
Capítulo 804
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
De volta ao mundo real, exatamente no momento em que Michael tocou o Artefato antigo… nada aconteceu.
Suas mãos cuidadosamente agarraram a superfície áspera do osso e ficaram ali, imóveis. Seus olhos penetraram profundamente no Artefato, como se tentasse resolver algo na sua mente.
Alguns segundos se passaram, e essa pequena 'pausa' deixou de ser algo comum para se tornar um pouco estranha.
"Kuhahahaha! Nerds de história são tão estranhos!" exclamou Zovirru. Para ele, não via nada além de um garoto tão obcecado pelo Artefato que parecia estar congelado no tempo, tentando desvendar os mistérios do mundo.
Katarina olhou fixamente para Michael, seus olhos atravessando os dele.
Agora, isso não deveria parecer estranho para ela. Ela já tinha visto seu pai fazer a mesma expressão sempre que estava ocupado demais tentando estudar algum artefato histórico importante. E, já que 'Keo' era seu protegido, não era difícil dizer que ele herdou seus hábitos estranhos de estudo.
No entanto, havia algo estranho nas ações de Michael, ou melhor, na falta delas.
Seus olhos permaneciam imóveis, fixos num ponto distante. Parecia que ele nem estava realmente olhando para o Artefato, mas simplesmente estava sonhando acordado.
"Não imaginei que ele fosse tão corajoso," disse Zovirru. "Até eu senti um leve ardor na primeira vez que toquei nele. Mas ele nem piscou hahahaha!"
As sobrancelhas de Katarina levantaram. "Ardor?"
"Qualquer pessoa que toca neste Artefato terá seu sangue retirado," explicou Zovirru. "É algum tipo de teste ou algo assim."
Katarina manteve a expressão neutra, mas por dentro ela estava surtando. Sua organização vinha coletando muitas informações sobre a história da Era Antiga. E sempre que havia algo daquela Era que 'pinicava' o sangue de quem entrava em contato, acabava se revelando um artefato extremamente valioso.
Quanto ao motivo, tinham apenas uma pista: Unidade. Essa era a única força que podia ser percebida através do sangue.
Enquanto olhava para Michael, parado no lugar, ela não pôde deixar de imaginar um cenário em sua cabeça.
Seu olhar distante, sua imobilidade... será que ele estava entrando em contato com o Artefato?
Seus olhos brilhavam imperceptivelmente com uma luz violeta enquanto ela começava a observar Michael para detectar qualquer sinal de mudança em seu corpo.
Ela o escaneou, assim como o osso que ele segurava.
No entanto, mesmo com seu cultivo no reino Espírito Emergente, ela não conseguiu ver nada fora do comum.
Talvez ela estivesse enganada.
Se estivesse acontecendo alguma coisa com ele e o Artefato, ela teria percebido com seus próprios olhos.
E, com isso, sua dúvida desapareceu. 'Keo' simplesmente estava seguindo os passos do professor e ficou tão focado no Artefato que parecia estar sonhando acordado.
Porém, na verdade, outra possibilidade passou despercebida por ela. Uma possibilidade de que o poder dentro do osso além do reino Espírito Emergente estivesse ativamente ocultando qualquer atividade do lado de fora.
Ela nunca teria pensado nisso porque esse tipo de poder estava além do seu entendimento atual. Isso mudaria o Artefato de uma importância moderada para uma crítica.
Assim, inconsciente de tudo, ela se aproximou de Michael, levantando a mão para tentar despertá-lo.
Mas, justo nesse momento, eles ouviram um estrondo que ecoou por dentro do local.
Zovirru e Katarina se viraram para olhar em direção à entrada da Torre, vasculhando com seus poderes as montanhas de ouro e joias até verem claramente quem estava lá fora.
Nos degraus da frente da Torre Dracônica de Zovirru estava um homem de meia-idade, com as costas curvadas e uma expressão preocupada no rosto.
