantenha-o perto, mas de longe."

Michael ainda permanece desconhecido pelo resto do mundo. Se houver rumores sobre ele, eles só permanecem no âmbito da especulação. Afinal, o alcance do seu poder era tão inacreditável que ninguém acreditaria.

Certamente, os Ersatz também pensam assim, já que ainda não descobriram sobre ele.

"Em breve, vamos enviar a maior parte das nossas forças para Nova Esparta. Então, qualquer coisa que estiverem fazendo lá, estaremos lá para impedir."

A velha olhou para Katarina e percebeu que ela ainda não estava convencida.

"Não se preocupe. Eu mesmo estarei em Nova Esparta," disse a velha.

Isto surpreendeu bastante Katarina. Sua presença lá certamente desestabilizaria qualquer movimento grande dos Ersatz. Só o nome dela já faria eles tremerem de medo, forçando-os a se esconder noss buracos que chamam de fortalezas.

"Estarei esperando por você em Nova Esparta," Katarina ajoelhou-se.

A velha assentiu. "Vou terminar alguns compromissos aqui e dar umas desculpas para justificar minha chegada lá."

Katarina concordou, deu as costas e estendeu a mão, prestes a criar outra rachadura na dimensão do espaço.

"Ah, e Katarina, seria bom a gente comer algo juntos de vez em quando," a velha disse com calor.

Katarina sorriu. "Sim, senhora Xerê."

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