Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Capítulo 754

Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Enquanto Michael e o Professor Lichtenstein continuavam sua conversa, a bolha começou a descer até as profundezas do lago.

Perceberam-se olhando para uma cidade submersa, feita com grandes recifes de coral, completa com uma floresta de algas marinhas. Bolsões de algas bioluminescentes iluminavam todo o leito do lago, permitindo que tritões e peixes navegassem confortavelmente mesmo a centenas de pés de profundidade, onde nem mesmo a luz tocava a superfície.

"Hum… fizeram um ótimo trabalho ao tentar recriar Atlântida," comentou o Professor Lichtenstein. "Mas não está nem perto de ser tão grandiosa ou bonita quanto a original."

Como toda essa região foi criada em apenas alguns meses, era compreensível que não estivesse no mesmo padrão do que se pode ver no leito oceânico. Mas, para Michael, isso já era impressionante o suficiente.

"Você já esteve em Atlântida, professor?"

"Sim," respondeu o professor com orgulho. "Quem deseja estudar o mundo precisa conhecê-lo bem. Se você realmente quer desvendar mistérios, viajar pelo globo ajuda bastante."

Sem perceber, o professor começou a tratar Michael como se fosse seu verdadeiro protegido. Talvez fosse por causa do talento de Michael em decifrar o mapa, que o professor percebeu finalmente que havia alguém que ele podia confiar para lhe transmitir seu vasto conhecimento.

"Chegamos," disse o tritão que guiava a bolha.

Michael percebeu que a boca do homem não se movia ao falar. Ainda assim, a voz que saiu dele soava tão clara para ele quanto se o homem estivesse falando bem na frente.

"Você vai se acostumar," brincou o professor. "Os tritões se comunicam vibrando seus órgãos vocais, parecido com baleias ou golfinhos que usam clics e assobios."

Eventualmente, a gigante bolha desceu até uma enorme barreira de coral que se assemelhava a um navio afundado. Michael até podia ver o mastro quebrado ao meio, agora coberto por mexilhões e maximilhões.

"A princesa está te esperando lá dentro," afirmou o tritão.

A bolha se dirigiu automaticamente ao buraco gigante no centro do navio, que parecia ser o ponto de ruptura que causou o seu afundamento.

Ao entrar, Michael e o Professor viram várias outras criaturas marinhas, todas diferentes do que ele tinha visto antes de seres humanos do mar. Esses tritões eram mais 'peixe' do que humanos.

"Tem uma cidade inteira aqui embaixo," comentou Michael baixinho.

Percebeu crianças tritões brincando na floresta de algas, viu híbridos de peixe-boi e humano carregando grandes rochas usadas provavelmente na construção, e também observou camarões frescos sendo servidos em mesas que pareciam ser de um restaurante para tritões.

Era a primeira vez que ele via tritões em seu habitat natural.

Mas, por mais curioso que estivesse, eles também estavam tão interessados nele quanto ele se mostrava interessado neles.

Enquanto a bolha navegava por uma correnteza d'água que percorria diferentes lares de coral, tritões espiavam de suas tocas e o olhavam fixamente, assim como o professor.

"Eles nunca viram um humano antes?" perguntou Michael ao professor.

"Já, eles viram. Mas, imagino que não esperavam ver um usando as bolhas da princesa."

Finalmente, a correnteza os levou direto a uma sala do trono aberta, onde a princesa polvo descansava confortavelmente.

A bolha se posicionou bem na frente dela, cercada por guardas tritões ao redor.

A princesa polvo olhou para o professor com um olhar curioso. "Humanos não costumam entrar no lago, sabia? Mas, para você, professor, posso fazer uma exceção. Afinal, sua reputação é conhecida. Ouvi dizer que você tem uma sede imensa por acumular conhecimento e informações, como se fossem gotas de orvalho."

O Professor Lichtenstein fez uma reverência bastante desajeitada, de modo que ninguém sabia se era uma brincadeira sarcástica ou se ele realmente estava tão constrangido quanto aparentava.

"Obrigado. Agora, podemos chegar ao que interessa?"

A princesa polvo riu baixinho. "Relaxe, professor. Ainda nem nos apresentamos. Meu nome é Octavia, e sou a 30ª princesa do Reino de Atlântida."

Então, ela fez um gesto para que o professor fizesse o mesmo.

"Lichtenstein. Professor Lichtenstein."

Com um empurrãozinho do professor, Michael também se apresentou — é claro, usando seu nome disfarçado.

"Keo, o protegido do professor."

A princesa Octavia assentiu com satisfação. "Agora que resolvemos essa parte, professor, pode me contar o que sabe sobre a Joia de Mariana."

O professor olhou para a princesa. "E você vai me contar sobre o Antigo?"

A princesa apenas sorriu, com uma resposta vaga.

Mas, o que poderia fazer? Ela era a última conhecida a ter tido o Antigo nas mãos. Ele tinha que dar a ela o que ela queria.

"Certo. A Joia de Mariana. Sei que todas vocês, princesas, têm buscado por ela a vida toda."

A Princesa Octavia assentiu, pegando distraidamente um prato de camarões oferecido por suas serviçais.

"Sim. É extremamente importante que eu a obtenha, ao invés das minhas outras irmãs," ela disse, mordiscando os camarões.

"Por quê?" questionou Michael discretamente ao professor. Mas, parecia que a princesa tinha ouvido, de qualquer forma.

"Porque nosso pai nos prometeu uma coisa desde que éramos bebês. Dê a ele a Joia de Mariana, e ele nos dará seu reino em troca. Conquistar essa joia nos permitirá herdar toda a riqueza, poder e fama de um Rei dos Mares. Então, vocês podem entender minha obsessão pela Joia de Mariana."

Finalmente fazia sentido por que Octavia cedeu e deixou o professor entrar na área deles. Era um preço pequeno se pensarmos na chance de herdar todo o Reino de Atlântida.

"Então, professor. Conte-me o que a história dos humanos diz sobre a Joia de Mariana. Se você me ajudar a consegui-la, considerarei isso com muita gratidão. Garantirei uma vaga para você no meu novo reino," prometeu a princesa Octavia.

O professor nem pareceu interessado. Realmente, ele não tinha nenhum interesse em assuntos que não fosse a história.

"A Joia de Mariana não está no oceano," declarou o professor.

A princesa Octavia concordou. "Me diga algo que eu não saiba, professor. Se a Jóia estivesse debaixo d'água, já teria sido encontrada pelas minhas outras irmãs. Aliás, nosso pai nem confiaria a ela a nós. Ele mesmo a procuraria."

"Isso quer dizer que você acha que a Joia de Mariana está no mundo superficial," comentou o professor.

"Sim," assentiu a princesa polvo. "Por isso estou aqui, professor. É uma oportunidade para encontrar pistas sobre onde a Joia de Mariana pode estar. E minhas irmãs vão fazer o mesmo. Portanto, agradeceria muito se você me desse uma vantagem inicial."

O professor olhou para ela. "Segundo os conhecimentos deixados pela Era Antiga, a Joia de Mariana não fica nos sete mares. Nem mesmo nos quatro cantos do mundo."

A princesa Octavia se inclinou na ponta da cadeira, à espera.

"Ela está em outro reino," revelou o professor.

Ao ouvir isso, a princesa Octavia começou a massagear seus tentáculos de cabelo. "Outro reino? Uma Dimensão Paralela, talvez?"

"Dizem que Gaia própria escondeu a Joia de Mariana, protegendo-a em uma realidade completamente diferente da nossa."

Comentários