"Bastiene?" Zovirru murmurou, com uma expressão claramente confusa.
Ele voou acima das pilhas de ouro direto até a porta.
Katarina percebeu a expressão no rosto de Zovirru. Seja o que fosse, aquilo era de extrema importância.
Ela precisava saber.
Então, virou-se para segui-lo até o covil dos dragões e chegou ao portal para o lado de fora.
Antes de sair, olhou para trás, para Michael, que ainda estava congelado, segurando ambos os lados do Artefato.
Depois, ela saiu pelo portal.
Quando esteve lá fora, encontrou Zovirru e Bastiene conversando entre si.
"Qual é o problema?" perguntou ela, de modo um pouco rude.
Zovirru não se importou e respondeu: "Este é Bastiene. Ele é meu mordomo e cuida dos meus assuntos aqui na Continente Real."
Não era incomum Dragões terem escravos, então Katarina não se assustou.
"Senhor Zovirru, parece que há um problema considerável com seus vizinhos…" disse Bastiene, nervoso, enquanto esfregava as mãos.
"Vizinhos?"
Zovirru olhou ao seu redor, sua visão atravessando as várias Torres de Dragão ao seu redor. "O que tem eles?"
"Eles… descobriram outro, senhor."
As sobrancelhas vermelhas e confusas de Zovirru se levantaram, antes de seu sorriso se abrir mais. "Hoho? Encontraram outro? Você tem certeza?"
Bastiene assentiu. "Sim, senhor. É outro osso."
Dessa vez, Katarina não pôde deixar de se intrometer na conversa. "Outro osso? Não me diga… é outro Artefato?"
Ela tentava esconder suas verdadeiras emoções, mas por dentro estava cada vez mais agitada.
De alguma forma, o que eles estavam fazendo com Nova Esparta estava ficando muito mais complicado do que ela imaginava inicialmente.
Se o que Bastiene disse fosse verdade e eles tivessem encontrado outro Artefato, então seria de extrema importância para ela obter um também.
Talvez, sua organização precisasse dedicar mais membros em Nova Esparta para acompanhar os desenvolvimentos por aqui em relação ao Artefato.
"Mas você está atrasado demais, minha cara Bastiene. Meu interesse pelo Artefato já diminuiu. Não preciso de outro."
Depois de ouvir isso, Katarina imediatamente se pronunciou. "Se você não quer, eu pego."
Zovirru passou a mão na cabeça dela. "Claro, claro. Bastiene, conte ao colega do professor o que você sabe sobre o Artefato."
Bastiene olhou para Katarina e fez uma reverência. "Senhora… é lamentável dizer, mas o proprietário do Artefato pode ser… bem, alguém parecido com o Senhor Zovirru. Dragões têm uma tendência a acumular coisas, afinal."
Diferente da generosidade do meu mestre, esse Dragão é bem fechado com as questões do mundo. É difícil de comunicar e vai afastar quem quer que seja."
Zovirru zombou. "Eu não sou generoso. Estou apenas entediado."
Katarina ignorou-o e continuou insistindo com Bastiene por mais informações. "Então, como podemos entrar em contato com eles?"
"Vai ser difícil," disse Bastiene. "Enquanto falamos, várias entidades estão tentando arduamente falar com esse Dragão. Contudo, todas vão falhar."
"Afinal, eles não conhecem os modos do Dragão. Para contatá-los, é preciso dar a eles algo como presente."
Ela assentiu. Não querendo se gabar, ela provavelmente tinha um nível de riqueza igual ao de Zovirru e dos demais Dragões. Tinha muitos presentes extravagantes que poderia oferecer se isso facilitasse uma reunião com esse Dragão.
"Não é qualquer pedra preciosa ou artefato," explicou Bastiene. "É um grupo de pessoas. Esse Dragão tem algum interesse com os Elfos."
Assim que ele disse aquilo, os ombros de Katarina caíram em decepção.